17 de junho de 2019/POR Franklin Costa

Essas são as dúvidas que mais recebemos desde que lançamos os próximos destinos do OCLB Travel (viaje conosco para o Web Summit Lisboa 2019 e SXSW Austin 2020). 

Para quem está pesquisando qual festival participar, seguem algumas informações práticas.

1. Investimento

Cada um tem seu próprio orçamento e nível de conforto. Mas, desde já, saiba que participar destes eventos demanda um bom investimento. Tanto de grana, quanto de tempo e energia. 

Os badges (ingressos), passagens aéreas e hospedagens são as principais despesas para quem planeja participar do Web Summit e/ou SXSW.

Badges (ingressos)

Na comparação com o Web Summit, o SXSW é mais caro

Neste ano, só o ingresso para a programação Interactive do SXSW variou entre U$ 825 e 1.325 dólares (cerca de R$ 3.700 a R$ 5.900 reais, considerando 1 dólar a R$ 4,50 reais). Se você busca a experiência completa do festival, vale a pena comprar o badge Platinum, que dá acesso prioritário a todos as atividades do evento – incluindo tudo que você quiser conferir das programações Film e Music. Uma inscrição Platinum chegou a custar 1.650 dólares (aproximadamente R$ 7.400 reais).

Valores dos badges do SXSW 2019

Já os ingressos do Web Summit custam entre EU$ 495 e EU$ 995 euros (cerca de R$ 2.400 a R$ 4.900 reais).

Vale observar que o SXSW Interactive acontece em 5 dias versus 4 dias de Web Summit (a versão completa do SXSW, incluindo a programação Music e Film, dura 10 dias no total).  

Para ambos, a regra é clara: quanto mais próximo de cada evento, mais caros os badges ficam.

Acomodação

No geral, Austin é mais cara e tem menos opções de acomodação disponíveis a um bom preço que em Lisboa. Ou seja, o SXSW também tende a ser mais caro que o Web Summit nesta categoria.

Os preços de acomodação chegam a ficar até 2,5 vezes mais caros em Austin durante o SXSW. Conseguir lugar bom e próximo do Austin Convention Center (o coração do SXSW) é quase tão fácil como encontrar uma agulha num palheiro. Não é impossível, mas… boa sorte!

Lisboa é uma das mais visitadas capitais da Europa, recebe turistas o ano inteiro e Portugal tem um dos menores custos de vida do Velho Continente. Suas opções de restaurantes também são geralmente mais em conta (pessoalmente, também prefiro a comida portuguesa à culinária Tex-Mex  de Austin).

Preços em euros de pratos portugueses no restaurante Taberna das Flores, um de nossos preferidos em Lisboa

Passagem

Passagens são um dos investimentos mais variáveis. Ainda assim, no geral o Web Summit tende a ganhar na disputa de preços. 

Fiz uma consulta à nossa parceira e operadora de viagens Claudia Bukowski, da Great Escape (faça seu orçamento aéreo com ela aqui):

Se for pra fazer uma estimativa: de R$ 2.500 a R$ 3.000 para Lisboa em novembro e R$ 4.000 a R$ 4.500 para Austin em março. Existe a possibilidade de encontrar esquemas mais baratos em promoções (Lisboa perto de R$ 2.200 e Austin perto de R$ 3.600). Mas são previsões muito otimistas para divulgar como média.

Claudia Bukowski – Great Escape

Ah, vale dizer que não existem vôos diretos entre o Brasil e Austin (pelo menos até o fechamento deste post).

2. Conteúdo

Em 2019, o SXSW apresentou 25 trilhas (temas) de programação. Já o Web Summit 2019 tem 24 trilhas.

O Web Summit de 2018 apresentou mais de 1.200 palestrantes. O SXSW do mesmo ano, quase 5.000.

Apesar dos números parecerem muito maiores, vale esclarecer que estamos comparando 10 dias de SXSW contra 4 de Web Summit. Se você estiver indo ao SXSW somente para a programação Interactive – a etapa focada em inovação, criatividade e tecnologia do festival – estamos falando de 5 dias de programação.

Tracks (trilhas) do SXSW 2019. Abaixo, como se dividem as etapas do festival de Interactive, Film e Music

Como você pode perceber, comparações quantitativas tendem a confundir mais que ajudar. 

Por isso, vale analisar melhor o aspecto qualitativo de ambos eventos. Vamos dar um passinho para trás e explicar a origem de cada festival.

Origens influenciam o presente

O SXSW nasceu na sala de reuniões do jornal Austin Chronicles em 1987, graças à iniciativa de um grupo de punks, motivados pelo desejo de mostrar que a cena musical de Austin não deixava nada a desejar para outras cidades mais conhecidas como Nova York e Los Angeles.

Ao longo dos anos, o SXSW investiu energia e recursos para criar uma programação mais abrangente, a gênese do que seriam mais tarde as divisões Film e Interactive. Em 1995, o SXSW divide-se em Music, Film e Multimedia. Em 1999, Multimedia passa a ser o que chamamos hoje de Interactive. 

Já o Web Summit surge em 2009, a partir da visão de três empreendedores digitais, todos também investidores de startups e negócios na área da tecnologia. Até 2015, o evento era realizado em Dublin, na Irlanda. Em 2016, mudou-se para Lisboa depois de uma concorrência entre várias capitais européias.

Diferente do SXSW, que tem uma pegada mais alternative-indie-tech, o Web Summit tem uma cara mais comercial e imponente (o Altice Arena, onde o evento é realizado, é um dos maiores espaços de eventos da Europa).

Um mar de gente no Altice Arena durante o Web Summit Lisboa

O SXSW apresenta diversos formatos de palestras, de workshops a leitura de livros, de painéis solo (com apenas um palestrante) a workshops (que podem durar até 4 horas). Na média, as palestras do SXSW duram em torno de 45 minutos. Já no Web Summit, cada palestra tem em torno de 20 minutos de duração. É mais “pá-pow”, o tempo de um TED Talk.

Dito isso, o SXSW é um evento mais holístico e generalista em seus assuntos, com uma programação artístico-cultural mais forte que o Web Summit. Por outro lado, o conteúdo do Web Summit pode parecer mais assertivo para quem busca discussões focadas em negócios, empreendedorismo, marketing, tecnologia e startups.

O músico e empreendedor Wyclef Jean durante o SXSW 2019

Vale saber: em ambos os eventos, o idioma oficial é o inglês (de forma geral, os portugueses falam inglês fluentemente). É importante estar com pelo menos o ouvido afinado para não boiar nas palestras.

Saldo final

Recomendo o Web Summit para todos os profissionais que busquem se conectar com o futuro dos negócios. Como todos os 4 dias de sua programação acontecem no mesmo local , é também um evento para quem busca menos “distrações” (apesar das milhares de atividades que acontecem ao mesmo tempo no Altice Arena). 

Apesar do inglês ser o idioma oficial de ambos os eventos, Lisboa também é muito mais fácil para Brasileiros se sentirem “perto de casa”. A comida, os vinhos, o clima e o idioma nas ruas… tudo ajuda para tornar a experiência do Web Summit mais tranquila e favorável.

Nosso grupo do OCLB Travel 2018 no jantar antes do Rock in Rio Lisboa

E o SXSW?

Pessoalmente, considero um investimento alto demais ir para o SXSW para vivenciar somente a experiência da programação Interactive. A graça do SXSW está justamente no que eles entendem que é cada vez mais o core business de sua programação: a convergência de assuntos e temas. 

O mais bacana do SXSW é assistir uma palestra de um artista pela manhã, vê-lo se apresentar depois em um show na cidade no happy hour (durante uma ativação de marca) e pela noite assistir um filme ou continuar o networking nos bares de música ao vivo da cidade (lembre-se sempre que Austin é considerada “a capital da música ao vivo dos EUA”).

Experiência imersiva e ativação de marca da série The Good Omens (Amazon Prime) durante o SXSW 2019

O SXSW não é uma conferencia de negócios, criatividade e tecnologia. É um evento sobre cultura, onde se vê um pouco de tudo, a depender de sua curiosidade e disposição. Gosto de dizer que o SXSW é um evento para quem busca conectar os pontos do espírito do tempo. É mais abrangente e certamente exige uma maior preparação, especialmente se você sofre com o F.O.M.O.

Independente do destino, recomendamos ir pela 1ª ou mesmo 2ª vez com um bom guia. Vale dar uma olhada no programa de viagem que criamos para cada festival: aqui (SXSW) e aqui (Web Summit).

Boa viagem!