29 de abril de 2019/POR Franklin Costa

Estivemos no Rio2C (abreviação de Rio Creative Conference), festival que tem como missão ser o maior evento de criatividade e inovação da América Latina.

De cara, podemos dizer que ficamos bem impressionados com o evento. A começar pelo local onde acontece: a Cidade das Artes, um gigantesco complexo cultural de arquitetura moderna que abriga a maior sala de concertos da America Latina.

A Cidade das Artes é uma espécie de “elefante branco” no meio da Barra da Tijuca. A polêmica obra foi inicialmente planejada para inaugurar em 2004, com um custo inicial de R$ 86 milhões. Foi entregue em janeiro de 2013 para a realização do musical “Rock in Rio” (ERRATA: A obra foi inaugurada em 2008 pelo até então prefeito Cesar Maia. Ficou “parada” até 2013, totalizando gasto na ordem de R$ 515 milhões, quando a produção do Rock in Rio decidiu investir no local para que o mesmo pudesse ter condições operacionais para receber o musical homônimo ao festival).

Vista aérea da Cidade das Artes. Foto: Diego Baravelli

Apesar do leite derramado, nada de choro. Porque o charme onipotente do lugar não só confere uma personalidade única ao Rio2C (e em sintonia com a sua missão), como também proporciona a oportunidade de receber um festival de inovação e criatividade com a cara do Rio.

Rio2C, um festival em transição

Este foi o 2º ano do Rio2C.

O evento, na verdade, é um reposicionamento do RioContentMarket, um dos principais encontros de negócios da indústria audio-visual da América Latina, cuja primeira edição aconteceu em 2011.

A mudança de RioContentMarket para Rio2C ainda encontra-se em estágio de transição. É notória a presença maciça de marcas do audio-visual, bem como palestrantes e muitos participantes deste mercado.

Uma das grandes salas do Rio2C. Sente essa vibe… Foto: Divulgação

Se por um lado a maioria dos participantes ainda é formado por profissionais de audio-visual, a conferência caprichou na qualidade (e quantidade) de palestras voltadas para profissionais das indústrias criativas em geral.

Nos emocionamos com a homenagem feita à Elza Soares. Vibramos com o case de sucesso do Kondzilla. Refletimos sobre o futuro da neurociência e do neuromarketing com a ótima programação do Brainspace. E assistimos bons painéis sobre marketing, marcas e influencers na Casa das Marcas e na Sala de Inovação Oi.

A diva Elza Soares. Foto: Divulgação Rio2C

Kondzilla, o rei do Youtube no Brasil, no palco da Grande Sala Petrobras. Foto: Divulgação Rio2C

Talvez o ponto alto desta edição foi o painel da conversa entre Rafael Lazarini, fundador do Rio2C, com Louis Black, um dos fundadores do SXSW, maior festival de inovação e criatividade do mundo. Festivais como Path, Hack Town e RD Summit, além do próprio Rio2C, são assumidamente inspirados no SXSW.

O simpático e provocante Louis Black. Foto: Divulgação Rio2C

O fundador de um dos mais admirados festivais do mundo deu uma chacoalhada no público com declarações como esta:

— A ironia é que (fizemos o SXSW) em Austin, uma cidade pequena. Não temos a história insana que vocês têm. Que porra somos nós para dizer? Veja o que vocês fizeram: vocês mudaram o jazz, mudaram a música popular, trouxeram um espírito de amor e paixão para tudo que fizeram, e agora vocês acordam e dizem que não são mais o Rio? Estão esperando Deus descer e buscar vocês? Não vai acontecer.

Considerações finais

Estivemos em apenas 2 dias dos 6 de festival. Foi muito pouco tempo para termos uma visão mais completa do festival.

Mas se depender do que vimos, acreditamos que o Rio2C não só veio pra ficar, como vai longe. Ele acontece na cidade com maior apelo turístico do Brasil, já tem o apoio e patrocínio de grandes marcas e poucas vezes vimos no Brasil uma evento deste tipo entregar tanta qualidade em palestras, atendimento e infra-estrutura.

Sim, é um evento ainda em transição, encontrando o seu formato. O aspecto predominante do audio-visual é absolutamente normal, dado os sete anos em que este era o único foco do festival. Mas o Rio2C veio pra mostrar que é muito mais que isso. Nesta edição, firmou o pé direito em áreas como a neurociência, realidade virtual, marketing e inovação.

Louis Black, fundador do SXSW, disse: “O Rio2C me lembra bastante o começo do SXSW e isso é encorajador.”

O SXSW nasceu em 1987. Levou mais de 30 anos para chegar onde está. E se o seu fundador leva tanta fé no potencial do Rio de Janeiro, quem somos nós para descreditar?

Até 2020, Rio2C. O Rio e o Brasil precisa de mais eventos como este.