O Que o Brasil de 2037 Tem a Aprender Com o Rock in Rio 2017? - Pulso

O Que o Brasil de 2037 Tem a Aprender Com o Rock in Rio 2017?

Se você acompanha o Pulso, conhece nosso mantra: um festival é capaz de sintetizar o espírito de um tempo.

Para entender  os valores da contra-cultura e berço da juventude nos anos 60, basta observar o Woodstock (assista aqui ao doc). Nos anos 80, Cazuza abriu o primeiro Rock in Rio com um discurso inflamado ao som de “Pro Dia Nascer Feliz”. Uma representação simbólica para o turbulento contexto de abertura política pós “Diretas Já”.

Conhecer a história dos festivais é também entender o contexto do mundo. Daqui a 20, quando olharmos para o passado, como lembraremos de 2017?

Sem dúvida, o Rock in Rio 2017 deu algumas pistas.

Ano de Protestos

Crise política aguda. Economia em recessão. Em meio a este cenário nada tranquilo e zero favorável, o Rock in Rio reuniu protestos de todos os tipos. Dentro e fora dos palcos, a falta de confiança no sistema político resumia-se em placas de “Fora Temer”.

Daniel Dantas Fora Temer. Foto: Samuel Kobayashi / Multishow

Já a bandeira social levantada pela organização do festival chamava-se Amazônia Live. Coube à top model Gisele Bundchen, às lágrimas, chamar a atenção do público para a causa.

Foto: Divulgação

Lamentavelmente, pelo lixo deixado pelas pessoas após a abertura do festival, parece que ainda precisamos de muita educação para entendermos que o problema da Amazônia começa em casa.

Mais de 50 toneladas de lixo só no 2º dia de festival

Diversidade nos Palcos e Toda Forma de Amor

Falando em educação, também teve protestos contra a homofobia e discursos em prol da diversidade de gênero, encabeçados por Pablo Vittar, que acabou se tornando a atração que mais marcou presença no festival.

Pablo Vittar Brilhou no Rock in Rio 2017. Foto: Divulgação

Em outro palco, paralelo aos shows, felizmente o amor foi celebrado em vários casamentos na capela montada pelo festival.

Maria Cecília Romera e Marina de Assis, ambas de São Paulo. Que lindo! Foto: G1.

Purgatório da Beleza e do Caos

Do lado de fora do Rock in Rio, os mais de 60% de turistas que vieram de fora para o festival tiveram que encarar uma Rocinha – a maior favela da America do Sul – em clima de guerra.

Já dizia Capitão Nascimento: “o sistema é foda, parceiro”. Foto: O Globo

A ressaca pós-Olimpíadas ainda vai levar um tempo pra passar. O Rio de Janeiro pós-Sérgio Cabral está moralmente e economicamente falido. Enquanto isso, como diria Chico, “a gente vai levando, a gente vai levando…”

Experiências Além da Música

Nova Cidade do Rock. Palco de Games. Balé de drones. Influencers digitais disputando atenção com bandas e artistas. Pela 1ª vez, rolou uma área de experiências gastronômicas (e uma renomada chef de cozinha que parece não ter feito o dever de casa…).

Medina cai na zueira do palco Game XP

 

Os brinquedos estavam lá, como nos anos anteriores. Rolou susto na montanha russa e tirolesa. Ninguém se feriu, só as marcas que assinaram os brinquedos que tomaram um arranhão de leve…

Marcas Aprenderam Como Aparecer  

Coca-cola, Itaú, Doritos e Heineken. Estas quatro marcas investiram em palcos, convidaram artistas e contribuíram positivamente para uma maior oferta de sons e experiências no Rock in Rio 2017.

O Rock in Rio não limita-se mais a 3 palcos e as marcas entenderam que, para ter relevância, precisam investir em conteúdo. Que bom!

Um parabéns especial para a Coca-cola, que soube entender como ninguém a dinâmica do festival, chamando o público para participar de uma (verdadeira) festa todos os dias de festival. “Pessoas no centro” é um dos princípios do design thinking. E a Coca parece ter feito bem o dever de casa.

Mais uma Dose? Não, Obrigado

Já escrevemos por aqui um post sobre a tendência dos festivais sem álcool. Dentre os headliners deste ano, o único que pediu bebida alcóolica na lista de exigências foi o The Who.

A Kombucha, bebida probiótoca obtida através da fermentação do chá (ou infusões de cafeína), é a “nova droga” das estrelas. Saúde!

The Who é companhia certa pro after. Foto: G1

VIP, Sigla para Vergonha, Ignorância e Política

Esse também foi o Rock in Rio marcado pela invasão de VIPs na loja de maquiagem. Um grupo de mulheres alcoolizadas fizeram um arrastão na tentativa de levar para casa produtos na cara dura. Tsc, tsc, tsc… que papelão!

Mulheres à beira de um ataque de nervos na Maybelline

E se em cima dos palcos artistas levantavam protestos contra a presidência, os VIPs do Rock in Rio ja pareciam ter escolhido seu próximo candidato. João Doria, o atual prefeito celebridade de SP, foi aplaudido e ovacionado como um verdadeiro rockstar.  

João Doria, praticamente um headliner na área VIP do Rock in Rio. Foto Divulgação.

Stranger Things, De Volta ao Futuro e Fetichismo Retrô

O mundo invertido da série retrô mais queridinha do Netflix se fez valer no Rock in Rio 2017. O destaque foi o revival onipresente das pochetes entre as celebridades. Sim, além dos anos 80, os 90 também estão de volta.

Celebridades pagam de pochetes

Mas pra entender mesmo esta década, vale a pena dar uma olhada na lista dos ítens perdidos pelo público durante o festival (spoiler alert: tem até uma bíblia!)

E quando a gente pensa que viu tudo que podia, vem Roberto Medina e surpreende. Anunciou para 2018 seu novo festival : Zytrons – Planeta de Andrômeda.

Zytrons, o novo festival de Medina. Foto: Divulgação.

O fundador do Rock in Rio exibiu um vídeo de apresentação durante o Rock in Rio Academy.

No filme, um personagem alienígena chamado Akiiva diz que gostaria de voltar à Terra e ao Rio de Janeiro para mostrar aos humanos como o seu planeta alcançou uma realidade de paz, prosperidade, alta tecnologia, sustentabilidade e preservação dos recursos naturais. Será que vamos aprender?

Aguardem cenas dos próximos capítulos. Que venha o futuro.