19 de dezembro de 2017/POR Franklin Costa

Existem dois tipos de festivais. Aqueles que você vai, curte, volta pra casa e dorme o merecido sono de quem passou as últimas 12 horas em pé dançando. E aqueles que bate uma depressão quando acaba. Você volta pra casa e não consegue dormir porque a cabeça não para de relembrar as experiências fantásticas que viveu.

Cameras ready, prepare the flash

Estes festivais algumas vezes são tão marcantes que mudam nossa forma de enxergar o mundo. Eles nos transformam. O Wonderfruit, em Pattaya, é um destes casos (leia sobre ele aqui)

Esse ônibus tem história pra contar, viu?

Ainda estou tentando processar tudo que vi, ouvi, comi, bebi, senti e vivi neste último final de semana… Poderia escrever pelo menos uns 3 reviews diferentes só para falar deste festival: um só para falar da curadoria musical; outro sobre as experiências gastronômica; e um último dedicado aos “conteúdos do bem” como workshops, palestras, instalações artísticas, atividades para famílias e ações sustentáveis.

Palestras sobre diversidades rolaram por aqui também

Como vivemos na era da economia da atenção, farei um resumo 3 em 1 neste post, com a certeza de que – ao chegar no fim da leitura – você vai querer começar a se planejar para ir lá também em 2018.

Um Festival do Bem

O slogan do festival promete o que entrega: uma celebração de arte, música, comida e ideias para catalisar impacto positivo.

Sustentabilidade é a palavra de ordem. Lá dentro, garrafas e copos de plástico eram proibidos. Havia posts com distribuição de água gratuitos espalhados pelo festival. O preço dos drinks era mais barato se você levasse o mesmo copo para refill (vendido pela produção).

Um festival do bem

As instalações artísticas, assim como os palcos e cenografia do festival, era praticamente toda feita de materiais reciclados e orgânicos.

Se liga no recado

Havia também um número gigantesco de famílias brincando com seus filhos. A produção chegou a montar uma piscina de lama para a molecada brincar.

Isso não é um comercial do OMO. É vida real

Havia workshops para aprender a fermentar bebidas, caligrafia, permacultura, cerâmica, além de dezenas de opções de yoga, massagens, meditação e terapias alternativas; palestras sobre diversidade, sustentabilidade e o futuro das cidades; enfim… a sensação que dava é de que o espírito hippie da geração Woodstock está mais vivo que nunca.

Yoga de todos os tipos para todos os gostos

Banquete Dos Deuses

Além da culinária tailandesa, havia opções de refeições de praticamente todos os tipos no festival. Os preços variavam de 150 baths (R$ 20,00, um espeto carne na brasa com milho e purê de batata) a 900 baths (R$ 120,00, uma paella espanhola gourmet, preparada ali na sua frente). Tudo delicioso.

Vai um churrasquinho de lula aí?

No sábado, tivemos a felicidade de participar do Wonder Feast, uma experiência de banquete com um renomado chef local. Foi uma orgia gastronômica e – sem dúvida – uma das top 3 refeições que tive em toda minha vida.

O menu do Wonder Feast (um dos 6 que rolaram no evento)

Assinada pelo chef Prin de Samrub, dono do restaurante Nam, primeiro tailandês a receber uma estrela Michelin, a experiência durou cerca de 2 horas e meia.

Ostra grelhada e pra lá de apimentada

Da entrada à sobremesa, foram 11 pratos. A marca registrada do chef é usar a churrasqueira seguindo a tradição de seus antepassados. Tudo se come a mão e a comida é apresentada em folhas de bananeira.

Nós e o Chef Prin de Samrub

Difícil foi arrumar disposição para dançar depois. Felizmente, duas tendas de drinks salvaram a vida: uma de nitro café (que deveria rolar em qualquer festival!) e outra de drinks orgânicos e fermentados que não só virou minha parada obrigatória durante todo o festival, como no final ainda acabei ganhando drinks de graça só porque virei “cliente fiel” (aka cachaceiro).

Os melhores drinks do Wonderfruit!

Não conheço staff de festa mais simpático e educado que na Tailândia. Só vale um cuidado… eles sorriem e respondem “sim” pra tudo, mas isso não significa que tenham te entendido. 😉

Diversidade na Música Também, Obrigado!

Não tem nada que me irrite mais hoje em dia que ir num festival que só toca um tipo de música. Felizmente, a diversidade também se fez presente na paleta sonora do Wonderfruit.

Havia 6 palcos (produzidos pelo festival – entenda mais logo abaixo):

  • Living Stage: palco de shows ao vivo, por onde passaram o Roots Manuva (hip-hop), Wild Beasts (indie rock), Khurangbin (psych rock) e Chronixx (reggae)
  • The Quarry: palco do after, voltado ao techno e house. Recebeu Gui Boratto, Richie Hawtin e Craig Richards.
  • Solar Stage: palco de shows e DJ sets variados, do RnB à cúmbia eletrônica. A proposta do palco era apresentar shows durante a passagem do sol. Antes de anoitecer e ao amanhecer.
  • Shack Fruit: uma pistinha, quase escondida, abrigada dentro de uma construção como se fosse uma muralha. Rolavam shows mais experimentais e clima chillout.
  • Forbidden Fruit: a pistinha underground, com sons disco e house, onde o Wolf+Lamb apresentou seu novo projeto (Crew Love Takeover) e onde rolou também um show de drags (About a Boy Drasical).
  • Molam Bus: um ônibus como o palco rural do festival recifense Coquetel Molotov, onde apresentaram-se artistas locais da cena Molam, uma espécie de música popular psicodélica produzida na Tailândia desde o século 17 e que vem sendo redescoberta graças aos hipsters e à internet (leia este maravilhoso artigo da Thump para entender)

All Thidsa, uma das
ótimas banda que passaram pelo Molam Bus

Além dos palcos, alguns bares e patrocinadores trouxeram seus próprios DJs e shows. Ou seja… numa contagem rápida havia pelo menos umas 15 pistas!

Tipo Burning Man, só que no mundo invertido

Sabe aquele festival que todo lugar que você passa, tá rolando um som diferente e que te dá vontade de ficar ali mais um pouquinho? Foi assim. Só que ainda melhor. Adorei conhecer a banda de electro-pop e french house Cyndi Seui, de Bangkok. E também fiquei DE CARA com a Little Ale, uma mina da Indonésia de 7 anos que botou a pista abaixo mixando tech-house com Brazilian Bass (isso mesmo que você leu).

Se liga Alok e Vintage… Little Ale é a nova geração!

O mais bacana do festival foi ver palcos descentralizados, de médio a pequeno porte. Os único gigantes eram o The Quarry e o Living Stage. Fiquei encantadíssimo com a riqueza de detalhes, com a preocupação ambiental e conforto entre uma pista e outra.

Khruangbin no Living Stage foi um showzão!

Cameras Ready, Prepare The Flash

Prometi que iria parar por aqui, mas preciso fazer este comentário: quanto estilo, gente linda e educada. O público do Wonderfruit tem uma pegada fashionista… Fica ali entre o Meca, Coachella e Burning Man.

Gente linda, elegante e sincera

Montação é a palavra de ordem. Muita purpurina, glitter, paetês e penas (“apropriação cultural” aqui ninguém nunca ouviu falar).

As drags tombaram!

Havia uma galera fazendo book lá dentro, sim… Mas em nenhum momento isso incomodava demais, afinal… havia muito mais coisa para prestar atenção que as selfies da galera.

Regra pra vir ao Wonderfruit: muita luz e brilho

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Valeu a pena e o Wonderfruit já entrou na minha listinha pessoal dos 10 melhores festivais do mundo. Farei de tudo para voltar em 2018.

O que eu quero… é sossego!