28 de março de 2016/POR Franklin Costa

* colaboraram para este post Rodrigo Rodriguez e Raul Aragão, do coletivo I Hate Flash

Entre os dias 18 e 20 de março, Miami recebeu pelo 19º ano consecutivo o Ultra Music Festival.

Além de ser o maior festival de dance music itinerante do mundo – a turnê 2016 está prevista para acontecer em 21 cidades em 19 países, incluindo o Brasil – o Ultra ainda é um dos poucos “mega-festivais independentes”, ou seja, não pertence a um grupo de investidores como a SFX, ainda dona dos direitos do Tomorrowland, ou a Live Nation, uma das gestoras do Electric Daisy Carnival (ao lado da Insomniac).

Foto: Raul Aragão - I Hate Flash

Foto: Raul Aragão – I Hate Flash

A convite da produção do Ultra, fui lá para entender o segredo da longevidade do festival e o que podemos esperar para a sua primeira edição no Rio de Janeiro, nos dias 14 e 15 de outubro (update: a pre-venda de ingressos começa dia 12/04 e só consegue comprar quem se registrar no site, clique aqui)

Palcos Que Parecem Ter Saídos de um Filme de Ficção Científica

O Ultra apresentou os palcos mais inovadores, tecnológicos e impressionantes que já vi em um festival.

É inevitável comparar o mainstage do Tomorrowland com o do Ultra. Enquanto o primeiro é pensado dentro de um tema, investindo pesado no aspecto lúdico da história a ser contada (Book of Wisdom, Key of Happiness etc), no Ultra o que espanta é o uso ostensivo da tecnologia.

Foto: Raul Aragão - I Hate Flash

Foto: Raul Aragão – I Hate Flash

Havia 7 pistas (stages) espalhadas pelo festival. Destes, 3 apresentavam palcos que eram um show à parte:

Ultra Main Stage

Foto: Raul Aragão - I Hate Flash

Foto: Raul Aragão – I Hate Flash

Sabe aqueles filmes em que uma nave de outro espaço aterrissa na Terra, monta uma base e todas as pessoas começam a circular em volta, de boca aberta, tentando entender o que estão vendo? Então, esta é a impressão que você fica depois de chegar no Ultra Main Stage. Um verdadeiro show de luzes, lasers, leds e projeções, tudo em sincronia com um dos mais potentes sound systems deste (?) mundo.

Carl Cox & Friends

Foto: Raul Aragão - I Hate Flash

Foto: Raul Aragão – I Hate Flash

Para a nossa alegria, o papa do techno foi um dos primeiros headliners confirmados para a primeira edição do Ultra Brasil. Seu stage é um verdadeiro mega-club, um templo às batidas 4X4, com direito a projeções nas laterais e no teto – que desce no meio da galera (!!!).

Resistance Powerade by Arcadia

Foto: Raul Aragão - I Hate Flash

Foto: Raul Aragão – I Hate Flash

Literalmente uma “aranha mecânica”, onde o DJ toca numa espécie de capsula de vidro ao centro, erguido há mais ou menos uns 5 metros de altura do público. Todos os dias, pela noite, uma trupe de artistas circenses fazia um show especial neste stage, incluindo explosões de fogos, lazer e acrobacias. Neste palco tocaram os nomes mais underground do festival como Dubfire, Sasha, Maceo Plex, Jamie Jones, Skream, Jackmaster e Hot Since 82.

Um Festival Para Curtir o Pôr do Sol

Estes são os horários do Ultra Miami:

   . Sexta-feira, das 16h à meia-noite

   . Sábado, do meio-dia à meia-noite

   . Domingo, do meio-dia às 23h  

Dia

Foto: Raul Aragão – I Hate Flash

O festival acontece a maior parte do tempo pela manhã e isso tem tudo a ver com Miami, uma cidade ensolarada conhecida pelas suas praias (e compras). O festival tem uma pegada 100% dia e o dress code segue o melhor estilo spring break, incluindo camisetas coloridas, bonés e viseiras, maiôs e biquínis estampados, óculos escuros espelhados, missangas e tênis confortáveis.

Foto: Raul Aragão - I Hate Flash

Foto: Raul Aragão – I Hate Flash

Foto: Raul Aragão - I Hate Flash

Foto: Raul Aragão – I Hate Flash

Foto: Raul Aragão - I Hate Flash

Foto: Raul Aragão – I Hate Flash

O fato do Ultra terminar cedo também ajuda a encara-lo por 3 dias seguidos numa boa. Para os mais agitados, diversos clubs da cidade complementam o after-hours do festival com top DJs varando a madrugada.

Mais um ponto positivo, tudo a ver com o clima baleárico que esperamos ver em Outubro no Rio de Janeiro.

Nem Fazenda, Nem Autódromo… Um Festival de Cara pro Mar

O Ultra acontece num parque chamado Bayfront, bem no centro comercial de Miami. Assim como o Parque do Flamengo, anunciado pela produção do Ultra Brasil, o Bayfront fica colado em uma Marina, onde são atracados iates e barcos de todos os tipos e tamanhos.

O lugar do Ultra é um dos mais únicos que já vi um festival acontecer. As pessoas ficam sentadas nas pedras da Marina, parte do backstage do festival rola literalmente numa mini-praia e o escritório da produção do festival e da sala de imprensa fica dentro de um mega-iate ancorado ali perto.

Barco onde fica a sala de imprensa e parte da produção (Foto Divulgação)

Barco onde fica a sala de imprensa e parte da produção (Foto Divulgação)

O Ultra de Miami não chega a ser um festival de praia, como o Universo Parallelo ou o Mareh (veja também em nosso Guia dos Festivais). Mas ele também nem de longe parece com os festivais urbanos como o Lollapalooza ou na fazenda, como o Tomorrowland.

Foto: Raul Aragão - I Hate Flash

Foto: Raul Aragão – I Hate Flash

De fato, o Rio de Janeiro é a cidade que mais tem a ver com o clima e local do Ultra Miami. É uma mistura de litoral com cidade, embalado pela trilha sonora que vai do tropical house ao Trap, do EDM ao techno. Aquele clima tudo-junto-e-misturado, informal e sensual, a cara da Cidade Maravilhosa.

Um Festival Para os Fãs da Dance Music

Me surpreendeu positivamente o Ultra Live Stage, palco do festival dedicado aos shows ao vivo. Pude realizar o sonho de assistir ao live do Caribou, com direito a banda e um clima que – se fechasse os olhos por um segundo – mais parecia com o Circo Voador.

Caribou Live (Foto Divulgação)

Caribou Live (Foto Divulgação)

Embora com uma  estranha disposição – um anfiteatro a céu aberto, com bancos (fixados no chão) – fiquei impressionado com a recepção do público. Pensei que a maior parte dos shows ficaria vazio, mas isso só aconteceu nas primeiras horas do festival.

Icona Pop Live Stage (Foto: Divulgação)

Icona Pop Live Stage (Foto: Divulgação)

O Ultra não se limita ao EDM e Club Sounds, indo além da música eletrônica de pista. Por lá se apresentaram artistas do indie pop (Miike Snow, AlunaGeorge, Icona Pop, Purity Ring), R&B e folktronic (Chet Faker, Caribou, Tycho, Bob Moses), Dubstep (Nero, Destroid) e até electroclash (Peaches). O Mainstage encerrou-se no último dia de festival com o show do projeto de Drum’nBass Pendulum (+ Knife Party).

Enfim, vi ali um festival que dialoga com várias vertentes da dance music, música de pista, como preferir. Será que vai rolar uma vibe assim no Brasil também?

TOP 10 Ultra (Por Rodrigo Rodriguez)

O livestream do Ultra já é muito esperado e comentado pelos fãs de música eletrônica há anos em todo o mundo, pela qualidade da transmissão e diversidade das tendas que é exibida na programação. Por aqui, pude acompanhar online os três dias do festival e fazer uma análise do que foi mais tocado por lá.

Assisti a apresentações bem mais autorais do que em anos passados de muitos DJs, com alguns tocando praticamente apenas suas músicas, remixes e edits/re-edits em grande parte de seus sets. Isso confirma o fato de que para o futuro da música e do mercado de DJs, é fundamental o DJ começar a produzir para se destacar perante os outros e certamente para ser um headliner em grandes festivais. Se analisarmos todos eles não só no Ultra, mas em outros festivais, podemos ver que todos, sem exceção, têm algum hit consolidado no mercado.

Kaskade, Martin Garrix, Eric Prydz, Avicii e Tiesto por exemplo lançaram muitas músicas próprias novas no Ultra, que vão certamente entrar no mercado fonográfico esse ano e quem sabe serão os novos hits de 2016.

Abaixo, selecionei as 10 faixas que foram as mais tocadas no festival, segundo o que vi na transmissão online e nas listas dos sets dos DJs. Diferente de outros anos, a EDM não foi o carro chefe, dessa vez se alternando também com outros estilos como o trap, onde vi uma grande diversidade musical e de BPMs (batidas por minuto) por parte de muitos deles.

Muitos desses sets estão online para quem quiser assistir no Youtube, como do Martin Garrix (veja aqui).

X-Press – Promise Land

Essa faixa promete tocar bastante em 2016 e foi tocada por muitos, sim, muitos DJs.

Propaganda (Non de Strip & TJR Remix) – DJ Snake

A versão original tocou bastante também, mas os DJs de EDM tocaram mais esse remix.

Sandstorm – Darude

Um dos grandes clássicos da música eletrônica (de 2000), teve pequenos trechos tocados por muita gente como Don Diablo e Galantis.

Roses – The Chainsmokers

A primeira música da dupla The Chainsmokers que fugiu totalmente do estilo musical próprio deles e além de virar hit em rádios, Spotify e iTunes, está sendo muito tocada.

Mosh Pit – Flosstradamus

É impressionante como o duo Flosstradamus cresceu de um tempo pra cá, aparecendo em grandes festivais e se tornando querido por um público muito grande, fã de seu trabalho.

Hotline Bling – Drake

Todo mundo está tocando Hotline Bling e com trechos da versão original!

Make It Clap – BURNS

Uma faixa de 2015 que não é muito novidade pra ninguém, já foi exaustivamente tocada em outros festivais como Tomorrowland e EDC e apareceu bastante no Ultra esse ano.

Can’t Feel My Face (Martin Garrix Remix) – The Weeknd

Outro hit pop que predominou os sets dos DJs no remix de Martin Garrix.

Bumaye (Watch Out For This) – Major Lazer

Um hit antigo (de 2013), que por coincidência foi escutado em diversos sets.

Genghis Khan (Hook N Sling Remix) – Miike Snow

Uma das grandes promessas de 2016, Genghis Khan tem aparecido em muitos charts e nos podcasts de muitos DJs.