6 de maio de 2018/POR Franklin Costa

Os holandeses sabem como dar uma boa festa. No Brasil, no que diz respeito à música eletrônica, já somos velhos amigos de pista. A 1ª onda veio com a mega-festa-clubão Sensation, da produtora ID&T.

Sensation White – Divulgação

Esta mesma ID&T criou o Mysteryland, que acabou virando o principal laboratório de idéias para o nascimento do belga Tomorrowland. Quando chegou por aqui, o Tomorrowland já era uma sociedade entre belgas (fundadores), holandeses (da ID&T), americanos (da extinta SFX) e brasileiros (Plus network).

Grande demais para a realidade econômica Brasileira, a 2ª onda holandesa encerrou-se com a 2ª edição do Tomorrowland Brasil (para a tristeza de muitos, inclusive a do autor deste post).

Existiu amor em SP no Tomorrowland. Foto Renan Olivetti.

Felizmente, a 3ª onda chegou! Ao que tudo indica, pra ficar. Dekmantel, Milkshake e DGTL são 3 labels holandesas que realizam 2ª edições em 2018 em terra Brasilis (leia aqui o review do Dekmantel e o post Invasão Holandesa para saber mais).

O Que Faz do DGTL, o DGTL?

Se tem uma coisa que precisamos aprender com os gringos, é que eles não só estudam como põem em prática conceitos teóricos da administração e marketing. Por exemplo, você já ouviu falar em proposta única de valor? Dá um google, vale a pena.

Na prática, o DGTL busca se diferenciar através de alguns pilares:

1) Locação

Enquanto o Dekmantel rola pela manhã, em locais cercados de natureza, a proposta do DGTL é industrial, noite e madrugada a dentro. A escolha da Fábrica 619 não poderia ter sido melhor. Um complexo de galpões cobertos, com ótima acústica e muita proteção contra a chuva (coisa que os Holandeses estão bem acostumados) foi a cenografia perfeita para a proposta musical predominantemente voltada para o techno.

Fábrica 619 – Divulgação

2) Arte e tecnologia

High-tech, um verdadeiro show de mapping e light design. A ambientação assinada pelas irmàs Lumièrra e as intervenções artísticas do premiado Muti Randolph e Sala 28 davam um ar futurista às experiências imersivas de se aventurava entre os palcos Modular, Frequency e Generator.

Foto: Divulgação

Foto Divulgação

3) Performances

A fantasia, beleza, alegria e originalidade das performers Aisha Fikula, Elloanigena Onassis, Euvira, Ilunga Malanda, Loïc Koutana, Marquesa Amapola, Roberta Uiop, Rodrag, Transalien, Valença Keity, Valentina, Vola e Yala Yala. Menos carão e mais bafão, por favor.

Foto: Divulgação

4) Sustentabilidade

O DGTL já ganhou o renomado prêmio da entidade européia A Greener Festival pelo seu posicionamento sustentável. Nesta edição, nenhuma comida com carne foi vendida. Todas as ações do festival em prol da redução de emissão de CO2 encontram-se aqui.

Meu Copo – Projeto Pulso apóia!

Balanço Final

Fiquei positivamente impressionado com a estrutura, local, cenografia, performances, serviços dos bares e instalações artísticas. Banheiros, quase como sempre, deixaram a desejar.

Também havia muito mais gente que imaginei encontrar. Talvez, por isso mesmo, faltou à produção um cuidado maior com a pista Frequency. A única pista a céu aberto acabou virando um curralzinho, visivelmente subdimensionada para a quantidade de pessoas que por ali circulavam. Por ser open air, o som desta pista também aparentava estar mais baixo que nas demais. Por vezes, vazava o som da pista Modular (e vice-versa).

Em alguns momentos, senti que o som das pistas internas estavam altos demais. Sustentabilidade não é só meio-ambiente. Passa também pela redução de danos, que envolve a audição, DSTs, álcool e drogas. Fica a dica para a produção se inspirar no trabalho do festival Nuit Sonores, na França, um dos mais parecidos com a proposta do DGTL (leia aqui o review). Eles distribuem protetores de ouvido,  camisinhas (masculina e femininas), além de folhetos educativos para interessados.

Por fim, embora no site oficial esteja descrito que “uma das diferenças entre o DGTL e outros eventos do tipo é a sua programação equilibrada”, na prática isso pode evoluir para as próximas edições. As únicas atrações que vi saírem da linha club-techno-caverna foram o Prins Thomas & Gerd Janson, que transitaram entre a space disco e a tech-house, e a (maravilhosa!) Honey Dijon, que fez um set impecável mantendo a tradição da house de Chicago (confira parte de sua apresentação na fanpage do festival).

Ao fim destes dois sets, um mar de pessoas transitava entre as pistas tentando encontrar algum tipo de vida nos tons de cinza que tocava em todas as pistas. Não deu pra mim e pra muitos que vi sairem do festival neste horário.

Apesar destas críticas, o evento foi um sucesso! Por aqui, desejamos longa vida ao DGTL São Paulo. Que os novos holandeses te possam curtir numa boa.