16 de abril de 2019/POR Diego Moretto

Acompanhamos o Lollapalooza Brasil desde a sua primeira edição, lá em meados de 2012. De lá pra cá, muita coisa mudou, fato. O festival cresceu, tomou novos espaços, conquistou novos públicos e se faz necessário no calendário nacional de eventos.

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O LollaBr2019 ocupou o primeiro final de semana de abril, novamente com três dias de festa, dezenas de artistas nacionais e internacionais, e muitas (mas muitas) ativações.

Além do nosso review oficial, separamos 10 fatos incontestáveis dessa edição mas que já estão cada vez mais inseridos no DNA do festival. Então se você já planeja ir ao Lolla2020, confira abaixo o que te espera:

  1. Line up com essência Lollapalooza

Sempre foi contraditória a discrepância do line up da edição Brasil com a original, em Chicago. Por lá, o investimento em artistas locais e de gêneros além do indie pop (como o hip hop e o jazz), atrai diversos tipos de público e cria um leque de opções que esperamos de um festival. Demorou, já levantamos essa bola aqui, mas parece que agora foi. Bandas e artistas de gêneros variados, nacionais e internacionais cada vez mais em igual sintonia. Isso se reflete no público presente.

  1.  Público cada vez mais diverso

Um line up variado é espelho para o público que vai consumir. Apesar da fama (justa) de elitista, a diversidade se mantém fiel em seu público. O estilo dá o tom e o respeito faz a diferença. São minas, manos e monas, todos juntos curtindo e celebrando a juventude que corre em suas veias – indiferente qual seja a sua idade.

  1. Não foi flop, mas também não foi sold out

Esta edição foi a primeira, em anos, em que não foi anunciada a venda total de ingressos. Nenhum dia esgotou. Mas também não foi nenhum mico. Segundo os organizadores, em todos os dias, o número total de pessoas ultrapassou os 60 mil. Mas vamos combinar: quando mencionei ali em cima que o Lolla Br é um festival elitista, me referia quase que unicamente ao preço dos seus ingressos. Valores dentro do festival também não são acessíveis, mas não fogem do preço que é cobrado nos outros eventos daqui do Brasil.  O contraponto é a quantidade de apoios e parcerias com marcas, que poderiam contribuir para um preço justo no ingresso – mas parece que o efeito é justamente o contrário.

  1. Você vai andar MUITO. E tá tudo bem 🙂

Pois é, se existe uma reclamação que não podemos mais fazer é sobre as distâncias entre palcos e etc. O Lollapalooza Brasil acontece em um autódromo. São três palcos principais – fora outras áreas menores. É um festival, então o som de um palco não pode interferir no outro e assim vai. Fora o volume de pessoas que o frequentam. As distâncias são sim longas, mas qual festival desse porte não “sofre” do mesmo problema?

  1. O Lolla que o hip hop foi headliner

Estamos batendo na mesma tecla? Talvez. Mas é uma grande vitória do festival ter um astro como o rapper Kendrick Lamar como o seu headliner. Seria totalmente justificável que esse dia seria sold out, mas aqui certamente o preço alto dos ingressos contribuiu para o contrário. Se logo acima eu elogiei a diversidade de pessoas presentes no festival, no Kendrick apostava que seria um levante, um climax de diferentes tribos dançando a cada batida do artista. Mas não foi bem assim. Quanto ao show, impecável! 

  1. Lolla, não esqueça nunca que você está na “cidade da garoa”

Como bem falamos no nosso review, problemas meteorológicos são o pesadelo de qualquer festival. Pois no segundo dia dessa edição, uma forte chuva tomou conta de São Paulo e o festival parou as atividades por cerca de 2 horas. Shows foram cancelados, rolou muito barro e pouca proteção. A preocupação do festival com o seu público foi nítida, mesmo que as soluções de imediatismo não tenham sido ideais. O plano B para emergências como essa, deve ser traçado antes mesmo de o festival abrir. 

  1. Tribalistas deu muito certo!

A escalação do projeto de música nacional como headliner fez muitos torcerem o nariz. A alegação foi que não seriam grandes o suficiente para assumir o posto. Mas vamos pular essa ignorância (os Tribalistas existem desde o começo dos anos 2000). O que vale louvar é a escolha de uma banda nacional no topo da pirâmide do line up. E, ao contrário do que muitas apostaram, foi um sucesso! Válido também ressaltar a maciça presença de artistas brasileiros no Lollapalooza 2019. Que essa tendência seja uma realidade para as outras edições. O que foi o furacão Iza?

  1. Um shopping de ativações

Assim como no Rock in Rio, o Lollapalooza já entendeu que parcerias com grandes marcas só enriquecem o festival. Nesta edição tivemos ativações incríveis e que engrandeceu bastante a experiência dos frequentadores. O open bar de água oferecido pelo Bradesco foi it. Os desodorantes-free da Axe salvaram uma galera. A roda-gigante da Samsung brilhou. E os QGs da Budweiser e da Adidas marcaram a edição. Tiveram inúmeras outras ativações bacanas, mas o problema das filas persiste e é uma realidade.

  1. Infra cada vez mais ideal

É notável a preocupação do Lollapalooza com a sua infraestrutura. Filas existiram, mas não foi nenhum drama. Tanto para comprar fichas quanto para ir aos banheiros, tudo fluia. A limpeza desses banheiros pecou um pouco, mas também não ficou imundo. Tinham tantas ativações, poderiam ter mais ações sustentáveis envolvendo reciclagem, por exemplo. O tormento na saída segue menor do que nos anos anteriores, mas ainda existe. E quem se prepara para curtir o Lolla com antecedência, passa menos perrengue dos que optaram por fazer o caminho das pedras. No final, tudo é planejamento. Ainda podemos melhorar? Bastante. Mas só em diminuir os problemas de outras edições, merece um crédito. Chuvas ainda são o pesadelo do festival, que acontece na chuvosa São Paulo. Se é algo irremediável, vamos colocar como pauta prioritária para os próximos? Obrigado.

  1. O Lollapalooza Brasil é foda!

O Lollapalooza já faz parte do calendário de eventos do país, isso é inegável. A cada edição, sentimos que o festival está ficando cada vez mais com a cara dos brasileiros. Diversificado, abrangente e receptivo com todas as tribos. Ainda bato na tecla do elitismo, mas uma boa estratégia pode driblar isso. No mais, é um planejamento anual, tanto de quem vai, como de quem organiza. As parcerias são pertinentes e bem vindas. Nunca será perfeito, assim como nada é. Mas só em montar um evento pensando em seu público, já é uma grande vitória. Até 2020!

Fotos: http://ihateflash.net