9 de abril de 2019/POR Franklin Costa

Cobrimos o Lollapalooza desde 2015, ano em que lançamos o Projeto Pulso (veja os reviews de 2015, 2016, 2017 e 2018). A edição de 2019 foi marcado por uma nuvem negra que cobriu o autódromo durante o último fim de semana (literalmente).

Foto: Matheus Dantas

Enquanto apaixonadxs por festivais, comemoramos e criticamos cada anúncio de lineup do Lolla. Vibramos quando o festival anunciou seu 3º dia em 2017. Defendemos com unhas e dentes a curadoria artística quando anunciou os Tribalistas como headliners (tem que vir um festival gringo para cá pra nos ensinar a ter orgulho de nossa própria música?).

Por fim, nos sentimos contentes em saber que o evento bateu recorde de patrocínios e apoios nesta última edição. Afinal, quanto mais investimentos de marcas em festivais, mais podemos esperar deles. Certo?

Mais ou menos…

Lollapalooza Brasil 2019: o festival com as melhores ativações de marcas

Chegando no Lollapalooza 2019, que impressão positiva! Nunca estivemos em um festival nacional com ativações de marcas tão atraentes.

Foi difícil escolher uma favorita.

Bradesco distribuindo águas gratuitas? Fini surpreendendo com uma bela casa de janelas coloridas e ambientes instagramáveis? O bar temático vestido como um jardim iluminado do Tanqueray? A nova roda gigante da SamsungVivo assinando com muito estilo o Lolla Lounge? Coca-cola estreando como apoiadora, caprichando nas projeções? Ônix oferecendo tatuagens no Lolla Lounge e chamando atenção de longe com um telão do outro lado do festival? Doritos, mais uma vez dominando o palco Perry’s, com um lounge em forma de pirâmide iluminado por leds para fãs (1º andar) e influencers (2º andar)?

Bradesco distribuindo água pra galera, mandou bem!

Sem dúvida, foi o ano em que não só as marcas estiveram mais presentes no Lolla, como também apresentaram mais propostas criativas em suas ativações.

Sim, foi difícil escolher uma favorita. Mas também é difícil negar que 2019 foi o ano da Adidas no Lollapalooza.

É duro para as demais marcas competir com a Adidas. Primeiro, é uma marca de moda e estilo de vida, amada por muitos. Segundo, em um festival em que o público capricha no look, ter um palco assinado pela marca funciona quase como que um convite subliminar para que as pessoas saiam de casa com pelo menos uma peça com as três listras. E foi o que aconteceu.

Foto: @dudabeat

Mas não foi só por isso (e assim) que a Adidas se destacou. A marca deu camisas de graça e personalizadas ao vivo no Lolla Market. Ela literalmente “vestiu a produção” do festival (foram 500 kits, incluindo camisas e tênis, para o staff do Lolla).

Por fim, e mais importante: a Adidas soube contar uma história durante o festival.

Patrocinaram um palco com atrações como Jorja Smith (nossa favorita), Letrux (wow!), Iza (diva) e St. Vincent (musa) – o palco mais Girl Power do Lollapalooza 2019 – além de criarem os espaços temáticos Nite Station, onde era possível entrar em uma estação de trem abandonada, comprar produtos da marca, participar de experiências imersivas e ainda ter seu tênis limpo (desde que fosse um Adidas, claro).

Nite Station da Adidas

Infelizmente, a chuva de sábado atrapalhou boa parte das ativações. Voltemos à primeira parte deste review.

Raios, chuvas e uma tensa gestão de crise

O pior pesadelo de qualquer festival é quando o tempo não colabora.

É mais normal que parece ver eventos, shows ou mesmo festivais inteiros cancelados por causa de condições climáticas adversas. Foi o caso do Lollapalooza Chicago 2018, que cancelou o último dia em função de uma tempestade de ventos (em 2017, cancelaram diversos shows no 1º dia). Exatamente a mesma coisa aconteceu em 2018 no Lollapalooza Argentina. Tomorrowland, Glastonbury e diversos outros festivais já passaram por situação semelhante.   

Felizmente, por aqui, não houve o cancelamento de um dia inteiro. Os shows do Rashid e Silva foram cancelados no sábado pela produção do festival, mas remarcados pela Budweiser para a quarta-feira, dia 09. Chemical Surf e Dubdogz também foram cancelados, mas se apresentaram no domingo. O show de Lany foi encerrado após e primeira música e do Gryffing interrompido cerca de 15 minutos antes do seu final.

Rashid no palco – Foto: Divulgação

Seguindo procedimentos padrões para evitar acidentes em caso de raios, a produção do Lollapalooza foi ágil em comandar o afastamento das pessoas das grades. Mas a velocidade das informações entre quem estava dentro e do lado de fora do festival, somado ao pânico criado nas redes sociais, não foi suficiente.

Enquanto isso, no Twitter…

Informações desencontradas geraram tumulto e confusão em quem tentava sair e entrar no festival. Houve quem saísse e não conseguisse mais retornar. Também teve quem fosse informado que o festival seria cancelado, retornando para casa, só para saber mais tarde que os portões voltaram a abrir.

Nas redes sociais, há uma mistura de críticas e elogios. A primeira, de quem recebeu as informações enganosas e acabou se dando mal por isso. A segunda, de quem teve paciência para esperar o pronunciamento do presidente da T4F ao vivo no canal Multishow, informando que tudo deveria se normalizar em uma hora.

Ficou claro que houve um gargalo de comunicação dentro da própria produção. Por outro lado, também acompanhamos pelo twitter e canais oficiais que todos os procedimentos padrões estavam sendo seguidos. Apesar do tumulto e confusão , o festival voltou à ativa normalmente depois que o perigo da tempestade de raios passou.  

Apagões e falhas básicas de produção

Na sexta-feira, 1ª dia do festival, as apresentações no Palco Perry’s By Doritos foram interrompidas 4 vezes com apagões. O problema com os geradores do festival também atingiu o Lolla Lounge, a área VIP do festival.

Também, nesta mesma sexta-feira, acabou a água nos banheiros femininos do Lolla Lounge. A operação de limpeza dos banheiros deixou a desejar.

Mesmo com um simpático aviso fixado em todos os banheiros do festival (abaixo), a operação de vans que transportava o público entre o Lollapalooza e o shopping Market Place foi bastante lenta e com muitas filas. É preciso rever essa operação de logística para os próximos anos.

São problemas muito básicos, difíceis de entender, em um festival que apresentou muitas falhas em 2017, acertou a mão em 2018 e voltou a dar um passo atrás neste ano. Especialmente na área VIP do festival, cujos ingressos chegaram a custar R$ 3.450,00.

Uma novidade do bem!

Nosso colunista Pedro Américo, do canal Mais uma Rodada, mostrou um lado do festival muito bacana:

“As ações de acessibilidade tiveram duas boas novidades em 2019. A começar pelas áreas reservadas para PCDs (Pessoas com Deficiência), que foram reposicionadas e ampliadas, criando espaços seguros, confortáveis e de muito boa visão dos palcos. Mas o que mais chamou a atenção foi o “PCD Experience”, promovido pela LIVRE®, disponibilizando o Kit LIVRE® para quem precisasse daquela força na locomoção dentro do festival. Esse kit é um equipamento motorizado que é acoplado à cadeira de rodas e possui a função de transforma-la num Triciclo Motorizado Elétrico. Para poder usar o equipamento era necessário fazer um cadastro simples com dados pessoais e também assinar um termo de responsabilidade e zelo pelo Kit. Convenhamos, pelas distâncias no autódromo essa ação foi uma verdadeira “mão na roda”, ou melhor, “motor na roda”.”

Fabíola curtindo o Lolla com o Kit LIVRE®. Foto: Bruno Sores

Balanço final

No domingo, optei por não ir ao festival e assistir ao festival pelo canal Multishow (damn, Kendrick! Que #epicfail não permitir a transmissão do seu show!).

Fiquei emocionado ao ver os fãs colados na grade cantando músicas como se não houvesse amanhã. Um menino com sua namoradinha do lado, ambos vestindo sutiãs, dando um beijinho na boca. Outros novinhxs chorando de êxtase ao ver seus ídolos de perto. E lembrei que um dia tive essa idade, passava todos esses perrengues e voltava acabado mas feliz da vida para casa.

No final das contas, o Lollapalooza mais uma vez apresentou shows de altíssima qualidade, as marcas capricharam em suas ativações e – como todo bom festival – apresentou tantas experiências que nem consegui ir em todas (como o Chef Stage e Planeta Lolla).

Sim, é preciso revisar as falhas básicas de produção. E sim, a gestão de crise do sábado não foi tão eficiente como poderia ter sido. Mas essas são questões para 2020. Até lá, seguimos a torcendo para o festival continue nos surpreendendo positivamente.

Sem tempestade de raios, preferencialmente… 😉