Review: A Inesquecível Experiência do Desert Trip 2016 - Pulso

Review: A Inesquecível Experiência do Desert Trip 2016

A primeira impressão que tive ao chegar em Indio, cidade mundialmente famosa por abrigar o Coachella – e agora o Desert Trip – é de que eu estava no lugar errado! Não havia nenhum banner, placa, direções. Nos viramos com o GPS e com o conhecimento do Tony, motorista do Uber que nos levou para a cidade por um preço bem camarada.

Créditos: Facebook oficial do Desert Trip
Créditos: Facebook oficial

Depois de finalmente encontrarmos o tal do Empire Polo Club, descobrimos que deveríamos ter retirado nossas credenciais de acampamento antes de chegarmos lá. Tudo bem, faz sentido… mas achávamos que o lugar de retirada era próximo – que engano! Já havíamos passado do tal credenciamento há 20 minutos (para ser sincera, não achamos nada ruim: o preço já estava combinado e ficar 40 minutos a mais num carro com ar condicionado parecia uma ótima ideia).

Créditos: Facebook oficial
Créditos: Facebook oficial

Chegando no Empire, dessa vez munidas de credenciais, entramos! Fomos o número #16 a acessar o Tent Camping e havia um carrinho que levava nossas bagagens até nosso espaço. O acampamento estava bem vazio e logo começamos a armar nossa casinha para os próximos dias.

Estrutura do Camping

O acampamento do Desert Trip ficava bem longe da entrada do evento e era dividido em Tent Camping e Car Camping, com a única diferença de que um tinha um espaço para você guardar um carro e o outro não. O espaço era todo dividido para acomodar as barracas de forma confortável – o que eu achei ótimo, pensei que deveria chegar cedo para não ficar em um amontoado de barracas.

Créditos: Facebook oficial
Créditos: Facebook oficial

Tínhamos acesso livre aos banheiros químicos, caminhões-banheiros com descarga e ar-condicionado, e outros caminhões-banheiro onde ficavam os chuveiros (que possuía água quente e pressão maravilhosa). Todos eram separados em masculino, feminino e sem gênero e eram higienizados O TEMPO TODO.

Não faço ideia de como a logística de quantidade de pessoas/quantidade de banheiros foi calculada, mas foi muito bem feita: não enfrentei fila em nenhum dia!

O próprio evento divulgou que água e gelo no camping eram de graça. Pois bem, o sacão de gelo custava U$10. Já a água… bem, ela era de graça. Mas o que ninguém nos contou é de que o bebedouro, equipado com 5 torneiras para matar a sede de quem passa o dia inteiro no deserto, possuía um galão de armazenamento que ficava no sol. NO SOL! Aquela água saía queimando e nos permitiu almoçar todos os dias: fazíamos Cup Noodles ali mesmo.

Créditos: Facebook oficial
Créditos: Facebook oficial

Nossa sorte é que, logo no primeiro dia, conhecemos um senhor que trabalhava no evento e disse que sempre que desejássemos, poderíamos pedir água fresca nos pontos de informação do camping. Aquela água era destinada apenas aos funcionários, mas a lógica dele fez sentido: ninguém quer outra pessoa desidratando de calor enquanto você possui um cooler cheio de água. Pegamos mais de 10 garrafinhas por dia \o/

As pessoas também eram bem tranquilas e solícitas. Precisamos de bomba de ar para encher o colchão todas as noites e alguém sempre nos emprestava ou nos ajudava a encontrar quem tivesse. Nos decepcionamos um pouco com o tal “frio” da noite do deserto, pois não era nada demais… mas o calor superou todas as expectativas! Independentemente da hora que tínhamos ido dormir, acordar por volta das 7h30 era natural: a estufa criada em nossa barraca com o sol nascendo não permitia sono da beleza (ou qualquer tipo de sono).

Créditos: Facebook oficial
Créditos: Facebook oficial

Primeiro Dia

Fomos conhecer o chamado Camping Center, que ficava uns 5 minutos da nossa barraca. Lá foi onde acabamos passando a maior parte dos nossos dias, pois haviam atividades como sinuca humana, guerra de balão d’água, ping-pong, totó humano, sala de jogos arcade, um casino (a galera da Califórnia pira num casino!), espaço coberto com aulas de yoga e pilates, lojas de merchan, um mini supermercado, restaurantes, área de free wi-fi e espaço para galera carregar as baterias.

Créditos: Facebook oficial
Créditos: Facebook oficial

Depois de reconhecer o terreno ~do paraíso~ , nos preparamos para a festa que ocorreria no Camping Center. A festa começava por volta das 20h, mas só ficava cheia a partir das 23h. Uma curiosidade foi que a balada acontecia em uma tenda aberta ao lado do RV Camping, local onde trailers mega equipados ficavam estacionados, e se chamava Silent Disco. Headphones eram distribuídos na entrada da tenda e a balada acontecia apenas nos fones mesmo, o que eu achei demais! Essa festa aconteceu durante todo o período do festival, garantindo a diversão da galera até de manhã.

Créditos: Facebook oficial
Créditos: Facebook oficial

Segundo Dia

style=”text-align: left;”>O Desert Trip começou mesmo na sexta-feira e nós chegamos ao festival por volta das 16h. Esse horário era mais tranquilo pois o sol já estava mais baixo, permitindo uma locomoção menos penosa, e a fila dos apressados já tinha passado. Como muitos já sabem, o Desert não funcionou como um festival comum. Estava mais para um espaço aberto “fantasiado” de estádio, pois haviam acessos e ingressos distintos. Ficamos no chamado General Admission, o ingresso mais barato (o que não significa que não foi caro!), e essa área era separada por GA de pé e GA sentado, onde as pessoas chegavam cedo com suas próprias cadeiras e acabavam montando, elas mesmas, uma espécie de auditório. Eu adorei essa liberdade, apesar de não entender quem consegue assistir shows dos mitos do rock sentado.

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Créditos: Facebook oficial

Antes de irmos para o GA, conhecemos a estrutura do evento e tomamos uma cerveja artesanal de $13 na área de Craft Beer. Tudo ali era bem caro, mas a cerveja gelada naquele calor se tornou um ritual indispensável. Visitamos a loja de vinis, que possuía alguns exemplares raros das bandas do evento e de outras, passamos na porta da “Experiência Culinária” (só na porta mesmo, a entrada era $250 por pessoa!) e pensamos em dar uma volta na roda-gigante, mas deixamos para depois pois o show do Bob Dylan estava prestes a começar.

Os Shows

O show do Dylan, na minha opinião, foi decepcionante. Não entrarei em detalhes do set list, mas o recém Nobel não se apresentou nem deu tchau para a platéia, tocou apenas piano, ficou de lado durante toda a apresentação, não tocou grandes sucessos (como “I Want You”, “Blowing in the Wind”, “Mr. Tambourine Man”, “Lay Lady Lay”) e a transmissão pelo telão só filmava de cima e em preto e branco.

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Com muito medo do resto dos outros shows, os Rolling Stones vieram para me lembrar que eu estava no maior festival de rock da história e não fizeram por menos. Tocaram todos os grandes sucessos e nos deixaram pilhadas do início ao fim!

O segundo dia estava balanceado, para mim, da forma ideal: Neil Young, que eu não conhecia muito, e Paul McCartney, que eu conheço até demais.

O show do Neil foi espetacular, com efeitos especiais naturais (como uma lua cheia de cinema enquanto rolava “Haverst Moon”) e distribuição de sementes pelo próprio em manifestação às leis que impedem que sementes sejam espalhadas sem controle governamental. O cara estava tão à vontade e se dedicando tanto que atrasou o show em quase 40 minutos! Mas isso não reduziu o show do Macca (graças!).

Créditos: Facebook oficial
Créditos: Facebook oficial

Ele abriu com o clássico “A Hard Days Night” e fez uma apresentação digna de Sir. A surpresa veio quando a “Rainha de Barbados” – palavras do próprio Paul – , Rihanna, apareceu para um dueto histórico de “FourFive Seconds”, música feita em parceria do Paul, Riri e Kanye West (quem diria, não é mesmo?).

As surpresas não pararam por aí: Neil Young voltou ao palco (falei que ele estava empolgado!) e tocou “Give Peace a Chance”, “A Day In The Life” e “Why Don’t We Do it in the Road” junto com o Paul. Foi inesquecível!

Créditos: Facebook oficial
Créditos: Facebook oficial

Quando a gente acha que já passou muita emoção e que a memória já está cheia de história para contar, vieram as bombas do terceiro dia: The Who e Roger Fucking Waters. Eu nunca esperei ver Roger Daltrey e Pete Townshend ao vivo, mas foi melhor do que eu poderia sonhar. Esbanjaram simpatia, carisma, fôlego e talento em um show de quase duas horas (até hoje arrepio lembrando dos primeiros acordes de Baba O’Riley enquanto corria de volta para onde meus amigos estavam).

Créditos: Facebook oficial
Créditos: Facebook oficial

 

Roger Waters é um show à parte, com todos os efeitos especiais e toda a experiência sonora que Pink Floyd proporciona. Visualmente, é de chorar (não sabia se de emoção ou se porque o show dele significava que o Desert estava acabando). O próprio Pink Floyd era conhecido por levantar questões políticas e polêmicas em seus discos e shows, e Waters não perdeu essa essência: durante “Pigs (Three Different Ones)”, o telão passava declarações ~estúpidas~ inacreditáveis de Donald Trump, juntamente com montagens do mesmo em situações ridículas.

Créditos: Facebook oficial
Créditos: Facebook oficial

Enquanto a música rolava, um porco de ar gigante passeava na plateia carregando mensagens de repúdio à figura de Trump e pedindo pela união dos americanos. Foi foda, e os brasileiros presentes não perderam a oportunidade de fazer a própria manifestação gritando “Fora Temer”! O prisma de “Dark Side of The Moon” refletindo as luzes do arco íris no público, a apresentação dos músicos acima dos telões, a projeção em formato de fábrica do palco e tudo o que envolveu o show foi inesquecível.

Que venha o Desert Trip 2017, 2018, 2019…!

Créditos: Facebook oficial
Créditos: Facebook oficial
Cecilia Cury Por Cecilia Cury

Cecília tem 25 anos, organizou uma campanha que trouxe Paul McCartney para tocar em Belo Horizonte e acaba de se descobrir fã de festivais.