Festivais Políticos Levantam Bandeiras Por Um Mundo Melhor - Pulso

Festivais Políticos Levantam Bandeiras Por Um Mundo Melhor

Recentemente o festival norte-americano Moogfest anunciou que terá na sua próxima edição um palco-protesto, um espaço dedicado exclusivamente para a resistência em detrimento às absurdas leis que foram impostas há um ano na Carolina do Norte – a legislatura conservadora do estado aprovou o Projeto de Lei 2, que, entre outras medidas, revogou as proteções anti-discriminação baseadas na orientação sexual e identidade de gênero. Com artistas como a ícone do queer hip hop, Mykki Blanco e o cultuado produtor Sírio, Omar Souleyman, a escalação de artistas desse palco não poderia ser mais ideal.

foto: divulgação Moogfest

O papel político dos festivais não é de hoje. Desde o Woodstock, festival sempre foi uma ferramenta política. Como citado neste texto do jornalista Camilo Rocha, festivais como o Harlen Cultural Festival (foto abaixo) ou até mesmo nos primórdios do grande Glastonbury, pregavam o ativismo como resistência e fizeram história.

No entanto, com o novo boom dos festivais neste novo milênio, a espinha dorsal da resistência parecia desfragmentada. Só que, nos últimos anos, com o avanço de partidos conservadores em várias partes do mundo (Trump, Putin, Temer etc), diversos festivais tem abraçado causas a favor das minorias. No ano passado, o Sziget, o Roskilde e o Glastonbury (olha ele de novo) levantaram bandeiras diferentes em prol de um mundo melhor. Neste ano foi a vez do Moogfest partir na frente com seu palco-protesto.

Foto: Wabe Styles

Além disto, festivais como o Afropunk vem ganhando cada vez mais espaço tanto na web quanto nos veículos tradicionais por se posicionar politicamente. Aliás, nem o Coachella escapou. E foi o próprio pessoal do Afropunk quem pesquisou e jogou a bomba na imprensa por meio do seu site oficial, afirmando que o sócio majoritário da Golden Voice AEG (empresa dona do Coachella), o bilionário Philip Anschutz, apóia causas contra a diversidade de gêneros entre outras radicais conversadoras.

A informação foi negada por Anschutz mas levantou diversas outras ligações do empresário com grupos de extrema direita. No fim foi apenas uma fumaça, já que os ingressos para todos os dias da próxima edição do festival esgotaram em horas e nenhum artista se pronunciou sobre o caso.

Cassia Eller no Rock in Rio 2001. Foto: Divulgação

No Brasil, Também Fazemos a Nossa Parte

Festivais como o Rock in Rio e até mesmo o Universo Parallelo, tem em sua história marcas de resistência política e ode à paz, muitas vezes promovidas por seus artistas. Quem não se lembra ou não sabe, vale assistir à declaração de Cazuza no Rock in Rio de 1985.

No ano passado, o Ministério Público Eleitoral proibiu a realização de um festival assumidamente de cunho político. Com artistas como Otto e Tiê no lineup, o #ResisteSP aconteceria às vésperas de eleições municipais, mas o juiz entendeu que havia um “claro cunho eleitoral na reunião”.

Mas a roda continua a girar e essa é uma tendência que desejamos ser cada vez mais presente em festivais, seja aqui ou nas pistas mundo afora. A rua é nossa! #ForaTemer