25 de julho de 2018/POR Bruna Calegari

Por: Camila Nicolellis. Contribuíram para o review Priscila de Morais, Talita Braga, Felipe Feijó e Lucas Borghesan (Equipe Creative Mornings/Curitiba)

 

O Subtropikal é um Festival de Criatividade Urbana, realizado desde 2016, com a proposta de ocupar a cidade de Curitiba, divulgar iniciativas da cena local e estimular novos pontos de vista e questionamentos da vida urbana. O evento aconteceu entre os dias 07 e 15 de julho de 2018, e contou com instalações de arte, workshops, shows, performances artísticas, exibição de filmes, feira gráfica, bazar de criativos e debates.

A sede desta edição foi o Palacete Zacarias, um casarão imponente no centro de Curitiba, construído no auge do ciclo da erva mate. Aquele tipo de imóvel que todos sabem que carrega uma parte da história da cidade, mas poucos têm acesso a essas informações e ao local.

Além de uma instalação completamente “instagramável”, a decoração criativa e sustentável estava em sintonia com a essência do evento. Os únicos pontos que o casarão deixou a desejar foram a falta de acessibilidade para o piso superior e o ruído que vazava de um ambiente para outro quando aconteciam atividades simultâneas. Mas nada que a produção não tenha conseguido resolver com jogo de cintura e criatividade (casa de ferreiro, espeto de ferro sim) .

A programação foi dividida entre os temas: Arte, Consumo, Propósito, Futuro, Consciência e Relações – sendo cada assunto abordado em um dia.

No final de semana de abertura, o REFLITA DiverCidades abriu com chave de ouro o ciclo de palestras e trouxe junto e misturado um pouco de cada tópico. Foram abordados desde temas que vêm sendo debatidos em incontáveis eventos sobre propósito, empreendedorismo e inovação – até conceitos e tendências menos exploradas, como economia circular e logística reversa, fluidez e quebra de dualidade entre gêneros (apresentado com muita sensibilidade e uma chuva de reflexões no talk “Tem cara de homem” pelo designer Mário de Queiroz), novas formações familiares e tabus da indústria pornográfica (tema tão enraizado e tão pouco discutido pela sociedade).

Mesmo os temas “mais batidos” trouxeram muitos insights interessantes. Afinal, a melhor forma de debater criatividade é olhar para o que está debaixo dos olhos e passa batido no dia a dia. Destaque para o painel “Falar sobre a Felicidade leva a algum lugar?”. Se levarmos em conta a qualidade do papo e a quantidade de interessados no assunto, a resposta é sim.

Entre os participantes do evento, do público aos palestrantes, um ponto em comum: pessoas cansadas de modelos tradicionais e enferrujados buscando tomar consciência, observar a si mesmo e ao seu entorno para transformar a cidade. Ou melhor, mais do que pessoas dispostas, pessoas que estão transformando Curitiba, como pudemos ver especialmente no painel “Curitiba no Fluxo” e no Meet & Greet dos Criativos em Rede, que conectou coletivos, produtores e realizadores de toda a cidade.

Em paralelo aos painéis, rolou o LAB: Upcycling e Customização – um espaço para customizar e reciclar gratuitamente peças de roupas, a Feira Gráfica – um tanto quanto tímida levando em conta o potencial e quantidade de artistas visuais, ilustradores, e desenhistas da cidade – e o Bazar de Criativos – com exposição e venda de trabalhos autorais de artistas e empreendedores locais.

Tanto no bazar quanto nas mesas de bate-papo, foi possível perceber uma força grande na moda curitibana, com muitas marcas e profissionais surgindo e se consolidando, como por exemplo PEITA, Novo Louvre, Textilaria, Moi Lingerie, Estúdio Lenha, Los Cachorreros, entre (muitos) outros. Fica a dúvida se a cena está totalmente concentrada no eixo Centro/Batel ou se é preciso pensar em ações para integrar as demais regiões da cidade, especialmente as periféricas.

Além de um cardápio desenvolvido em parceria pelo Botanique e Good Truck Brasil, todos os dias rolaram performances artísticas e apresentações musicais, com festas assinadas por DJ’s e coletivos, como Núcleo Gatopardo, Banda Marrakesh e INVDRS.

O Subtropikal foi patrocinado pela Heineken, Chilli Beans, Melitta e Contabilizei (prata da casa). É muito bacana perceber que o evento está sendo notado por marcas nacionais e de grande porte, mas tem espaço para mais apoiadores locais engrossarem o caldo nas próximas edições.

Depois de uma semana borbulhando de conhecimento e inspirações, a Festa de Encerramento lavou a alma dos participantes. O Subtropikal ocupou mais um espaço histórico da cidade, o Usina 5 – um complexo de galpões que abrigava fábricas antigamente, foi revitalizado e já garantiu seu lugar na lista dos locais mais descolados em Curitiba.

No palco Heineken, a DJ curitibana Bila Sampaio abriu a noite. Em seguida, o beatmaker Vinicius Nave, trouxe o projeto Nave Convida – com grandes nomes do rap nacional: o curitibano Dow Raiz, Rael, Flora Matos (ma-ra-vi-lho-sa) e Rico Dalasam (que também participou de um talk na Casa Subtropikal). Que show! Que energia! E diversidade, né? Não adianta nada passar a semana falando sobre aceitação, pluralidade e colocar mais do mesmo nas atrações.

Em seguida, RHR e para incendiar o rolê com a sua Gasolina, uma apresentação pra lá de conceitual e cheia de atitude com o grupo paulista Teto Preto.

Enquanto isso, o outro palco contou com curadoria da Discoteca Odara. Com uma estrutura 360º que literalmente fez a galera girar, o coletivo convidou as DJ’s Cauana, Dani Souto e o sul-africano Esa.

Vida longa ao Subtropikal e a todas as sementes de transformação que ele brotou!