6 de agosto de 2019/POR Claudia Bukowski

Um festival de verão numa cidade que enfrenta um inverno que chega a assustadores -40ºC. Um publico que vive parte do ano escondido do frio e assistindo o pôr-do-sol perto das 4 da tarde. Bem vindo a Montreal, uma das cidades que vive a maior amplitude térmica do planeta – e com certeza absoluta um dos lugares onde as pessoas sabem aproveitar cada minuto do verão.

Agora imagine tudo isso num festival de música ao ar livre em um dos parques mais bonitos da cidade. Esse é o cenário do Osheaga, festival que há 14 anos ocupa o parque Jean Drapeau.

Antes de continuar a leitura, uma perguntinha: topa viajar com a gente para uma cidade e um festival dos sonhos? Conheça os próximos destinos OCLB travelWeb Summit (Lisboa)SXSW (Austin)Sónar (Barcelona) e Primavera Sound (Barcelona).

Do R&B ao eletrônico: lineup do Osheaga para todos os gostos

Como muitos festivais que começaram com espírito indie rock, o sucesso e o crescimento do Osheaga se resume a um ponto chave: diversidade de estilos musicais. O festival, que começou em 2006 como uma “realização do sonho indie”, trazendo como headliners Sonic Youth, Flaming Lips e Dinosaur Jr, na sua 14th edição abre espaço para o hip-hop, r&b e música eletrônica.

Isso fica claro na escolha dos headliners do ano – The Lumineers, The Chemical Brothers e Childish Gambino. Mas, também, permeia todo o lineup com nomes como Rosalía, DJ Koze e Janelle Monae espalhados pelos palcos do festival. 

Um show atrás do outro 


Palcos principais do Festival Osheaga

Falando em palcos, outro ponto interessante do festival é a aposta em palcos próximos com horários alternados de shows, para aumentar a dinâmica das apresentações. Os dois palcos principais, Scène de la Rivière e Scène de la Montagne, ficavam lado a lado. E e dois palcos estrategicamente posicionados num angulo de 90º – Scène Verte e Scène de la Valle. A espera entre shows não chegava a 10 minutos.

No total são 6 palcos, patrocinados por 6 marcas diferentes, sendo que o Scène de l’Île é o palco voltado para música eletrônica e o Scène des Arbres abre espaço para bandas novas.

Ativações de marca no Festival Osheaga


Espaço Bacardi

As ativações de marca apareceram de forma integrada ao festival, se inserindo como parte do cenário e oferecendo opções de lazer e entretenimento para o público. No total são 30 zonas de ativação que incluíam marcas de cosméticos, lojas e os mais variados tipos de bebida. A Jack Daniel’s propôs um espaço para descobrir quanto tempo você leva para montar um barril de carvalho e oferecia tatuagens temporárias.

Bacardi acertou em cheio com o tiki bar “Bacardi Bay”, colado ao palco principal, com gramado sintético, cadeiras e espaço de sobra pra quem não queria perder o show, mas preferia ver de um lugar mais tranquilo. A Monster garantiu o conforto (e o estilo) do público do Scène Verte: instalou uma barbearia com vista privilegiada para o palco.

Já a Ketel One foi responsável pela “Lana Del Reynização” do festival, fornecendo material e espaço para você produzir sua própria coroa de flores. O National Bank levou ao Osheaga um caminhão com 37.000 litros de água e instalou 15 fontes de água potável. Garrafas reutilizáveis não só eram bem vindas, como em alguns momentos distribuídas gratuitamente no evento. 

“If you choose to use, choose to know”

O Osheaga se alinha com os principais festivais do mundo adotando a política de redução de danos no consumo de drogas ilícitas e priorizando a informação aos usuários.

A GRIP (Groupe de Recherche et d’Intervention Psychosociale) levou seu slogan “If you choose to use, choose to know” para o festival e marcou presença distribuindo kits para teste de drogas, panfletos e material de informação sobre diferentes tipos de substâncias e quais os tipos (e riscos) de contaminação em cada uma delas. Além disso oferecia suporte e atendimento para quem foi além do limite e precisava de auxílio durante o festival. 

Bons drinks? Temos. Filas? Também. 

O único ponto que deixou a desejar foram as filas para compra de bebidas e alimentação. A ausência do sistema cashless ou mesmo a possibilidade de comprar fichas antecipadamente obrigava o publico a enfrentar fila toda vez que decidisse consumir algo. Somado a poucas pessoas trabalhando nas tendas (especialmente nos bares oficiais que tinham preços mais convidativos) e ao fato do tempo todo faltar algum tipo de bebida listada no cardápio, o funcionamento dos bares foi um dos poucos pontos negativos do festival.

Apesar disso, os preços eram justos e as opções variadas. Além de foodtrucks e tendas oficiais, o espaço “Le Jardins YUL EAT” oferecia pratos assinados por 5 restaurantes icônicos da cidade – incluindo o Agrikol, restaurante com influência da gastronomia haitiana que é resultado da a união de forças dos sócios do The Black Hoof – bar em Toronto que aparece em 9 entre 10 listas de bares mais legais da cidade – com Win Buttler e Régine Chassagne, do Arcade Fire. 

Em 2020 tem mais. E vale a pena!

No final das contas, o Osheaga é um super festival com lineup incrível e diversificado, fácil acesso (25 minutos de metro a partir do centro da cidade) e ótimas opções de comidas e bebidas a preços justos. O Osheaga ainda oferece algo que poucos festivais desse porte podem oferecer: uma ótima desculpa para conhecer Montreal. 

Quer conhecer outro festival em Montreal? Confira o review do Mutek Montreal 2017.