17 de junho de 2019/POR Camila Florêncio

O dia 06 de junho amanheceu cinza. Seria a chuva uma tradição e se repetiria no NOS Primavera Sound 2019? Quem esteve nas edições anteriores ou viu o review do ano passado, sabe do que estou falando. Mas, a tarde chegou e a bipolaridade climático do Porto mostrou sua personalidade em um céu incrivelmente azul. Saímos rumo ao festival com a esperança de uma experiência fantástica – as notícias da edição Barcelona aumentaram ainda mais essa expectativa.

© Hugo Lima | hugolima.com

Pra mim, pessoalmente, era uma marco diferente: mesmo apaixonada por shows, era a minha primeira vez em um grande festival na Europa, mesmo depois de quase dois anos morando por aqui. Logo de cara, aquele letreiro luminoso instagramável deu as boas vindas: tínhamos chegado ao NOS Primavera Sound 2019.

A versão portuguesa do festival catalão acontece na cidade do Porto desde 2012. Com um lineup mais enxuto, pode ser considerada uma versão mais intimista desse festival. Ele acontece no Parque da Cidade, um ponto icônico e lindo da cidade. E, o melhor: de fácil acesso. Famílias de todas as idades eram vistas curtindo todos os shows. De acordo com a organização, cerca de 75 mil pessoas estiveram no festival, com predominância de pessoas entre 18 e 25 anos e maioria de mulheres.

Os cinco palcos ficam espalhados em locais cercados por natureza. Assim como na edição mãe, o som dos palcos não brigam entre si e funcionam muito bem paralelamente. A divisão de horários entre os principais nomes do lineup também tornou a experiência interessante. Era possível assistir todos os principais artistas, sem grandes sobreposição de horários nas apresentações.

Por que NOS Primavera Sound?

Ah! Uma curiosidade que chegou como dúvida no nosso Instagram: Por que ele se chama NOS Primavera Sound e não, simplesmente, Primavera Sound Porto? NOS é um grupo de telecomunicações de Portugal e principal patrocinador do Festival. Aqui em Portugal é muito comum que os festivais tenham o nome do principal patrocinador. Em breve vamos falar sobre mais festivais portugueses por aqui.

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Cancelamentos frustram o público do NOS Primavera Sound 2019

Tudo começou em fevereiro quando aconteceu o primeiro cancelamento – de um dos shows que eu mais esperava, inclusive. “Devido a circunstâncias imprevistas”, Lizzo cancelou a sua participação no festival. Por conta dessa antecedência, a produção anunciou logo a rapper Built To Spill como substituição.

Mas, não parou por aí. E cinco dias antes do início do festival, Kali Uchis cancelou sua participação, sem revelar o motivo disso. A cantora anunciou que também não se apresentaria em um show marcado em Amsterdam.

Aparentemente, o NOS PS sofre todo ano com essa onda de cancelamentos. E nos dias do festival mais nomes caíram do lineup: a DJ Peggy Gou não conseguiu chegar ao Porto por problemas no aeroporto de Berlin, Mura Masa, por conta de problemas no aeroporto do Porto e, por fim, Ama Lou cancelou no dia da sua apresentação por problemas de saúde. Pra quem esperava por esses artistas, ficou a frustração.

Ativações de marcas

Foto da ativação de marca da Instax |
@ricardobarroscoppola, @luis.m.rios, @diogoffigueira, @pedrochucks e euzinha, @camila_florencio

O Porto é uma cidade bem pequena. Por conta disso, a forma mais fácil e, até mesmo, barata, de chegar até o Parque da Cidade era compartilhando transporte com amigos. E qual a relação disso com as ativações de marca? Simples: o primeiro impacto chegando lá de Uber era uma ativação super interessante da marca. Em uma entrada exclusiva, éramos recebidos por promotores super simpáticos que nos ofereciam uma foto instantânea. O melhor: cada um levava uma foto, sem a necessidade de compartilhar. Eu e meus amigos temos o registro dos três dias.

Espaço onde ficavam as ativações de marca – Hugo Lima | hugolima.com

Dentro do festival, as ativações ficavam concentradas no meio do caminho entre o primeiro palco e o palco principal. Assim como na edição Barcelona, as ativações não eram agressivas e ofereciam entre fotos instantâneas, com a Instax, a jogos interativos, com suporte para celular e, mesmo, espaços para descanso. A NOS, patrocinadora oficial, tinha um espaço onde criava coroas de flores que podiam ser vistas em pessoas de todas as idades no festival.

Vamos ao que interessa: a música

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Veja um pouquinho de como foi a experiência com os shows – ou concertos, no idioma local, do NOS Primavera Sound 2019.

Dia 1, quinta-feira

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Como eu contei lá no início, o clima não parecia muito animador. Além da expectativa de chuva, o ventinho gelado contrariava a estação do ano. Chegamos já com o cair da noite e, depois de explorar um pouco a estrutura do festival, paramos no primeiro palco, mais próximo da entrada, para curtir o som energético do Pop Rock britânico de Jarvis Cocker.

Tommy Cash – © Hugo Lima | hugolima.com

Em seguida, em uma imersão exploratório, nos deparamos com um show super animado e envolvente – e bem louco – de Tommy Cash. Uma mistura de rap, trance e rock apresentada por uma figura peculiar e muito divertida.

Solange

A noite ainda prometia mais. Mas, pra mim e para meus amigos, o fim seria com ela: Solange. Pra mim, o melhor show do festival. Sua energia, entrega, coreografias, cenografia de palco e, claro, voz, tornaram a experiência de assistir ao show dela como algo único e catártico. Foi incrível viver esse momento e, quando a chuva caiu – sim, ela veio forte e gelada – me vi de olhos fechados, sentindo as gotas pesadas caírem no rosto e agradeci ao universo por estar ali.

A catarse passou, o frio apertou e seguimos correndo em busca de abrigo e de um transporte pra casa.

Dia 2, sexta-feira

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O céu azul foi o presente do segundo dia. O clima ficou diferente, as roupas mais coloridas, as pessoas, literalmente, mais solares. Com a grama quase seca, sentamos para assistir ao show de Courtney Barnett e sua voz grave cantava um rock delícia para curtir daquele jeito. Em seguida, transitamos em diferentes palcos, ouvindo sons não conhecidos mas que faziam a trilha sonora perfeita para a vibe dessa sexta-feira.

Courtney Barnett – © Hugo Lima | hugolima.com

Entre os principais shows da noite, JBalvin lotou o gramado do palco principal para apresentar um show cheio de playback, mas com muita energia e com boas soluções para tantas músicas com featurings. Lá no fundo, o público esperava a presença de Rosalía para que cantassem juntos o hit Con Altura, mas isso não aconteceu.

JBalvin – © Hugo Lima | hugolima.com

Pausa para o jantar pois, em seguida, aconteceria um show também muito esperado pelo público: James Blake. Eu, infelizmente, abandonei o barco antes deste concerto. Mas, quem ficou por lá, relatou como foi incrível e intimista a apresentação do artista.

Dia 3, sábado

O Terno – © Hugo Lima | hugolima.com

Para compensar a baixa no dia anterior, cheguei no último dia nos primeiros acordes do primeiro show: O Terno. E que delícia esse show que, mesmo com público ainda pequeno, emocionou e fez dançar quem estava ali debaixo do sol de 17h. Infelizmente, na minha opinião, faltou tempo para tornar a experiência mais positiva.

Dali, nos jogamos no gramado do palco principal para ouvir o rock do grupo Hop Along. A voz grave feminina lembrou muito o show da Courtney Barnett no dia anterior, deixando a impressão de que esse era o espaço do festival para o rock feminino. Mas, claro, isso foi apenas uma observação curiosa que não atrapalhou em nada a experiência e a vibe de estar ali.

Jorge Bem Jor – © Hugo Lima | hugolima.com

Pausa para conhecer as ativações, fazer um lanche pois, logo em seguida, o Brasil subia de novo no palco – e dessa vez no palco principal. Jorge Bem Jor fez uma apresentação emocionada que fez todo mundo dançar – apesar do ventinho gelado que tinha abraçado o Parque da Cidade. Crianças – devidamente protegidas com abafadores de som, jovens, adultos, senhoras e senhores, todas as idades se divertiram com a energia que vinha do palco de músicas que estavam claramente muito felizes em estar ali. Jorge Ben anunciou a última música mas não resistiu em ser um pouco rebelde e extrapolar o tempo cantando mais outros dois sucessos. O público, claro, amou!

O show mais lotado da noite

La Rosalía! – © Hugo Lima | hugolima.com

Pouco depois, era hora de um dos shows mais esperados da noite. O meu, especialmente. Fui pra bem perto da grade e esperei por ela: Rosalía. A iluminação do palco, na minha opinião, poderia ter sido melhor. Mas isso não incomodou o público que LOTOU a plateia fazendo com que fosse, assim como no PS Barcelona, um dos shows mais lotados. Rosalía soube equilibrar a música tradicional espanhola, um dos traços mais fortes do seu trabalho, com o pop que a fez ganhar fama pelo mundo. Um show com coreografias fortes, muitas interações com o público – ela é uma querida – e muita, MUITA potência vocal. Essa menina veio, definitivamente, para ficar.

Após este show, o grande volume de pessoas no último dia de festival deu o recado: filas enormes nos banheiros, nos bares, nos restaurantes – que, assim como em Barcelona, não tinham o sistema de cashless. Sim, nem tudo foram flores.

Por fim, o último show do festival no palco principal era de ninguém menos que Erykah Badu. Com 35 minutos de atraso – e um medo generalizado de mais um cancelamento, ela entrou no palco agradecendo a todos por terem aguardado. E valeu a pena. Sua voz forte envolveu o fetival de forma que víamos ao redor pessoas curtindo cada música à sua maneira, no seu “próprio mundo”. A cantora celebrou os 22 anos do seu álbum de estreia e, também, do seu filho. O atraso foi compensado por um show que durou mais de uma hora mas que, talvez por ser o último do dia, teve baixas no meio do caminho. Minha inclusive.

Música eletrônica

A música eletrônica não é muito a minha praia. Por isso, convoco meu amigo Tiago Oliveira para contar mais sobre essa experiência no NOS Primavera Sound 2019!

Palco Bits – © Hugo Lima | hugolima.com

Os clubbers de plantão também tiveram um espaço reservado para cair na pista, o palco Bits – que não era um palco, mas um superespaço com iluminação de primeira, bar interno e banheiros próximos. Ou seja, tudo que um clube de música eletrônica precisa ter. Ponto para a infraestrutura.

Mas vamos falar do que mais interessa: o lineup (e que lineup!). Nomes de peso como Nina Kraviz, Helena Hauff, Violet, Jasss, e Joy Orbison fizeram muito barulho durante os três dias de festival, com a festa começando sempre às 23h e terminando ao raiar do dia. E devo dizer, teve música eletrônica de vários estilos, do house ao industrial, e para todos: de quem é nativo nas pistas até quem quer apenas se jogar numa balada. Vale lembrar que dos vários cancelamentos do Primavera, o público do Bits (incluindo eu) sofreu com o da DJ sul-coreana Peggy Gou, que não compareceu devido ao mau tempo em Berlim. Fica para a próxima edição. Com certeza, estarei no frontline à espera.

Valeu, NOS Primavera Sound 2019

© Hugo Lima | hugolima.com

Por fim, o saldo é muito simples: não poderia ter tido uma primeira experiência em um festival melhor. A beleza do local, a vibe das pessoas, o céu azul que só o Porto tem, os amigos que já são cadeira cativa em toda edição… Tudo isso contribuiu para tornar inesquecível essa primeira vez – e, claro: promessa de não ser a única.

Para o próximo ano, a produção já anunciou as datas: 11, 12 e 13 de junho, mais uma vez no Parque da Cidade do Porto. Pavement já é o primeiro nome confirmado do lineup. E aí, nos vemos por lá?