3 de abril de 2015/POR Diego Moretto

A quarta edição do Lollapalooza Brasil, além de movimentar R$93 milhões para São Paulo e receber 136k pessoas em dois dias de evento, fez a Kardashian e quebrou a internet. A gladiação entre amantes e odiadores do festival na web jogou no ar uma dúvida: qual será o futuro do Lolla?

A edição de 2016 já foi confirmada, mas o que aprendemos com o que presenciamos no final de semana passado – seja pulando na pixxta ou de boas no sofá da sala? A equipe do Pulso esteve no festival e conferiu – de perto e de longe – o gigantesco Lollapalooza. Chega mais para saber como foi:

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A INFRA FUNCIONOU? (Diego Moretto)

Melhorou, mas ainda tá bem longe do ideal. Inevitável comparar com o caos de 2014, com uma infra que nada condizia com a geografia do local e uma desorganização que beirou a vergonha. Mas nesta edição não foi assim. Foi visível a preocupação da organização em fazer um festival ideal, mas alguns problemas ainda não foram resolvidos. Interlagos é longe e gigante demais, fato. O transporte público, grande parceiro em festivais, falha, por melhor que ele seja – estamos falando de dezenas de milhares de pessoas, lembrem-se. A fila da entrada melhorou muito e chegou perto do bacana. Lá dentro, as filas para comprar fichas estavam beeem menores do que na edição passada – ainda que grandes e demoradas (as máquinas de cartões saiam do ar SEMPRE! WTF?!), mas para quem já é macaco-velho de festivais, deu para driblar de boa.

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Infelizmente, o grande problema não foi solucionado. A distância dos palcos continua inaceitável. Cerca de 2,5km de distância entre os palcos Onix e o Axe – polos opostos. Por mais que o trânsito estivesse melhor, foi impossível ir de um palco para o outro no tempo determinado. Comidas e bebidas, super ok. A ideia dos food-trucks foi incrível – seria genial se eles pensassem nos vááários estudantes sem dinheiro que foram para o festival. Banheiros eram um pouco afastados, mas nada que atrapalhasse – pelo menos para os homens (meninas, como foi para vocês? =] ). O Chef Stage estava giga e foi bastante confortável – mas poderiam novamente abaixar os preços na próxima edição. Ah! Muito legal as áreas de descanso, as redes, mas que na próxima tenham mais espalhadas. Por fim, a volta foi bem sinalizada. Os problemas da ida se repetem, mas como falamos, é um problema do lugar escolhido, a gigante Interlagos. Será uma boa ideia mesmo repetir o local em 2016?

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EXPERIÊNCIAS DE MARCAS (Franklin Costa)

O festival deu um salto gigantesco comparado a edições anteriores (como já descrevi no post “De Indie a Mainstream: Lollapalooza, Um Review Nada Convencional”). Meu principal destaque vai para a Pepsi, que montou uma lata gigante de Led (tirando os palcos, era o que mais aparecia no festival à noite) e fez algo que poucas marcas ainda conseguem fazer bem hoje: colocar o público como protagonista da ação. A Skol também investiu pesado em um lounge com temática burlesca muito bem posicionado (de frente para o palco que carregava seu nome, exatamente no meio do festival). A outra marca que mereceu destaque foi a Rayban, que desde o ano passado vem marcando uma presença bem bacana em festivais. A Axe também mandou bem com sua barbearia, mas foi muito exclusiva ao focar-se somente nos convidados do Lolla Lounge. Várias outras marcas estiveram por lá, mas ainda com aquela mentalidade “tradicional de patrocínio”, sem explorar melhor o contexto do festival. Ônix, da Chevrolet, por exemplo, perdeu uma excelente oportunidade de ajudar as pessoas a se locomoverem de um palco a outro do evento (uma das principais queixas do publico).

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FEELING DO PÚBLICO (Carol Soares)

De tudo que vi e ouvi no Lolla, a imagem que não sai da minha cabeça é de uma garotada bem novinha, sorridente e colorida, descendo a rampa de acesso do festival no início da tarde de sábado. Conversamos com um público bem jovem e o que mais ouvimos foi que o Lolla “seria apenas o primeiro de muitos”. Para a galerinha que até então frequentava shows de boy bands e festinhas na casa de amigos, o festival surpreendeu: “não imaginava que haveria tantas outras coisas pra fazer além dos shows”. Além isto, o que mais encantava os novatos era o ambiente de diversidade e tolerância. O festival é a oportunidade de “ser quem você realmente é” ou “de encontrar pessoas com gostos parecidos”. Gostos parecidos foi o que realmente vimos no figurino do público. Os veteranos de Lolla reclamaram que o evento cresceu e está se tornando mainstream. Embora “já esteja até repetindo banda, o festival ainda entrega o que promete”. Apesar de reconhecerem que este ano estava bem mais tranquilo e organizado do que no ano passado, essa turma sentiu falta de nomes de peso no line up. O festival, que chega à sua melhor forma nesta edição, também encontrou seu papel como destino turístico, já que muitas pessoas que conversamos eram de outros estados e estavam em São Paulo apenas para o Lolla. Pais que frequentaram Rock in Rio ou SWU também encontraram no festival uma opção de diversão para a família. Se depender apenas do público, o Lolla está com seu futuro garantido.

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QUEM ARRASOU E DECEPCIONOU NO LINE? (Inácio Martinelli)

Como esperado, Jack White foi o grande nome do festival com quase duas horas de rock´n´roll da melhor qualidade. Acompanhado de uma banda afiadíssima, o americano emendou músicas de seus dois CDs solo – “Blunderbuss” e “Lazaretto” – com canções do The White Stripes e The Raconteurs. No primeiro dia, também destacaram-se os ingleses do Alt-J, com o seu som estranhamente melódico, e o americano Skrillex, mais pelas incríveis projeções nos telões do que pela música, que já não tem a mesma pressão de antes, apresentando vocais demais e dubstep de menos.
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A decepção vai para o segundo dia em geral, que não contou com nada de muito interessante. O tempo ruim fez os shows de bandas como The Kooks e Foster The People ficarem ainda menos atraentes. O superstar Calvin Harris arrastou uma multidão tão grande que eu me refugiei no Palco Axe, onde o Young The Giant fez uma apresentação que fugiu do padrão teen da noite. No Perry, Childish Gambino chamou atenção pelo hip hop acompanhado de uma banda de apoio, algo difícil de se ver. Ponto pra ele!
Apesar do esforço, Pharrell – definitivamente – é um grande produtor e não performer.
O Lollapalooza evidenciou – mais uma vez – a força da música eletrônica, com hordas de (pré) adolescentes se amontoando para ver DJs como Calvin Harris, Skrillex, Steve Aoki, Dillon Francis e muitos outros. Já o indie rock, que sempre foi a base do festival, está em um momento ruim, forçando a escalação de bandas que não lançaram nada de relevante nos últimos anos. Nos resta saber se essa equação será balanceada nas próximas edições.
O MICO DESTA EDIÇÃO (Diego Moretto)
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O que dizer da Marina and the Diamonds cancelar o show NO DIA da apresentação – sábado 28? Milhares de fãs que tinham ido unicamente para vê-la (seria a primeira apresentação da galesa por aqui), foram tomados de surpresa e frustração. A parada foi tão ruim que no Twitter dezenas de fotos acusavam a Marina de ter se jogado na noite anterior em uma festyenha e por isso, perdeu o vôo – motivo alegado pela cantora e pela produção do Lolla. Não devolveram o dinheiro do ingresso e não colocaram a Marina no domingo. Imagina teens revolts? Tipo isso.

LOLLAPALOOZA DO SOFÁ (Rodrigo Rodríguez)

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Fim de semana pude ficar em casa e assistir ao vivo grande parte do Lollapalooza Brasil.

Sem dúvidas, o melhor show na minha opinião foi do Jack White. Um dos momentos altos do show foi quando tocou seu hit “Lazaretto”. Era grande a espera de uma participação do Robert Plant, que infelizmente não rolou.

Destaque para o show do Kasabian, que fez um cover de “Praise You”, clássico do Fatboy Slim. E o Plant,  que não tocou apenas suas faixas mais recentes, mas também alguns clássicos do Led Zeppelin.

Muita gente sentiu falta de Marina & The Diamonds e eu senti falta do show do SBTRKT, que cancelou também sua apresentação. Era uma das atrações que eu mais gostaria de assistir, se tivesse ido ao evento.

De certa maneira, vimos esse ano um grande apelo eletrônico no festival, com muitos DJs no line-up, o que não acontecia nos outros anos. Big names como Steve Aoki, Calvin Harris, DJ Snake, Major Lazer, Dillon Francis e Skrillex, além de novos talentos da cena eletrônica nacional como Vintage Culture, Fatnotronic, Jakko e Chemical Surf. O Skrillex levou o público à loucura e Calvin Harris empolgou a tenda Onix mesclando seus ultra-mega-hits e mash-ups.

Destaque também para os shows do Interpol, The Kooks, Foster The People (que alternou seus hits com músicas do novo álbum), Young The Giant e Alt-J, que representaram bem a cena indie no festival, arrastando muitos fãs. O som alternativo nacional estava bem representado também pelas bandas O Terno, Boogarins e Mombojo.

*Esta postagem foi escrita por Diego Moretto, Franklin Costa, Carol Soares, Rodrigo Rodríguez e Inacio Martinelli.