28 de agosto de 2018/POR Diego Moretto

Nesses 20 anos de existência, o selo Bunker já coleciona títulos e fatos históricos. Uma legião de adoradores nostálgicos são os advogados perfeitos da era de ouro da Bunker – seja como principal club do Rio no começo dos anos 2000, como também nas lendárias festas-rave que definitivamente marcaram uma época.

Passados longos anos desde a sua forçada hibernação, o selo voltou em formato de festival, se familiarizando com o contexto dos dias de hoje e formando um novo público.

Palco Euphoria. Foto: Diego Moretto

Para isso, 6 produtores das principais festas de música eletrônica da cidade, cada um com o seu estilo, se juntaram para montar um mega evento, com direito a cinco pistas que valorizaram as principais vertentes do gênero. Todos reunidos em um único e imenso espaço, o Riocentro.

Palco Fosfobox. Foto: Diego Moretto

O tema escolhido, #SomosTodosIguais, foi a espinha dorsal do projeto e, com tantos estilos diferentes, foi certeiro no que se refere à união dos públicos. Estiveram presentes as marcas Euphoria, Fosfobox, Privilège, Rap Soul, Rio Me e Revolution Party.

Palco RIO.ME. Foto: Diego Moretto

As pistas enchiam como coração de mãe e se estamos falando da mãe de todas as raves, isso só pode significar amor. Em determinado momento da madrugada era lindo de ver todos os palcos muito cheios, cada um com o seu estilo. Nem a chuva, que caiu no fim da noite, atrapalhou a animação da galera. Certamente mais de 7k pessoas estiveram no evento (dado não oficial).

Onde melhorar?

É complicado apontar possíveis erros de um evento tão grande, porém feito “na raça”. Foi ótima a escolha do Riocentro como local da festa, afinal, onde poderiam fazer uma festa tão grande, com transporte público na porta e a possibilidade de se montar uma mega estrutura? Aqui no Rio de Janeiro é uma tarefa quase impossível se você não for um Rock in Rio.

Palco Rap Soul. Foto: Diego Moretto

Mas ao escolher um local como o Riocentro, temos que pensar em seus desdobramentos. Primeiro, sinalização é o melhor amigo de quem escolhe ir para o festival via transporte público – a forma mais ideal. Então, desde o metrô e passando pelos BRTs no (longo) trajeto, senti falta de cartazes e indicadores de como chegar no local. No site tinha essa informação, mas tático é outra história.

Banheiros sempre são um problema em eventos de grande porte e na Bunker não foi diferente. As filas eram bem grandes e variou de tamanho avantajado de acordo com as pistas. Assim como os bares, mas entendo que é quase impossível um bar funcionar de forma rápida e dinâmica em um evento tão grande.

Palco Revolution Party. Foto: Diego Moretto

A área ~VIP (Privilège) estava bem localizada, não atrapalhava ninguém. Mas em um evento onde se prega a diversidade e a união de tribos, não fez muito sentido a existência dessa pista. Apesar disso, estava lotada. Cariocas amam ser vips…

Por fim, não dá para ignorar que o Riocentro é longe mesmo. Se isso é fator determinante para uns e outros ~preguiçosos, melhorias podem ser trabalhadas nesta questão. Desde parceria com ônibus particulares ou até contratação de serviço de shuttle são mais convidativos do que o pequeno desconto nos aplicativos de carros particulares – e que na volta foi um tormento para conseguir um carro que seja.

Bunker Festival. Riocentro. Foto: Diego Moretto

Futuro

O Bunker Festival já nasceu gigante e, mesmo nadando contra a maré, entregou um evento coeso, festivo e diverso. A união das tribos aconteceu da forma mais harmônica o possível, o line up trouxe momentos memoráveis em todas as pistas e nem o mau tempo tirou o brilho da noite.

O ode à música eletrônica e as suas vertentes merece uma data fixa no calendário carioca e já aguardamos ansiosos por uma segunda edição. Vida longa, Bunker Festival!