11 de fevereiro de 2019/POR Soraia Alves

Pulso Entrevista é uma série de bate-papos com produtores, criadores, curadores e todo mundo que faz os nossos queridos festivais acontecerem. Aqui você confere como surgiram esses festivais, o que está envolvido na realização de cada edição, curiosidades e muito mais!

 

Planeta Atlântida realizou mais uma edição de sucesso – sua 24ª – levando grandes nomes da música nacional e internacional para o litoral gaúcho em um megaevento que contou com três palcos, mais de 40 atrações, experiências proporcionadas por diversas marcas e ingressos esgotados, o que sempre é um sinal de evento bem-sucedido.

E para saber um pouco mais sobre a história do Planeta Atlântida e o que podemos esperar para as próximas edições, o Pulso conversou com Gustavo Sirotsky, organizador do festival. Confira o papo!

Foto: acervo pessoal

Um festival que é referência

A história do Planeta Atlântida está ligada à Rádio Atlântida, maior rede de rádios FM voltada para o público jovem na região sul do país. O festival, idealizado pelo Grupo RBS, surgiu como forma de comemorar os 20 anos da rádios e já começou com tudo trazendo um lineup com nomes como Mamonas Assassinas, Rita Lee, Titãs, Charly Garcia, Papas da Língua, entre outras atrações.

Com uma estreia tão badalada, não é difícil entender que o Planeta Atlântida logo se tornou referência em festival, principalmente na região sul. O evento foi criado Atlântida (Rio Grande do Sul), em 1996, mas também aconteceu em Florianópolis (Santa Catarina), de 1998 até 2015. “Mesmo descentralizado do Sudeste, diversos festivais acompanharam as tendências do Planeta, que virou referência para diversos eventos no país. Um exemplo é o Festival de Verão de Salvador, concebido poucos anos após a criação do Planeta Atlântida junto a Rede Bahia (afiliada Rede Globo na Bahia), conta Gustavo, que também lembra da presença, por diversas vezes, de Roberta Medina (Rock in Rio) no Planeta Atlântida.

Foto: Reprodução/Facebook

Esse prestígio faz com que o festival não deixe de caprichar a cada nova edição, trazendo inovações e também aprimoramentos à organização, afinal, mesmo que o planejamento seja impecável, há sempre variáveis que fogem do controle e exigem decisões rápidas.

Gustavo conta que neste ano, por exemplo, a produções enfrentou dois grandes obstáculos  ligados à meteorologia: “A direção técnica do festival havia preparado uma cenografia incrível para o palco principal, com pintura e curadoria de três artistas renomados somando 1,6 mil metros quadrados de arte. Em função de uma tempestade muito forte um dia antes do festival, tivemos que refazer os planos e criar um plano B em 24h para a cenografia do palco”. O outro episódio foi durante o show da Clean Bandit, que sofreu com chuva e vento muito fortes, e teve que ser interrompido e retomado após 30 minutos para não gerar riscos a ninguém.

Foto: Reprodução/Facebook

Experiências além da música

Contornar imprevistos também faz parte de uma boa gestão de festivais, tanto quanto uma escalação atraente de artistas e atrações que vão além da música.

O lineup do Planeta Atlântida é sempre muito interessante, principalmente por juntar uma grande diversidade de estilos musicais e artistas que estão em alta. Como ressalta o organizador, juntar esses artistas e formar um bom lineup “não é uma ciência exata”, mas fica mais fácil quando alguns pontos são levados em consideração. Para Gustavo, esses pontos são: “o momento/timing do artista; a performance em outros shows/apresentações/festivais; os seguidores/audiências nas plataformas de streaming e Youtube; a execução/audiências em rádios; e os seguidores/audiências nas redes sociais”.

Além das experiências musicais, o Planeta Atlântida se coloca como “um festival multiatrativo, não apenas musical”. Com isso, a cada edição novas experiências são criadas e oferecidas ao público, atividades como “Bungee Jump, luta livre, esportes radicais, tirolesa, montanhismo, roda gigante, entre outras”.

Foto: Reprodução/Facebook

De olho na 25ª edição

O Planeta Atlântida mal encerrou a sua edição 2019 e os planos para 2020 já estão a todo vapor. As características do festival se mantém todos os anos, como ressalta Gustavo: “A música e o festival têm o incrível poder de interação num momento de lazer, descontração e sensibilidade com o público, então se o festival capricha na experiência, nas ações sensoriais do evento – independente do seu estilo musical, acredito que as chances do consumidor voltar no outro ano são muito maiores”.

2019 foi exemplo dessa fidelidade do público. Foram mais de 80 mil pessoas somando as duas noites de evento; 22 horas de música produzidas pelas mais de 40 atrações escaladas. “Os shows mobilizaram 600 profissionais entre músicos, dançarinos e técnicos. Foram gerados pelo menos R$ 3 milhões em impostos diretos e indiretos, e 2,5 mil trabalhadores estiveram envolvidos”, conta o organizador.

Além da estrutura poderosa, com um palco de 80 metros de altura, duas inovações foram muito importantes nessa edição: o cashless e a Gourmet Street, que proporcionou experiências gastronômicas mais variadas ao público.

“Sobre o futuro, sem dúvida o público pode esperar um Planeta cada vez mais conectado em tendências de música, serviços, infraestrutura, tecnologia e segurança”, garante Gustavo.

Nós, ficamos ansiosos e no aguardo!