29 de julho de 2016/POR Felipe da Cunha

Por trabalhar com música, produção de eventos e publicidade, eu não podia perder o Tomorrowland. Fui ao festival não só com a intenção de curtir, mas de analisar e aprender com a produção e os artistas.

Créditos: Felipe da Cunha

Créditos: Felipe da Cunha

Apesar de combinar um encontro com amigos no parque do evento, eu estava sozinho no hotel e no caminho do shuttle. Já no primeiro dia, peguei o transporte e, ao meu lado, sentou um americano todo vestido com a temática dos Estados Unidos. Muito engraçado. Na minha frente, um casal de filipinos, e à esquerda, um casal de australianos. Fora os japoneses de kimono, pikachu, homem aranha, etc. Todos estavam muito animados e receptivos.

Crédito: Royal Gram

Créditos: Royal Gram

Ao chegar na pequena cidade que sedia o festival, Boom, a sensação já era diferente. A maioria das casas carregava a bandeira do Tomorrowland em suas janelas e havia muita gente nas ruas. A entrada do evento, apesar de estar cheia, foi super rápida.

Como ainda não tinha encontrado meus amigos, fui logo “abastecer” minha pulseira com os pearls (moedas oficial do festival) e conhecer alguns palcos. Conheci primeiro o Cafeína, que já me recebeu com um bom tech house e onde iriam se apresentar Kolombo e Hot Since 82 naquele dia. Segui para o palco da Paradise, de Jamie Jones, onde já tocava techno. Era tudo muito lindo, extremamente bem feito, palcos gigantescos e tudo parecia surreal.

Quando meus amigos chegaram, fui então conhecer o famoso palco principal. Apesar de não gostar de EDM, o main stage era tão sensacional que me prendeu a atenção. Mas não teve como: o stage House of Books (no dia Paradise) ganhou meu coração com o line-up e o estilo.

Fui também no The Opera no dia que teve Mau5trap vs Pryda. Gigantesco o lugar, porém o soundsystem deixou a desejar. Felizmente, o mesmo não pode ser dito do line, que estava ótimo com Eric Prydz b2b Deadmau5. HISTÓRICO!

deadmau5

O dia passou e o local se transformou: virou outro com um diferente tipo de magia. Sem me prender muito à comentários das atrações, o primeiro dia me emocionou, ficando difícil escolher algo que tenha se destacado.

O segundo dia era especial para mim. No palco da Diynamic, no House of Books, contando com Adriatique, H.O.S.H, Kollektiv Turmstrasse (live), Karmon & NTFO e Solomun, entre outros. Na minha opinião, o stage reuniu os melhores sets do festival.

tomorrow3

Foi apenas neste dia que conheci todos os demais palcos. São tantos que não consegui curtir todos e é realmente um mais impressionante que outro. Palco de dragão que mexe, outros com tamanhos surreais, alguns com florestas e até estilo grego… Simplesmente não dá pra descrever tudo.

Entretanto, também foi ali que a “magia” do Tomorrowland também começou a cair. O lugar já fedia muito, a sujeira era imensa, percebi que a logística de bares era muito ruim. Os banheiros eram mal posicionados, muito longe dos palcos. Sempre encontrava pessoas passando muito mal por causa de excessos ao lado dos stages e o mal cheiro predominava.

Apesar de tudo, este foi sem dúvida o melhor dia em questão de line-up para mim e eu nem coloquei meus pés no main stage.

Solomun no Tomorrowland 2015

Solomun no Tomorrowland 2015

Na saída, após um set espetacular do Solomun, foi muito difícil achar meus amigos para irmos embora juntos. Naquela noite, passamos pelo pior momento do festival: o serviço de shuttle para voltar para Bruxelas foi péssimo.

Ficamos sentados durante 1 hora e meia na rua, sentindo muito frio e cercados por uma grade esperando o ônibus. Resultado: chegamos em casa às 3:30 da manhã e completamente exaustos.

Sinceramente, no terceiro dia eu já não aguentava mais Tomorrowland (risos). Estava muito cansado. O festival te consome muita energia por ser um lugar muito grande e que requer um logística complexa para chegar e ir embora. Nesse dia, além de tudo, perdi o shuttle para ir ao festival. Por sorte, conheci um casal de brasileiros e uma mexicana que também estavam com o mesmo problema e dividimos um Uber. Tivemos que andar bem mais do que o normal, mas conseguimos.

Lá, com um sol muito forte, fui comer e me encontrar com meus amigos. Passei quase o dia todo na praça de alimentação e no palco da Cocoon, no House of Books, onde TODOS os DJs tocaram tech house e techno de vinil. Foi lindo! Neste dia, quem mais me agradou foi Camelphat, que tocou na tenda/stage House of Masks, perto do The Opera. Esse palco era fechado, com ar condicionado, escuro, no estilo club. Arrebentaram no tech house!

Como o bom amigo que sou, abri mão de ver Sven Vath e fui ao palco principal ver o encerramento. Vimos o final de Steve Angelo, já anoitecendo, com uma iluminação espetacular. Depois veio Martin Garrix tocando até 23:30. A iluminação e os fogos foram maravilhosos, um verdadeiro espetáculo, porém deixou muuuuito a desejar o set do jovem DJ que tinha o prime time do festival. Achei fraco e sem energia!

Martin Garrix no Tomorrowland 2016

Martin Garrix no Tomorrowland 2016

Nunca vi tantas pessoas juntas em uma festa em toda minha vida. Era algo SURREAL de tanta gente. Em seguida, em um péssima tentativa de mostrar que sabem ser DJs de verdade, Dimitri Vegas e Like Mike fizeram um set de 30 minutos com vinil. Um dos piores sets que já escutei, considerando que era o encerramento do evento.

https://www.youtube.com/watch?v=zfh_xbEu0mM

O Tomorrowland foi realmente o melhor festival que já fui. Pude ver praticamente todo mundo que eu gosto, em um ambiente mais do que lindo, surreal.

Ver que FTampa pode realizar seu sonho no main stage também foi muito bacana. Conheci gente do mundo todo e vivi dias que não vou me esquecer. Tirando os detalhes e contra-tempos, o Tomorrowland vai ficar na minha memória para sempre e pulseira no meu braço por um bom tempo.