21 de novembro de 2018/POR Soraia Alves

Depois de muita espera, o Lollapalooza Brasil anunciou o seu lineup para a edição 2019. E a repercussão foi grande! Com os três headliners definidos – Arctic Monkeys, Kendrick Lamar e Tribalistas – falou-se muito sobre o lugar ocupado pela banda brasileira como principal atração em um dos dias do festival.

O Pulso analisou comentários e papos que rolaram nas principais redes sociais para saber qual foi a opinião do público sobre o lineup e o que podemos esperar da próxima edição do #LollaBr.

Os destaques do lineup do Lollapalooza Brasil 2019

Primeiro, aquela análise geral sobre o lineup do Lollapalooza Brasil 2019. Dos três headliners anunciados, apenas o Arctic Monkeys já tocou no festival, na primeira edição do#LollaBr, em 2012.

Outros nomes também aparecem pela primeira vez no festival: Post Malone, Sam Smith, Lenny Kravitz, Jorja Smith, Snow Patrol, Greta Van Fleet, entre outros, numa clara mistura de novidades e nostalgia.

Para os fãs da programação alternativa, não há tantas novidades, é verdade: Interpol, Foals, Portugal. the Man, Twenty One Pilots e The 1975 já passaram por edições anteriores do Lolla.

Já para o pessoal fã de eletrônico, a sensação é também de uma mistura entre o novo e o não-tão-novo com Tiësto, KSHMR, Dimitri Vegas & Like Mike, Steve Aoki, Don Diablo, FISHER, Kungs, GTA, ZHU, ODESZA e o trio RÜFÜS DU SOL.

Espalhados por diferentes palcos, horários e estilos, os artistas nacionais vão de Rashid a Scalene, passando por Silva, Aláfia, Carne Doce, Liniker e os Caramelows, E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Vintage CultureLiuChemical SurfBruno BeGroove DelightDashdot e Dubd.

A polêmica sobre os Tribalistas

As redes sociais do Lollapalooza Brasil foram invadidas por muitas reclamações sobre a escalação do trio Tribalistas como headliner de um dos três dias do festival. No geral, as reclamações citavam o preço dos ingressos do Lolla para a edição 2019 e faziam a comparação “ingresso caro x headliner nacional”.

Ainda na onda de comparações, parte do público comparou o lineup divulgado pelo Lollapalooza Argentina para a edição do ano que vem, e que traz outros artistas brasileiros, como Caetano Veloso e filhos, e a banda Los Hermanos. A maioria das mensagens questiona o porquê desses artistas não se apresentarem no Brasil ou até mesmo ocuparem o lugar de destaque dados aos Tribalistas.

Vale ressaltar que nem Caetano, nem Los Hermanos são headliners na Argentina.

Os julgamentos e opiniões são livres, mas ressaltamos aqui alguns pontos que merecem uma reflexão:

01. Depois de sete edições no Brasil, não deixa de ser bom ver que o Lolla finalmente colocou um headliner nacional. Não é justo que os artistas nacionais se apresentem apenas em ingratos horários para poucas pessoas que ainda estão chegando a Interlagos.

02. A ideia de pagar caro e esperar um headliner internacional, visto que shows nacionais temos a oportunidade de conferir com preços mais acessíveis, não deixa de ser um bom ponto de discussão, mas perde a força quando alternativas nacionais são consideradas. Ao pedir pela troca de Tribalistas por Los Hermanos no festival brasileiro, temos a ideia que a insatisfação está ligada muito mais ao gosto pessoal do público do que a uma indignação sobre custo-benefício.

O gosto pessoal também endossa as críticas da escalação de Kevinho no Lollapalooza Chile.

03. Assim como qualquer festival, todos os anos o Lollapalooza Brasil é questionado por essa ou aquela escalação, seja nos headliners (Metallica?) ou na programação como um todo. A constante repetição de bandas em qualquer faixa do lineup também é motivo de reclamações.

Mas há quem tenha ficado feliz com o lineup do Lolla 2019. No balaço do nosso colaborador Diego Moretto, há tempos que o festival não investia em um lineup tão diversificado:

“O grande acerto foi a escalação do Kendrick Lamar, o mais talentoso rapper do momento. É grata a volta do Arctic Monkeys e no investimento de novos artistas que estão surfando em seu próprio hype, como a Jorja Smith e o Troye Sivan. Ponto também para a curadoria dos artistas nacionais – mesmo que Caetano e filhos tenha sido apenas para a Chile e Argentina. Que aliás, é um dilema os motivos aos quais Argentina e Chile possuem lineup maior e ingressos mais baratos que o Brasil. No mais, o Lollapalooza Brasil veio coeso, inclusivo e com atrações que agradarão a todos. Em ano de Rock in Rio, o Lolla vai novamente deixar a sua marca.”

De fato, há questões muito mais discutíveis (como os preços dos ingressos e a classificação “jovem baixa renda” para os ingressos de R$ 800,00) do que o lineup dessa edição.

Representatividade feminina

Se podemos apontar uma falha realmente questionável no lineup do Lollapalooza Brasil 2019 é a pouca representatividade feminina. Entre as 20 principais atrações (os 20 primeiros nomes do cartaz), temos apenas uma mulher – Marisa Monte.

Embora nomes como St. Vincent e Jorja Smith sejam gratas surpresas, com tantos mulheres talentosas bombando no Pop e Hip Hop internacional, opções não faltariam.

O que faltou mesmo foi um olhar mais cuidadoso para a porcentagem de mulheres na programação.

E o que esperar do Lolla 2019?

Esperemos grandes shows. Esperamos que a mescla entre novidades e nostalgia seja bem distribuída nos dias de festival e que entregue momentos memoráveis. Esperamos público empolgado, coros em músicas, boas ativações de marcas e respeito entre todos.

Esperamos o melhor. Sempre! E o Lolla 2019 não parece que vai entregar menos que isso.