4 de junho de 2018/POR Inacio Martinelli

No último fim de semana, rolou em Londres a primeira etapa do All Points East. Nova aposta da AEG, produtora do Coachella, o evento possui dez dias de programação e é dividido da seguinte forma:

All Points East Festival (25 a 27 de maio): festival completo com sete palcos e mais de trinta atrações por dia, incluindo LCD Soundsystem, Yeah Yeah Yeahs, Lorde, The xx, Justice e Björk.

All Points East in The Neighbourhood (28 a 31 de maio): parte gratuita com atividades para crianças, peças de teatro e pocket shows.

APE Presents (1 a 3 de junho): versão reduzida do festival com apenas quatro palcos, dois deles bem pequenos. Nessa etapa se apresentaram Nick Cave, Patti Smith, The National, The War on Drugs, Catfish & The Bottlemen, Future Islands e outros.

Foto: Jordan Curtis Hughes

Pude conferir o terceiro dia do All Points East Festival, que teve Björk como a principal atração. Veja os detalhes abaixo:

Organização

A AEG é um dos maiores conglomerados de entretenimento do mundo. Além de produzir festivais de ponta, a empresa administra venues como a O2 Arena em Londres e promove turnês milionárias de alguns dos mais famosos nomes da música. Todo esse know-how ficou evidente na organização do All Points East.

Cheguei cedo e não demorei nem cinco minutos para entrar. Além disso, o esquema de bares e banheiros funcionou super bem, sendo difícil avistar filas. Apesar do evento não ter usado um sistema cashless, era fácil matar a fome em barracas que possuíam uma variedade ótima, agradando carnívoros, vegetarianos e veganos. Ponto positivo para o festival!

Foto: Jennifer McCord

Palcos

Foram sete palcos no total, sendo fácil se movimentar entre eles, já que a área do festival não era tão grande. Porém, somente um realmente chamava a atenção: X Stage. Reunindo nomes da música eletrônica como The Black Madonna, o palco possuía dois enormes arcos que formavam uma letra X. As atrações tocavam no centro, permitindo uma visão de 360 graus do público.

O Main Stage era relativamente simples, sem nenhuma característica marcante. Os outros palcos variavam de tamanho, sendo um deles coberto por uma enorme tenda, que bloqueava a luz e contribuía para o light show.

Foto: Tom Hancock

Venue

O Victoria Park é uma enorme área verde localizada na região leste da capital inglesa. O local é um dos principais pontos de encontro dos londrinos, pois possui uma natureza exuberante e não costuma atrair tantos turistas como o Hyde Park e o Regent’s Park, por exemplo.

Até o ano passado, o Victoria era dominado por eventos da Live Nation como Field Day e Lovebox. Porém, após o fim do contrato com a empresa, uma nova rodada de propostas foi aberta e a AEG ganhou o direito de utilizar o lugar. Devido a isso, os eventos que lá ocorriam tiveram que se mudar para outras áreas da cidade.

Foto: Tom Hancock

Ativações

A melhor ativação do festival era a da bebida Jägermeister, que possuía um chill out com bar exclusivo, som ao comando de DJs locais, cesta de basquete para o público brincar e muita animação do staff. Qualquer um podia aproveitar o local, não sendo restrito à VIPs ou clientes da marca.

Além dessa, outra ativação que se destacava era a do pneu Firestone, que dava o nome a um dos palcos do evento. No geral, as poucas ativações estavam bem mescladas ao ambiente do evento. Porém, não chegavam a chamar muita atenção.

Lineup

O lineup do festival não empolgou muito. Inclusive, nomes estavam sendo adicionados até uma semana antes do evento. Figurinhas marcadas como The xx, LCD Soundsystem, Phoenix e Lorde se misturavam com artistas menos batidos como Björk, o projeto CLOSE de Richie Hawtin, Beck e Abra.

No domingo, os destaques ficaram por conta do show 3D de Flying Lotus, com um conjunto de imagens incríveis perfeitamente incorporadas à música eletrônica experimental do americano. O R&B, vezes melódico, vezes dançante da ótima cantora americana Kelela atraiu um grande público e também empolgou. Apesar de vazio, Agoria fez um live à tarde super dançante e tecnicamente perfeito.

Já a grande atração da noite, Björk, apresentou um show com visual surreal e uma banda afiada com várias flautistas. Porém, as composições da cantora islandesa são ainda mais sonolentas ao vivo e acredito que funcionariam melhor em um local fechado. Depois de algumas canções, acabei procurando outras opções.

A minha atração preferida foi o projeto Despacio, comandado por James Murphy e 2ManyDjs. Apesar do calor que fazia dentro do espaço, o público foi transportado para a era de ouro das discotecas, com um som perfeito, uma seleção de músicas totalmente imprevisível e uma imensa disco ball que acendia e mudava de cor, fazendo os olhos de todos brilharem.

Foto: Santiago Felipe

No geral, o All Points East teve uma ótima estreia graças à organização impecável e também ao dia de sol que fez em Londres. Porém, para disputar no saturado mercado da cidade, o evento precisa investir em um lineup mais atraente, além de diversificar as atrações off-música como instalações de arte, brinquedos, ativações mais interessantes e tudo o que um evento desse porte pode e deve oferecer ao público.