Review Ultra Brasil: A 1ª Vez a Gente Não Esquece - Pulso

Review Ultra Brasil: A 1ª Vez a Gente Não Esquece

*texto escrito em parceria com o colaborador Pulso, Rodrigo Rodríguez.

**Fotos pelo coletivo I Hate Flash

Após uma novela que manteve os nervos de geral à flor da pele até o último momento, o Ultra Brasil aconteceu! De certo que uma boa novela faz parte das paixões do brasileiro, mas as mudanças de local, as notícias nada animadoras que antecederam o evento, a falta de comunicação com o seu público e uma crise evidente de todos os lados, estressaram os ultranautas – que já previam o pior.

Mas isso até chegar ao fatídico dia 14 de outubro de 2016. A escolha do Sambódromo para a realização do Ultra Brasil foi questionada por muitos, mas na altura do campeonato, foi mesmo o melhor local para acontecer. Não podemos negar o fato de que foi de última hora e isso trouxe problemas na organização. Faltou sinalização e filas de mais de uma hora para entrar no evento – quando os “Vips” passavam direto – foram inaceitáveis, mesmo que isso seja um praxe em festivais por aqui.

Mas, ENFIM, pisamos no Ultra e até uma lágrima escorreu. Tudo era gigante e chegar e dar de cara com o fabuloso main stage faz o coração de qualquer um dar aquela acelerada. Aliás, o Main Stage foi um astro a parte. Nunca vimos um palco tão grande e com um sistema de som tão magnífico. Estar no meio da pista, engolido pela aquela estrutura big de ferro, é se transportar para onde a sua imaginação te levar. Foi o ponto alto do festival, sem dúvida.

Quanto ao Resistance, cumpriu o seu papel de ser o lar do underground. Tinha excelente acústica e abraçou bem aquela parcela do público que foi apenas para as atrações escaladas nele. Também era bastante quente e o clima rave ficava evidente com os biquínis e os descamisados dançando até o fim da noite. Mas assim, lugar quente nunca é legal, né?

Já o UMF Radio merecia um cuidado melhor. Foi amador, o som se perdia de acordo com o local onde você estava e era muuuuuito apertado – além de esteticamente feio. Uma pena, tinha uma galera que só queria ficar naquele palco onde a nostalgia eletrônica reinava.

Os serviços também não brilharam. A escolha do cashless como sistema para pagamento só confundiu público e funcionários. Filas enormes e desorganizadas para os caixas, bares e banheiros, as bebidas ficaram quentes com o tempo e os preços abusivos. Talvez o maior close errado deste Ultra.

Aliás, falar da água merece uma atenção especial. É um festival de música eletrônica em uma cidade litorânea e tropical. As pessoas vão passar mal! Então por que colocar a água com um preço tão alto? Vamos partir do princípio que deveriam ter bebedouros pelo festival ou água 0800 para emergências – assim como é no Ultra Miami e até em festivais como o Creamfields. Em festival de música eletrônica água não é luxo, é necessidade e pode evitar acidentes. Saca o barato sai caro, organização?

Mas se de um lado a organização deixou a desejar, os artistas escalados fizeram história.

DJ Snake foi uma das atrações mais esperadas. Misturou hits e sonoridades entre o electro, pop e suas musicas. Mas deixou o público perdido em alguns momentos – foi até ignorado.

Martin Garrix conquistou o público com hits óbvios e novidades.

Carl Cox diversificou muito tocando seu techno clássico,  mas sem esquecer do house – com direito a faixa com vocal brasileiro, Chuva Quente de Juan Diaz e David Tort.

Nic Fanciulli e Art Department fizeram um dos melhores sets do palco Resistance. Momento da noite: Art Department tocando Alive, do Daft Punk

Com seu psytrance, Chapeleiro fez reviver as raves de 10 anos atrás.

Steve Aoki levou os fãs a loucura jogando tortas no público e tocando o tema de Titanic (sério) e seu principal remix, Pursuit of happiness, do kid cudi.

Foi muito elogiado também o set de Tale of Us, da Anna, e do Hot Since 82 também.

Vintage fez 1 set que as pessoas queriam ouvir, tocando hits nacionais de artistas como Cazuza e Tim Maia. Foi lindo.

Ah, os 3 nomes nacionais que entraram no ranking da DJ Mag, top 100, tocaram neste Ultra: Felguk. Vintage e Alok.

E assim, o Ultra Brasil aconteceu. Tivemos problemas sim, mas o saldo final foi de puro êxtase. Vamos torcer para na próxima edição (será?) a organização se espelhe mais no mood da sede do festival, em Miami. Problemas existem e entendemos. Só não podemos repetir os mesmos erros no futuro.

O Ultra Brasil chegou pra ficar. Ainda bem!

 

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