Review: Circadélica 2017 - A Cena Independente Nacional Está Mais Forte e Unida Do Que Nunca! - Pulso

Review: Circadélica 2017 – A Cena Independente Nacional Está Mais Forte e Unida Do Que Nunca!

Que boa surpresa foi conferir o Festival Circadélica, em Sorocaba, no último fim de semana. Além do line up recheado, a estrutura inspirada em tendas de circo, e as muitas opções de produtos e comidas, o festival mostrou o que todo mundo que acompanha o cenário da música nacional já sabe: a cena independente está mais forte e unida do que nunca.

As constantes participações de bandas umas nos shows das outras é uma pequena mostra dessa “brodagem”. No Circadélica, esses encontros especiais rolaram tanto no sábado quanto no domingo: Far From Alaska + Scalene + Supercombo. Linikier + Tássia Reis + Francisco El Hombre + Paula Calvaciuk. Só para citar alguns.

O sábado ficou com as atrações mais Rock n Roll e também com o maior público. Cheguei na hora em que Vespas Mandarinas começava seu show no palco principal. Conferi ainda no palco “alterna mais alterna” a empolgação da The Biggs.

Dead Fish levou MUITA gente a cantar e pular junto, mas a sequência Far From Alaska, Scalene e Boogarins foi matadora.

  • A Far From Alaska apresentou algumas de suas novas músicas e que já nos deixou com vontade de ouvir o novo disco de uma vez (“Unlikely” sai no dia 04 de agosto).
  • Scalene, em um dos melhores momentos da apresentação, homenageou Chester Bennington, com uma emocionante versão de “Breaking the Habit” cantada por todo mundo.
  • Boogarins, por quê e como tão impecáveis, né? Poderia ficar ouvindo o Dinho cantar até o dia raiar!

Mesmo com menos público, o domingo foi bem intenso e com um discurso empoderador um tanto mais forte, passando pela alegria de Paula Cavalciuk, a delicadeza da Maglore, a devoção dos fãs da Supercombo e a beleza bem dosada de Liniker e os Caramelows.

Mas foi a energia incomparável da Francisco El Hombre que provocou um verdadeiro êxtase geral. Era o “calor da rua”, como eles bem cantam. E aqui, seria impossível não destacar a participação de Paula Cavalciuk e Tássia Reis em “Triste, Louca ou Má”. Se você era uma mulher vendo esse momento, ahhh você chorou que eu sei, porque eu também chorei!

É ótimo ver que os mesmos músicos que demonstram tanto tesão em subir no palco deixam esse sentimento se estender para fora dele, seja ao rodarem pelo espaço do festival, prestigiarem outros shows ou ao bater um papo com quem está ali para curtir suas apresentações. Como disse Mateo Piracés-Ugarte, da Francisco El Hombre, ao final de uma conversa “Obrigado por virem. Continuem fortalecendo a cena”.

Foto Divulgação

POR MAIS CIRCADÉLICAS NO BRASIL

Confesso que estava bem curiosa para saber se a experiência no festival seria tão bacana quanto o “prometido” na divulgação: se o espaço seria legal, fácil de chegar e com boa mobilidade. Se as opções e experimentações iriam além de uma lata de cerveja ou um hambúrguer de R$ 40,00. Som do palco interferindo em outro? Público inconveniente? Brigas, assédio?

Para quem trabalha durante um evento assim, há sempre outras preocupações. Minha proposta era em cobrir o Circadélica em fotos e stories do Instagram. Mas será que rolaria tudo tranquilo?

E sim, tudo rolou da melhor forma possível! O festival foi tão bacana quanto o prometido e até mesmo surpreendente: comi muito bem e não paguei 40 conto num lanche, comprei algumas lembrancinhas pra amigos que pediram, quase fiz uma tatuagem. Teve selfies, entrevistas, penca de stories, e o dar conta de shows em dois palcos quase simultaneamente sem passar perrengue algum. E para quem quis evitar a temida Itaipava, os drinks eram boas opções.

Por ser do interior de São Paulo, acho inevitável não pensar em tantas outras cidades que poderiam sediar eventos parecidos, proporcionando momentos tão bons quanto o Circadélica. Se festivais são experiências culturais completas, é necessário fugir das capitais, explorar muito mais o país e suas diferentes características.

“Tem bons festivais fugindo da rota Rio-São Paulo. Em Brasília mesmo teremos o CoMA agora em agosto. As opções estão aumentado”, comentou Tomas Bertoni, da Scalene.

E tem que aumentar mesmo. Uma experiência tão boa e com valores bem mais acessíveis que os festivais hypados é ideal para quem já gosta de eventos assim, e para conquistar ainda mais interessados.

Eu, por exemplo, acabei descobrindo durante o Circadélica mais um festival em Sorocaba, o Febre, que acontecerá em outubro e já quero conferir.

E assim seguimos fortalecendo a cena!

Soraia Alves Por Soraia Alves

Jornalista formada pela UNESP-Bauru. Trabalha com web jornalismo e cultura pop.

Posts Relacionados