Review: Bonnaroo 2015 - Pulso

Review: Bonnaroo 2015

Existem coisas que a gente só consegue fazer quando criança, e se divertir na fazenda é uma delas. A não ser que você seja um fanático por festivais, então você pode continuar se divertindo depois de adulto.

Enquanto programávamos nossas férias de 2015 (na verdade, o Marcos foi de férias e a Thaísa foi só para o evento), procuramos alguns festivais nos EUA, e um dos que chamaram a atenção foi o Bonnaroo, que ocorre todos os anos numa fazendinha lá no Tennessee. Tudo bem, a fazendinha não é tão pequena pra abrigar toda a galera que frequenta anualmente esses quatro dias de festival.

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Chegando lá

Chegar lá não é complicado, mas esqueça os grandes aeroportos, as metrópoles, o transporte coletivo te levando na porta do evento ou qualquer facilidade desse tipo. O que você vai precisar fazer é comprar uma passagem pra Chattanooga (mais perto) ou Nashville (um pouquinho mais longe), nenhum dos dois direto, e depois se virar pra chegar na fazenda. Talvez alugar um carro (como fizemos) ou um motor home sejam as melhores opções. Mas parece que quanto pior for a chegada, melhor é o festival, não?

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O maior camping dos Estados Unidos

Então se prepare, porque você vai encontrar o maior evento de camping dos Estados Unidos (sério, tem gente que vai só por causa do camping mesmo, e o festival é secundário), e talvez um dos melhores festivais de artes e música que você participará.

A experiência do festival é tão intensa que há um verbo que significa frequenta-lo: to Roo. Acampar, ouvir música, ver artesanato, conhecer gente, comer, beber, dançar, acordar cedo, acordar tarde, tomar banho na fonte, se sujar, dormir na grama, assistir aos playoffs da NBA, ver a season finale de Game of Thrones… Tudo isso é Bonnaroo, tudo isso é to roo!

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E tudo começa maravilhosamente bem ao chegar nos portões. Todos os carros são revistados, mas esqueça a cara fechada de um policial marrento. Ali está todo mundo de bem, porque ali só tem gente de bem. É um festival de hi-fives desde a chegada até a saída. Você é levado até seu ponto de acampamento, até porque se você for ao Bonnaroo sem acampar, provavelmente você não vai se sentir um bonnaroovian.

Chegando lá você se depara com números impressionantes, que nunca imaginou. Bem, vamos lá: o Bonnaroo é a 7ª maior cidade do Tennesse, com 80 mil pessoas acampando durante 4 dias.

A fazenda é do tamanho de 375 campos de futebol e o mais incrível é que o festival funciona e tem atrações 24 horas por dia, com 125 bandas e 12 palcos, cinema, comedia, corrida, yoga, desfile de carros, muita comida e bebida orgânica, local e natural.

Não precisamos beber somente uma marca de cerveja, há uma infinidade de marcas e tem um espaço dedicado a cervejas artesanais da região. E é claro, opções de drinks alcoólicos e não alcoólicos.

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O clima do festival é incrível. Você certamente fará amizade com quem está acampando ao seu lado, vai conhecer e conversar com muitas pessoas durante o festival, escutar bandas que nem imaginava existir, ver as mais irreverentes fantasias, totens, sentir como se estivesse em Woodstock porque lá quase tudo é permitido. E vai achar muito confuso os nomes dos palcos principais (What Stage, Who Stage, Which Stage, This Tent, The Other Tent, That Tent).

Voltar para a sua barraca à noite, depois de 12 horas ou mais sacudindo o esqueleto talvez seja uma missão difícil, mas não impossível. E esqueça curtir o festival 24 horas direto, ou pelos menos 18 horas: é uma missão impossível (e lembre-se que você estará acampando, então lá pelas 9:00 da manhã o sol já vai fritar você na barraca). Conseguimos aguentar 14 horas no máximo, mas tem música para todos os gostos. 

Para nós, as melhores apresentações foram:

Florence and the Machine

Sempre uma fada saltitante no palco, te levando a todos os mundos imaginários possíveis sendo uma grande orquestra, com harpas, órgãos, harmônicas, uma verdadeira maquina de música de qualidade que dispensa apresentações.

Tycho

Projeto do produtor e designer norte americano Scott Hansen, tem influências eletrônicas e post-punk. O show é um espetáculo de projeções, que tornam a apresentação não somente uma grande experiência sonora, mas também cinematográfica.

Atomic Bomb! Who is William Onyeabor?

Uma banda que reuniu vários artistas de renome  (Jamie Lidell, Charles Lloyd, Luke Jenner, Money Mark, Pat Mahoney, Sinkane e Mike Flosspara homenagear William Onyeabor, artista de funk nigeriano. Só dancei, pulei sem parar e foi nesse momento que pensei que tinha tomado a melhor decisão de escolher o Bonnaroo como parte das minhas férias. Em qual momento da minha vida teria a oportunidade de ver todo esse time para homenagear alguem tão brilhante como William Onyeabor?

War on Drugs

O álbum Lost in the Dream recebeu criticas como um dos melhores álbuns do ano, e tê-lo como trilha sonora com a vista de um pôr-de-sol único foi como estar curtindo no local certo e na hora certa.

Slayer

Sério, teve espaço até para os caras do metal mais pesado.

Songhoy Blues

Os malineses botaram a galera pra dançar debaixo de um sol torturante. Começaram fazendo música depois de fugir do norte do país, e tiveram sua primeira gravação a convite do Nick Zinner, do Yeah Yeah Yeahs.

So, let’s roo?

 

Thaísa e Marcos Por Thaísa e Marcos

Thaísa e Marcos descobriram recentemente que melhor que viajar é viajar para curtir festivais. Desde então, os dois gastam milhas e dinheiro pra se divertir Brasil e mundo a fora.

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