Lollapalooza Brasil: Poucos Anos, Muitas Mudanças - Pulso

Lollapalooza Brasil: Poucos Anos, Muitas Mudanças

Ansiedade já bate forte. A menos de um mês do Lollapalooza Brasil, um dos maiores festivais de música nacional, é hora de revirar o baú da nostalgia e caçar as impressões que ficaram das três edições já realizadas e projetar o que está por vir, ano de consolidação do evento em sua nova casa, o Autódromo de Interlagos, em São Paulo, nos dias 28 e 29 de março.

Antes de entrar no modo aquecimento para enfrentar as 46 atrações do festival, é necessário observar as mudanças pelas quais o Lolla passou nesse curto intervalo – desde a produção, programação e o público.

Lollapalooza Brasil

UM NOVO LOLLA

O Lollapalooza chegou ao Brasil pela primeira vez em 2012 com a organização da GEO Eventos. Porém, a partir de 2014, a Time For Fun passou a ser a realizadora do festival.

Pro empreendimento, sensíveis mudanças. O amplo espaço de Interlagos resolveu um dos grandes problemas do Jockey: o vazamento de som entre os palcos. Sem contar que é um local bem mais refrescante, que mesmo debaixo de sol forte é suportável. A mudança trouxe a grama/asfalto. Nunca mais afundar na lama como em 2013!

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Claro, sempre vai haver quem diga que a distância entre os palcos um erro. Nem dê bola! Pobres deles que não tem espírito de festival. Porque, seja no Brasil, Europa ou Estados Unidos, a palavra de qualquer evento desse porte é “andar”. A questão é outra: o mau aproveitamento na circulação, como entre os palcos Skol, onde tocaram Muse e Arcade Fire, e Interlagos, que foi casa de Lorde e Disclosure. E ainda tinha o Chef Stage entre eles, o que só bloqueava o já lento trânsito.

A mudança de produção também trouxe áreas bem localizadas para merch, locais de descanso, banheiros funcionais, boa comida e diferentes atividades espalhadas, que deram ao Lollapalooza uma “cara de festival” inexistente nos outros anos.

NEM TÃO UNIVERSAIS

Se o Lolla passa ao largo de ter uma programação popular, como um Rock In Rio, em quatro anos, é perceptível que a proposta não é ser tão alternativo assim. É só olhar o pôster de divulgação da primeira edição, em 2012, que trazia, por exemplo, MGMT e TV On The Radio como penúltima atrações de seus palcos. Papel que em 2015 será desempenhado por Robert Plant (só vocalista do Led Zeppelin) e Calvin Harris – hoje muito mais bombado do que em sua estreia pelas terras brasileiras de grandes festivais.

Esse avanço popular é explicado pela dificuldade de atrair “novos headliners”, o que acaba gera a repetição da programação para jogar o festival na zona de conforto, em que um velho nome será capaz de mobilizar a massa. Cenário bem desenhado pela escassez de nomes universais e ascensão de nichos, mas que garantem, a revelia, ótimos shows.

DEUSES NICHOS

No ano de estreia, em 2012, não teve apresentação que batesse a do Band Of Horses. Show redondo, emocionante e que proporcionou um dos finais de tarde mais inesquecíveis da vida dos que lá estavam presentes. Se os quase 75 mil presentes esperaram ansiosos o Foo Fighters no palco principal, não tinham noção da maravilha alt-country e folk-rock que rolava no Palco Butantã. Valeu o ingresso e deixou lágrimas e saudades.

Já em 2013, veio a acachapante estreia do Alabama Shakes nos palcos nacionais. Brittany Howard assombrou com sua voz em um dia de concorrência braba: Black Keys, Queens Of The Stone Age, Two Door Cinema Club e Franz Ferdinand. Não é qualquer banda revelação que rouba a cena em um festival desse porte.

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Na última edição o Arcade Fire dispensava apresentações e era show obrigatório para fechar com classe a o baile de debutantes no Autódromo. E se o último dia terminou no brilho dos canadenses, ele começou na raça com o melhor show nacional de 2014, o do Apanhador Só. Imensos ou nanicos para o mercado não vale tanto em cima do palco quando se tem boas músicas para tocar e público entusiasmado.

De 2015, aguardem boas surpresas. No dia 28, a ordem é chegar cedo para ver os novatos da Baleia, cariocas que acabaram de dar os primeiros passos, mas que são gigantes ao vivo. Se a música nacional passa por mudanças, a big band é motor dessa transição. Olho vivo! Ainda dá para colocar no mesmo bolo de shows imperdíveis o Boogarins, St. Vincent e Alt-J.

Se a ordem do dia é a ascensão dos nichos, não leve a mal o Lolla, pois ao apostar em Pharrell para fechar o festival a resposta está mais do que clara: no Brasil é preciso sobreviver primeiro depois ousar.

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