Experiência MECA: Do Inhotim ao Morro da Urca - Pulso

Experiência MECA: Do Inhotim ao Morro da Urca

Ao descer no bondinho próximo das 5:20 a.m vendo o céu amanhecer, onde uma paleta de cores da família dos azuis delineava as montanhas da cidade maravilhosa, entendi que experiência MECAUrca tinha chegado ao fim.

Assim como a primeira edição do MECAInhotim, realizada em novembro de 2016 durante um final de semana chuvoso na região mineira, o MECAUrca honrou com a proposta de uma experiência indie e contemporânea, que reúne um misto de estética dos filmes “Faça a Coisa Certa” com “De Volta Para o Futuro – 1 e 2” somados ao delicioso lineup e uma organização impecável, em ambos os eventos.

A relação sinestésica com o lugar demonstra claramente que tudo foi pensado para que a relação com o meio fosse diferente.

É impossível ser apático a vista que o morro do Pão de Açúcar lhe concede e às obras incríveis de Inhotim.

Foto Divulgação

O propósito da visita simplesmente se transforma quando seus sentidos são aguçados com os sons e as intervenções feitas pelos organizadores.

Moro no Rio há quase 8 anos e perdi as contas de quantas vezes subi no Pão de Açúcar, seja de bondinho ou pela trilha, seja como turista ou apenas para contemplar a vista e também em algumas outras festas.

Não posso negar que a plataforma MECA me seduz, seja pelo formato como eles se propõem em existir ou pelos eventos que realizam.

Foto Divulgação

Resolvi apostar as fichas comprando o ingresso do 1º lote sem o lineup definido e querendo saber como eu poderia viver uma experiência diferente em um lugar totalmente conhecido por mim.

Ainda bem que minha intuição estava certa e o evento não deixou nada a desejar em termos de vibrações positivas e a abertura para artistas não tão conhecidos do publico, mas que são certamente novos nomes nos cenários musical e, digamos, festivos.

Os festivais MECA proporcionam uma imersão em um ambiente que conversa com a liberdade criativa. O conceito indie se aplica à proposta do evento, que traz conteúdos que não nasceram para o mainstream e que mantêm a proposta de apreciação do autêntico.

Outro ponto altamente relevante é a limitação dos convites, seguido à risca. Sabemos que qualquer evento pode ir por água abaixo se a quantidade de pessoas ultrapassar a densidade demográfica permitida.

I Hate Flash

Em ambas as experiências a quantidade de pessoas estava exata. Nem vazio e nem cheio, na medida.

O preço do ingresso também foi bastante acessível, paguei 50 reais no primeiro lote com valor de meia, porém havia a opção de comprar a meia entrada levando um livro. Levei um livro mesmo assim e acho que, de fato, a inteira valia os 100 reais.

No bar a água custou 5 reais e a cerveja 10 reais. Os drinks, como a Gin Tonica, custavam 25 reais.  Em Inhotim a realidade foi um pouco diferente, lembro que paguei 490 reais para os dois dias de evento (+ 275 reais da barraca de camping). Em 2017 o passaporte para 3 dias custou 390 reais.

I Hate Flash

Comparar esses dois eventos seria um erro, visto que o MECAUrca teve como foco principal a parte musical sem as outras atrações como as palestras e oficinas que aconteceram no MECAInhotim.

Porém é fácil notar que o DNA desses eventos certamente está em transformar um lugar conhecido do público, geralmente usados para contemplação de paisagens, obras, intervenções e afins, para um lugar de troca, com opções de conteúdo diversas para que a sua relação com o meio seja modificada através de diferentes sensações.

Sair do lugar de contemplação e se inserir no ambiente, assim defino a experiência MECA.

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