A diferença entre Rock in Rio Lisboa e Rock in Rio - Pulso

A diferença entre Rock in Rio Lisboa e Rock in Rio

Estive pela 1ª vez na edição lisboeta do maior festival do Brasil. Comparar o Rock in Rio Lisboa com o do Rio é como comparar Portugal com o Brasil.

Foto: Divulgação: Agencia Zero

A essência é bem parecida. Lá se fala português, check. O Palco Mundo, onde rolam as principais atrações musicais, é o mesmo (assim como a área VIP). Como no Rio, também vê-se ativações marcas para todos os lados, dando aquela sensação de estarmos em um grande shopping center ao ar livre.

Rola a roda gigante, a Rock Street, as lojas de merchandising e o chafariz na entrada para aquela selfie check-in. Até o público é bem parecido nos dois eventos: muitas famílias, gente de todas as idades e tipos.

Mas as semelhanças terminam por aí. Quais as diferenças entre o Rock in Rio Lisboa e do Rio?

Tamanho de festival boutique

Portugal, o país, é um pouco maior que o estado do Rio de Janeiro. O Brasil é gigantesco. Assim como o Rock in Rio do Rio, que chegou a comportar 125 mil pessoas por dia em sua última edição.

Em Portugal, o festival é proporcionalmente menor. O único dia esgotado (sold out) foi o do Bruno Mars e Anitta,  por onde cerca de 80 mil pessoas passaram. O dia mais vazio, da banda The Killers e do duo eletrônico Chemical Brothers, não havia mais que 30 mil pessoas.

Anitta. Foto: Divulgação

O Rock in Rio Lisboa tem 4 dias (em contraste com os 7 do Brasil) e é um festival bem mais compacto. A julgar pela presença de público nos 4 dias de evento, fica claro também que a marca em Lisboa não tem a mesma força que no Brasil.

Vale registrar que, apesar do tamanho reduzido, somente em 2016, 249 festivais foram realizados em Portugal, o que torna este mercado ainda mais competitivo que no Brasil.

Local (e acessos) típicos dos festivais europeu

A vibe do parque Bela Vista. Foto: divulgação

Uma das diferenças mais bacanas a favor de Lisboa é o local onde o evento acontece. O parque Bela Vista é um lugar perfeito para um festival. Gramados, colinas verdes que formam verdadeiros anfiteatros naturais, árvores, natureza, sombra e água fresca (sim, havia bebedouros espalhados pelo festival onde era possível beber água de graça).

O parque virou Jurassic na exposição de dinossauros para crianças. Foto: Divulgação

Sobre acessos. É muito tranquilo chegar e sair do parque. Uma linha de metrô funcionava até às 3:00 da manhã, horário de encerramento do festival. Também havia muita opção de Uber e taxis. O parque fica há uns 5Km do centro de Lisboa, é bem mais relax o deslocamento até lá que na Cidade do Rock carioca.

Palco Mundo é o único igual

O Palco Mundo é o mesmo nos dois festivais, sem tirar nem pôr. Já os demais, são bem diferentes. Em Lisboa, foi criado para esta edição o palco Music Valley, que era uma união dos palcos Sunset com o Eletrônica. Também havia o palco dos influencers digitais e a Arena de Games, ambas estreantes nesta edição de Lisboa (e em formato também reduzido quando comparado com o Brasil).

Music Valley. Foto: Divulgação

Comes e bebes como reis

Além dos pontos de água gratuita, no Rock in Rio Lisboa havia um quiosque de vinhos locais (obrigado, produção!). Diferente do Brasil, onde só se bebe destilados na área VIP, em Lisboa havia alguns bares vendendo drinks com a cachaça 51 para o grande público.

Time Out Market. Foto: Divulgação

Havia todo o tipo de comida sendo vendido pelo festival, dos doces locais como pastéis de Belém aos hot dogs, pizzas e hamburgers.

A praça de alimentação gourmet, porém, é bastante diferente do Brasil. Em Lisboa, foi feita uma parceria com o Time Out Market, do Mercado da Ribeira. Restaurantes tradicionais assinados por chefes locais serviam pratos típicos locais. 

Muitas filas e um serviço demorado

Apesar do público mais reduzido que no Brasil, as filas do Rock in Rio Lisboa eram maiores e bem mais lentas que no Brasil.

Havia filas para tudo: para comprar bebidas e comidas, para ir aos banheiros e – especialmente – para participar das ativações de marcas.

Vi pessoas passarem o tempo todo de um show na fila para entrarem nos stands dos patrocinadores do festival. No que diz respeito à velocidade dos serviços, o Rock in Rio brasileiro dá aula em Lisboa. 

Uma sugestão seria o festival implementar o sistema cashless. Diferente do Brasil, cuja infraestrutura (e cultura) ainda é um desafio, na Europa a maioria dos grandes festivais já trabalha desta forma. No Sónar Barcelona, por exemplo, a velocidade para abastecer a pulseira e pegar bebidas foi surreal de rápida. Ademais, o Rock in Rio já testou este formato em sua edição nos EUA.

Balanço final

O Rock in Rio de Lisboa tem o mesmo DNA que o do Brasil. É um grande parque temático, com uma forte presença de marcas e uma programação musical pautada em astros da música pop (embora a Anitta, grande nome desta edição do festival, nunca tenha se apresentado no Rock in Rio do Brasil).

Contudo, diferente do Brasil, onde a marca nasceu como o primeiro grande festival do país (o nosso Woodstock), em Portugal ele é apenas mais um numa indústria consolidada e com outros concorrentes igualmente gigantes (inclusive em países vizinhos como Espanha, Inglaterra e França)

Consequentemente, diferente do Brasil em que todos os dias de festival esgotam-se independente do line-up, em Portugal o festival depende de headliners como Bruno Mars e Anitta para um sold out.

Daí, dois caminhos se apresentam: ou o festival assume sua natureza “boutique”, buscando um público reduzido em um line-up igualmente enxuto (como o NOS Primavera Sound de Porto, em comparação com sua edição original em Barcelona).

Ou permanece fiel ao modelo “greatest hits”, fórmula do sucesso no Brasil, assumindo grandes riscos financeiros condizentes à realidade reduzida e de vasta oferta de Portugal.

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