25 anos de Lollapalooza: Conheça a Trajetória do Festival Que Conquistou o Mundo - Pulso

25 anos de Lollapalooza: Conheça a Trajetória do Festival Que Conquistou o Mundo

No último final de semana de julho, Chicago vai receber mais uma vez o Lollapalooza, festival que comemora 25 anos em 2016. Para celebrar a data, o evento foi expandido e será realizado durante quatro dias, reunindo nomes como Red Hot Chili Peppers, Radiohead, LCD Soundsystem e Lana Del Rey, figurinhas carimbadas na maioria dos line-ups deste ano, entre os mais de 170 artistas confirmados.

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A origem do Lolla, contudo, é muito mais interessante do que o que foi preparado para festejar sua conturbada existência. Criado como um modo de dar adeus ao Jane’s Addiction, banda que catapultou o fundador Perry Farrell ao estrelato, o evento teve como inspiração o The Gathering of the Tribes (também organizado por outro artista: Ian Astbury, do The Cult) e acontecia de modo itinerante pelos Estados Unidos. A premissa era lançar luz sobre artistas alternativos que mereciam destaque aos olhos de seu idealizador.

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Visionário, Farrell pegou o embalo do grunge dos anos 90 e apostou em line-ups (1991, 1992, 1993, 1994 e 1995) de dar inveja a qualquer festival de rock alternativo atual como, por exemplo, Pearl Jam, Soundgarden, Stone Temple Pilots, Living Colour, Nine Inch Nails, Violent Femmes, Rage Against the Machine, Temple of the Dog, Primus, Alice in Chains, Tool, Sonic Youth, Smashing Pumpkins,The Breeders, L7, Green Day e Red Hot Chili Peppers na talvez melhor fase da banda, pós lançamento do clássico Blood Sugar Sex Magik

Além disso, o multifacetado artista sempre apostou na experiência e desde 1991 investiu em outras atrações paralelas aos shows envolvendo tatuadores, práticas circenses e atividades lúdicas num geral.

Enquanto Farrell esteve bem próximo da curadoria do Lollapalooza, o festival fluiu maravilhosamente bem. Foi quando ele se afastou da produção para se dedicar a outros projetos que o evento perdeu sua identidade, em meados de 1996 e, na edição seguinte, amargou um cancelamento que resultou numa pausa indefinida.

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Entretanto, o que inspirou o nascimento do Lolla também serviu como fonte de renovação da festa: em 2003, ao decidir que o Jane’s Addiction voltaria à ativa, Perry aproveitou para dar um gás no finado festival. A edição contou com um line-up de peso, incluindo, além do retorno da própria banda do fundador, Queens of the Stone Age, Distillers, Incubus, Jurassic 5 e Audioslave, mas penou com a baixa venda de ingressos, muito aquém do esperado.

No ano seguinte, 2004, o evento foi mais uma vez cancelado e os organizadores precisaram arquitetar um novo modelo que se adaptasse à era vigente, onde o rock alternativo não era mais o gênero do momento.

Eis que em 2005, ao fechar parceria com a C3, empresa também responsável pelo Austin City Limits, o Lollapalooza respirou novos ares e abandonou o antigo esquema boêmio sem lar oficial. A partir daquele momento, o festival foi fixado no Grant Park, em Chicago, onde permanece até hoje, e passou a ser realizado durante dois dias. Com isso, o evento se estabeleceu no formato conhecido atualmente, mais diversificado e plural, porém sem perder a personalidade alternativa que o consagrou nos anos 90. Um desfecho extremamente favorável para todos os envolvidos.

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Com o sucesso da nova fase, o Lollapalooza pôde galgar novos terrenos e fez sua primeira edição na América do Sul, mais precisamente no Chile, em 2011. Ao sentir que o mercado latino respondeu positivamente à ideia, o próximo passo foi conquistar o Brasil, em 2012. Dito e feito: mais uma vitória para a carreira de Perry Farrell e, após a mudança do Jockey Club de São Paulo para o Autódromo de Interlagos, o festival se consolidou como peça-chave no calendário do entretenimento nacional.

Falando nisso, as datas da 6ª edição brasileira foram divulgadas recentemente: 25 e 26 de março de 2017.

Como expansão pouca é bobagem, o Lolla estreiou em 2013 na Argentina e agora se prepara para invadir a Colômbia em 2017 (a tentativa original rolou em 2016, mas devido ao cancelamento da headliner Rihanna, o evento inteiro foi por água abaixo). Isso tudo sem contar a primeira empreitada europeia, iniciada em 2015 com a adição do Lolla Berlim (outro êxito para a trajetória do festival) no mapa, e o fracassado Lolla Tel Aviv, em Israel, que foi abruptamente anulado antes mesmo de ocorrer, em 2013, sem mais informações a respeito.

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Porém, se você achou que depois de tudo isso o Lollapalooza havia finalmente se acomodado e encontrado uma mina de ouro, está mais uma vez enganado. O sempre revolucionário (e polêmico) Perry Farrell anunciou há poucos dias que o “EDM o faz ter ânsia de vômito” e que a festa vem tomando rumos que não o agradam. Segundo o artista, o Palco Perry perdeu a essência house, sua vertente favorita, e agora não o representa mais. Por isso, ele pretende criar um novo festival (!) num período de 1 ano e meio. 

“Será centrado na música. Irei criar uma nova cena, um novo local, uma nova vibe. A música será o coração de tudo, mas a experiência será completamente diferente. É tudo que posso dizer”. – Perry Farrell, em entrevista ao Chicago Tribune.

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É difícil prever o futuro do Lollapalooza. Apesar de todos os avanços globais da marca, é notório o quanto o mercado do entretenimento é incerto e funciona através de fases e modismos, sendo o festival um exemplo desta realidade. Se o evento vai se adaptar e seguir sua trajetória sem o olhar apurado de Farrell, ainda não podemos afirmar. O que nos resta, portanto, é aguardar pelos desdobramentos do novo projeto do artista e seguir atento às várias edições do Lolla pelo mundo. Em ambos os casos, fique tranquilo: o Pulso te manterá bem informado. 😉

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