7 de abril de 2016/POR Guga Rahner

Este ano, mais uma vez, tive a oportunidade de trabalhar no Winter Party Festival – um dos principais festivais gay do mundo, organizado e produzido pela National LGBTQ Task Force (ou somente Task Force) – uma das mais antigas ONGs dos EUA que luta pelos direitos de igualdade, além de financiarem e apoiarem diversos projetos que vão do combate a AIDS à legislação em diversas profundidades.

O fato do festival ser non-profit reflete diretamente no seu modo de gestão, o mindset é diferente. A começar que o grosso da operação é feita por voluntários, que este ano somaram 689 que fizeram desde descarregar caminhões à cobertura dos eventos. O fato de grande parte das pessoas estarem ali por vontade própria, sem recompensa direta além de contribuir para a comunidade, junto ao briefing de comportamento faz com que o festival seja conhecido como o “friendliest” do circuito gay.

O perfil dos voluntários é o mais variado que se pode imaginar. Desde de jovens nos seus 20 e poucos, que estão ali para conhecer novas pessoas e oportunidades de trabalho, à idosos que são voluntários há mais de década e dizem que esta é a maneira deles de apoiarem o trabalho da Task Force – lindo de se ver!

WELCOME CENTER

VOLUNTEER

Welcome Center no Hotel Shelborne – crédito Silvio Maranhão

A pluralidade do programa de eventos é outro diferencial. O festival não é somente sobre festas eletrônicas – apesar de ser a maior procura – tendo diversos eventos sociais como exposições de arte, cinema, compras, happy hours, homenagens e coquetéis. É possível ver o crescimento destas propostas ano a ano, onde importantes figuras marcam presença, como o prefeito de Miami Beach, que discursou no coquetel de abertura, e também o detetive Juan Sanchez, homenageado este ano por ser responsável por um programa de relação da polícia com a comunidade LGBTQ.

PREFEITO

Prefeito de Miami Beach Philip Levine – crédito Silvio Maranhão

ART SCAPE II

A Chair da Task Force Rea Carey no Art Scape – crédito Silvio Maranhão

As festas

Não é a toa que a maioria dos eventos do festival estavam sold out antes mesmo de começar, pois os principais nomes da cena estavam confirmados como Abel, Ralphi Rosario, Danny Verde, Isaac Escalante, Ivan Gomes, Grind, entre outros, que se apresentaram em clubes como Space Miami e Icon (antiga Mansion), na Under One Sun Pool Party no Hotel Shleborne e na sempre memorável Beach Party, que acontece no domingo a tarde nas areias de South Beach.

SPACE

Space Miami sold out – crédito Silvio Maranhão

WE

O selo espanhol We Party na Icon – crédito Silvio Maranhão

A música dos festivais gays é algo muito característica e no Winter Party não foi diferente. Tribal House acelerado – batendo às vezes lá pra 134 bpm – com muitos mash-ups e reworks com os vocais do momento mais uma pitada aqui e acolá de House – principalmente nas day parties.

POOL

Under One Sun Pool Party também sold out – crédito Silvio Maranhão

O destaque mais uma vez foi a Beach Party. Mais de 5 mil pessoas se jogaram nas areias de South Beach com aquele tempo que só o inverno de Miami pode oferecer sob uma produção impecável super colorida mais a vista do mar cristalino. Fica difícil não ser memorável. Os headliners DJ Grind e Toy Armada, parceiros de produção, fizeram um b2b inédito e deram um tom diferente, indo pra uma pegada mais House com vocais de clássicos como “Love is in the air”, “One night in heaven”, “I learned from the best”, e outros mais.

BEACH

5 mil pessoas em South Beach – crédito Silvio Maranhão

TOY GRIND

Os headliners Toy Armada e DJ Grind – crédito Dale Stine

BEACH PARTY AEREA

Viva o drone! – crédito unkown

Behind the scenes

Uma das coisas que mais curto no meu trabalho é ter a oportunidade de ver de perto como a cultura de cada país influencia no modo como as pessoas trabalham. Os americanos, metódicos e diretos, sempre me fazem aprender demais. O fato de terem uma equipe bem grande reduz a carga de trabalho aumentando o foco nas responsabilidades, que ainda conta com o apoio dos voluntários.

Diariamente rola a reunião de produção – mais de 20 pessoas – onde são passados os tópicos, programação do dia, além de discutir os problemas ocorridos no dia anterior e arranjadas tais soluções. Em uma hora a reunião está feita – objetividade do início ao fim.

MEETING

Reunião diária da produção – crédito unknown

Poder ter essas experiências é um fator determinante para eu trabalhar com entretenimento. Este festival vai além da proposta de diversão e sempre volto com a motivação renovada, não só pelas referências artísticas e organizacionais, mas muito motivado por ver o engajamento de voluntários tão diferentes entre si trabalhando por um resultado para a comunidade. Party with purpose nunca fez tanto sentido para mim! Vida longa ao Winter Party Festival!