4 de abril de 2019/POR Ana Luiza Cavalcante

Considerado um dos festivais mais aguardados do ano, o Ultra Music Festival, em Miami, é realizado sempre em março, no final do inverno e início da primavera. Esse ano o festival teve sua primeira edição em um novo local, o Virginia Key Beach.

Ultra Music Festival 2019: uma verdadeira maratona

O que para muitos era considerado um local incrível,  acabou se transformando em um caos e sofrendo com duras críticas de fracasso e desorganização, sendo comparado ao Fyre Festival – festival do rapper Ja Rule que seria realizado em uma ilha nas Bahamas.

Fui ao festival credenciada como imprensa. Além da pulseira de acesso, temos sala para recepcionar e entrevistar os artistas. Banheiros exclusivos, bar e alimentação durante todo o festival também são fornecidos para a equipe de imprensa que está ali trabalhando.

Logo na chegada do credenciamento reparei que era tudo bem organizado, com os shuttles saindo rapidamente tanto para o público geral quanto para nós da imprensa. No primeiro dia fui em um shuttle vazio, somente eu e mais quatro amigos que também estavam credenciados.

Um pequeno trânsito se formava na chegada no festival mas nada que a gente se importasse, afinal de contas, era o primeiro dia e estávamos todos ansiosos para ver as novidades do festival.

Afrojack no Main Stage

Logo na entrada havia uma escada que dividia o main stage dos demais palcos (Ultra Live, UMF Radio e World Wide) no lado direito. Já o Rasistance Island (Resistance Reflector, Arrival Stage, Oasis e Carl Cox Megastructure) ficava à esquerda.

O stage Spider by Arcadia não fez parte do festival esse ano. O palco está girando o mundo agora. Recentemente esteve no Ultra Austrália e Coreia do Sul.

Segui para a esquerda onde meu destino eram os palcos do techno, logo de cara eram 15 minutos de caminhada para chegar onde estava o Reflector Stage e o Arrival Stage, palcos secundários do Resistance Island. O stage principal era o Carl Cox Megastructure, assinado pelo próprio DJ e produtor. Até lá eram mais 10 minutos de caminhada.

Resistance – Carl Cox Megastructure

O Resistance Island ficou muito legal, porém o espaço ficou mal utilizado. Poucos banheiros, nenhuma sinalização com o nome dos stages, uma estação de água free, que deveriam ter mais duas ou três, já que a área era tão grande.

Se da entrada que eu relatei que eram mais ou menos 25 minutos de caminhada até o último stage, imagina agora andar até o main stage que era na outra ponta da ilha do festival… eram mais ou menos 45 minutos de caminhada.

Realmente um saga cansativa e desgastante ficar se deslocando de um lugar para outro. E o pior, no Resistance Island não tinha sala de imprensa, o que dificultava mais ainda o nosso trabalho. Sem contar que o acesso ao PIT era desconhecido pela equipe da segurança do palco.

Resistance – Carlx Cox Megastructure

Água de graça é sempre bom, mas colocar uma estação no main stage é sacanagem. A área de maior movimentação do festival, com certeza, foi a mais prejudicada. Tantas filas que era praticamente impossível utilizar a estação.

No Resistance Island, apesar de ter apenas uma estação, ela sempre estava vazia e sem filas, o que facilitava a sua utilização. O problema era só se deslocar até lá…

Problemas a parte, vamos para a parte boa. Realmente o festival não mede esforços para impressionar com seus palcos, led, iluminação e lineup.

Qualidade musical impecável, mas sem nenhuma entrega de cenografia e ativação de marca. O que me fazia lembrar qualquer festival de música eletrônica que já fui no Brasil. Salvo apenas pela música!

Resistance – Arrival Stage

O Mission Home, proposta do festival para preservação do meio ambiente do local, foi muito bem feito. Haviam diversas lixeiras para separação do lixo orgânico e reciclável e toda hora a equipe da limpeza passava retirando o lixo e levando até o local destinado para a separação dos resíduos.

Outro ponto importante foi a preservação dos animais, já que não haviam fogos de artíficio nessa edição. Ponto positivo para o festival na questão sustentável, mandaram muito bem!

O ponto mais fraco e a causa do caos e relação ao Fyre Festival, sem dúvida, foi o acesso aos shuttle na saída do Ultra no primeiro e no segundo dia. Falta de organização, falta de informação e preparo do equipe responsável pelos shuttles.

Quem se programou para sair com antecedência deu sorte, pois não enfrentava as filas gigantes para entrar nos shuttles e muito menos a falta deles.

No primeiro dia, devido a grande movimentação de pessoas nas ruas, ocorreu um acidente e a polícia fechou a via de acesso e travou todos os shuttles de entrarem e saírem da região.

Foram 2h de trânsito parado e muita revolta de quem queria ir para casa. Alguns amigos relataram que atravessaram a pé a ponte que dá o acesso do festival até Downtown, mais ou menos 6km de caminhada, depois de 12h de festival. Surreal!

No sábado, o problema foi outro. A organização sinalizou melhor o festival, mas fechou as saídas, obrigando as pessoas a entrarem nas filas em direção aos shuttles.

Achamos uma saída de pedestre muito escondida, mas que foi a salvação. Saímos por ela e em 5 minutos entramos no shuttle sem nenhum problema. Mas até descobrir essa saída, discutimos com diversas pessoas da equipe e ninguém soube explicar o por que a saída ali não era permitida para pedestre que não gostaria de pegar o shuttle em questão.

Já no domingo, último dia do festival os problemas foram solucionados e tudo ocorreu bem. No saldo final, a experiência em si do festival é bacana, mas não vale o investimento.

OS MELHORES SHOWS

Black Coffee: Para mim era o show mais aguardado de todo o lineup. Uma mistura de house, tech house, sons africanos, instrumentos variados e muito groove. Black Coffee era um dos poucos artistas que eu ainda não tinha visto. No meio do set ele soltou um mashup de Thriller do Michael Jackson, muito sensacional!

Camelphat B2B Solardo: Camelphat foi uma das revelações de 2018 com as tracks: “Panic Room” e “Cola”. Já Solardo era um pouco mais desconhecido para mim, apesar de ter acompanhado o show durante a XXXperience no ano passado. Foi um show a parte, no palco mais eletrizante do Resistence Island. O Arrival, era uma espécie de ilha privativa, pois era um palco menor, e soltava umas chamas de fogo, literalmente o ambiente à altura desse B2B.

Hot Since 82: Em 2016 quando o assisti durante o Ultra Brasil achei um dos sets mais dançantes. Apesar de ter se apresentado ainda de dia, com as pessoas chegando no festival, Hot Since 82 foi incrível. Logo quando entrei ele estava fazendo uma virada para a ícone track de Guy Gerber, “What To Do”, não poderia ser melhor para me deixar ali bem próxima do palco.

Nic Fanciulli: Quando o vi pela primeira vez foi no palco Awaekenings no Electric Zoo Brasil, já me identifiquei logo de cara com o som para lá de pra frentex, com muita animação para se jogar na pista como se não houvesse amanhã!

Deadmau5: AMO de paixão o rato mais polêmico do mundo. O seu tão aguardando CUB V3, estava realmente incrível, led de 4k com imagens super definidas e divertidas. Sonoridade pura e clássica, com “Ghost Stuff”marcando a aparição de Deadmau5 durante sua apresentação. Além de um live de “Raise Weapon”, uma de suas tracks mais conhecidas. Mas como nem tudo pode ser perfeito, de repente, a energia do seu shows caiu e a mesa de som desligou. Foi uma decepção para o canadense que ficou super irritado com a equipe. Depois de alguns minutos de silêncio o som retornou, mas algumas pessoas já tinham se descolado e o show perdeu um certo encanto.

Ultra Live – Deadmau5 CUB V.3

Carl Cox: Se apresentou durante os três dias de festival, sexta durante um B2B com Adam Beyer, sábado um B2B com Marco Carola e ontem, enfim, sozinho. Puta vibe sonora e animada. Como Carlx Cox disse, o Resistance é a sua casa e ali estão todos os seus amigos e que festa com os melhores amigos é sempre mais divertida.

Resistance – Carl Cox Megastructure

Jamie Jones B2B Capriati: Capacete para a segurança de todos pois foi pedrada atrás de pedrada. Com classe e elegância não deixaram ninguém parado por 2 horas.

Maceo Plex: Um show para encantar e dançar. Maceo Plex sempre incrível não seria diferente.

Tale Of Us: Parecia um espetáculo de ópera. Regido por uma sinfônia de elementos musicais e instrumentos para lá de exóticos com uma pitada de sincronia com a iluminação do palco.

The Martinez Brothers: Quando você pensar em baile, pode ter certeza que The Martinez Brothers se encarregaram de cumprir essa promessa muito bem. No Ultra não seria diferente. Eles se apresentaram antes do B2B de Jamie Jones e Capriaiti, foi uma dobradinha sensacional para a pista que já estava com a vibe lá em cima !

Charlotte The Witte: Com um pequeno atraso para entrar no palco devido a problemas com a sua logística do Canadá para Miami, Charllote tocou aproximadamente 50 min, mas entrou chutando a porta de voadora! Som pesado, Techno reto e imponente. A mina realmente impôs respeito e mostrou que mesmo com seu tempo reduzido, soube aproveitá-lo da melhor forma.

Adam Beyer: REI é REI em qualquer das ocasiões, para fechar com chave de ouro o festival, Adam Beyer era a escolha certa. Com uma sonoridade mais pesada em relação aos demais, Beyer não mediu esforços para deixar a pista mais em ecstasy possível.

Anna: Nossa rainha se apresentou no sábado ainda de dia no Reflector Stage. Anna foi a única brasileira a representar nosso país no festival e como sempre fez bonito, set já conhecido de outras ocasiões mas que não perde a essência e por isso o deixa sempre incrível e marcante.