20 de agosto de 2018/POR Soraia Alves

Pulso Entrevista é uma série de bate-papos com produtores, criadores, curadores e todo mundo que faz os nossos queridos festivais acontecerem. Aqui você confere como surgiram esses festivais, o que está envolvido na realização de cada edição, curiosidades e muito mais!

Com 15 anos de estrada, o No Ar: Coquetel Molotov é um veterano. E nós sabemos que não é fácil para nenhum festival se manter ativo por tanto tempo. A edição de 2017 atraiu uma média de oito mil pessoas para o evento que  alia o melhor da música independente com as artes e a cultura na capital pernambucana.

O evento também ganhou o selo “Evento Neutro”, que funciona como um certificado de neutralização de carbono.

Para saber mais da história do Coquetel Molotv, e o que podemos esperar dessa edição tão especial de 2018, conversamos com Ana Garcia, uma das organizadoras do festival, que é um dos mais tradicionais do Recife.

Ana Garcia – Foto: Beto Figueiroa

De programa de rádio a festival

A história do Coquetel Molotov é das mais inspiradoras para os entusiastas da comunicação. Tudo começou como  começou como um programa de rádio enquanto Ana e mais quatro amigos estudavam jornalismo, em 2001. “A ideia era tocar o que cada um gostava, eu tinha um foco em música obscura dos anos 60 e 70, mas outros gostavam de bandas mais underground nacionais enquanto outros música pop”.

Quando Ana se mudou para Campinas, o jeito de continuar com o Coquetel Molotov foi adicionando um site ao programa. E foi vendo sua mãe escrevendo projetos e criando o festival Virtuosi, hoje com 21 anos de história, que surgiu a ideia de realizar a primeira edição do Coquetel Molotov, com Teenage Fanclub e outras bandas no lineup.

“Foi a primeira vez que realizamos um evento. Nunca vou esquecer de procurar alguém para montar o camarim nas páginas amarelas, enfim, fomos aprendendo tudo ali, na hora. Rolaram muitas lágrimas de nervosismo, mas foi lindo. Acho que realmente somos abençoados.”

O festival cresceu, mudou de formato e passou por adaptações naturais para se moldar às próximas edições seguintes. E isso também significa mais gastos e uma responsabilidade ainda maior. “O nosso maior obstáculo é financeiro, sem dúvida. Ele que nos impede de fazer melhor, maior e também nos faz ficar com medo de não conseguir fazer tudo da forma como deveria ser”, diz Ana.

Parcerias e editais ajudam nessa questão: “Temos tido a sorte de ter parceiros que nos acompanham por alguns anos já, como a Baterias Moura, Natura, Sebrae, Spotify, Cepe e AESO”.

Obstáculos vêm e vão, mas os aprendizados com eles sempre ficam: “Em 2016, colocamos mais pessoas que a nossa estrutura comportava. Então, tivemos muitos problemas de logística. Foi um grande aprendizado e resolvemos tudo no ano passado, indo para um novo lugar. Acho que cada ano tem um aprendizado diferente.”

Mudanças no mercado

Manter um festival acontecendo e evoluindo por todos esses anos também traz observações sobre as mudanças nesse nicho do mercado de entretenimento. Ana também enxerga como a Era das Experiências transformou esses eventos:

“Acho que a forma que as pessoas consomem música nos festivais mudou bastante e ter apenas palcos com shows não é suficiente. Então, o festival hoje tem uma parte gastronômica grande, que conta com uma feira com mais de 50 expositores, além de promover convenção de tatuagem, intervenções artísticas, entre outras ações.”

O Coquetel Molotov também aproveita para suprir a necessidade de um mercado específico – o do nordeste brasileiro. É ótimo ver festivais tendo seu espaço fora do eixo Rio-São Paulo e oferecendo eventos desse tipo em outras regiões do país.

E é exatamente esse pensamento de cultura acessível para todos que faz o festival também rodar o Brasil: “Apesar das dificuldades, Recife é muito acolhedor e o público é bastante especial. Aliás, não troco esse público por nada. Mas o Coquetel Molotov é do mundo e ele pode acontecer em qualquer cidade, já realizamos em Belo Jardim há 4 anos, Salvador há 3 anos, Belo Horizonte há 2 e vamos para São Paulo pela primeira vez ainda em 2018.”

Foto: Silla Cadengue

A música no Coquetel Molotov

Como tudo o que envolve um evento, o orçamento é parte importante para definir o lineup do Coquetel Molotov, mas não é a única questão.

“Tentamos sempre trazer artistas que estão tocando na cidade pela primeira vez ou que estão com algum lançamento, também escutamos muito o que público pede nas nossas redes sociais, sempre abrimos uma enquete pra saber o que eles querem. Além disso, viajamos muito para ver shows e sentir o que está rolando lá fora.”

Um importante destaque para os “checks” que a produção dá na hora de escolher os artistas do lineup é a preocupação em manter uma programação equilibrada em termos de gênero. Esse cuidado garantiu ao festival fazer parte do Keychange, uma iniciativa internacional que estimula o equilíbrio de gênero na programação dos festivais e encoraja as mulheres a transformarem o futuro da música.

O No Ar: Coquetel Molotov segue os passos do projeto e com isso integra um seleto grupo global de eventos, como Bestival, Reeperbahn Festival, Iceland Airwaves, Tallinn Music Week, Glasgow Jazz Festival e Liverpool Sound City. O festival do recife é o único representante da América Latina.

E como nem só de música vive um festival, experiências também não faltam. Inclusive, como destaca Ana, é importante ter até lugares de silêncio dentro do evento:

“Uma feira para o público passear, fazer compras, conhecer novas marcas, encontrar tudo o que gosta em um único local, poder fazer uma tatuagem nova e por aí vai. Tem a experiência gastronômica também, que dá a possibilidade de comer coisas diferentes e gostosas enquanto assiste a um show de longe. Além disso, as intervenções artísticas pegam as pessoas de surpresa em diferentes locais do espaço.”

Além de tudo isso, Ana frisa que o público contribui significativamente para a experiência que o festival proporciona, deixando tudo mais bonito.

Azealia Banks abre as comemorações dos 15 anos do Coquetel Molotov Foto: Divulgação

Coquetel Molotov 2018

Não é preciso dizer que a edição deste ano do Coquetel Molotov é mais que especial. Comemorando os 15 anos do festival, o público pode esperar novas misturas musicais.

A produção também destaca os muitos esforços para tornar o festival inclusivo: “Começamos uma consultoria com a Daniela Rorato, que coordena a In Soluções Inclusivas, criada para difundir conceitos inclusivos para marcas e empresas. Ela vai nos ajudar a tornar o Coquetel Molotov mais acessível possível”, ressalta Ana.

O Pulso vai conferir tudo isso de pertinho, e você também pode vir com a gente pelo OCLB Travel No Ar: Coquetel Molotov 15 anos – Recife Experience – De 13 a 18/11 de 2018. Para mais informações sobre as viagens, as vagas e as inscrições: www.oclb.com.br/travel

 

*Todas as informações sobre ingressos e o lineup completo da 15ª edição do No Ar: Coquetel Molotov, você encontra aqui.