Tomorrowland 2018: uma análise completa das experiências de um dos mais desejados festivais do mundo - Pulso

Tomorrowland 2018: uma análise completa das experiências de um dos mais desejados festivais do mundo

Nossa história com o Tomorrowland vem de um longo tempo. Durante 18 meses, trabalhamos com a equipe do festival, produzindo a pesquisa que os ajudou a lançar o evento no Brasil.

Nossa equipe no 1º Tomorrowland Brasil, em 2015

Em 2014, estivemos na Bélgica, na comemoração de 10 anos do festival. Em 2015, realizamos uma pesquisa de campo durante o Tomorrowland Brasil. Em 2016, claro, estávamos lá de novo.

Temos a sorte – e orgulho – de acompanhamos a história do festival do lado da produção. Por isso, escrever um artigo sobre este festival é sempre difícil. Como ser imparcial?

Dito isso, optamos por não escrever mais um review (veja aqui os de 2015 e 2016). No lugar, buscamos analisar “o que faz do Tomorrowland, o Tomorrowland“.

Ou seja, porque este evento virou um dos mais desejados e admirados festivais do mundo.

Segue o f/uxo.

Já imaginou um Tomorrowland só para você (ou quase)?

Estivemos nesta última edição do Tomorrowland a convite da produção.

Carol e eu, eu e Carol – e um Tomorrowland (quase) só nosso!

Por isso, tivemos acesso ao evento fechado que eles produzem no mesmo local do Tomorrowland entre os dois finais de semana do festival. Trata-se de um evento gratuito, somente para os moradores de Boom – cidade onde acontece o festival – e para convidados e membros da família da produção. Também é uma oportunidade para menores de 18 anos (de Boom) conhecerem o evento.

Neste dia, apenas 2 dos 15 palcos funcionam. Não acontece nenhuma apresentação no mainstage, mas ele faz parte da visita guiada que o festival oferece aos seus convidados. Nós fizemos parte de um destes grupos.

Durante alguns minutos, conseguimos ficar sozinhos em frente ao mainstage, hipnotizados com a riqueza de detalhes da cenografia. A edição deste ano, Planaxis, era uma viagem ao fundo do mar.

Durante o festival, no final de semana seguinte, foi curioso observarmos muitas pessoas entrando no clima do tema, vestindo fantasias de sereias, deuses do fundo do mar etc.

Vale destacar 2 aprendizados aqui:

1 – Ao fazer este evento para a vizinhança, o Tomorrowland não só está criando um desejo para futuras gerações (crianças e adolescentes que não podem ir pela falta de idade) como também uma bela ação política de relacionamento com a sociedade.

Especialmente no caso de um festival de música eletrônica, com todos os estigmas que o gênero carrega, ao convidar moradores locais para fazerem parte da festa, todos saem com uma imagem mais positiva do evento.

2 – Ao criar um tema a cada ano, o festival dá asas à imaginação de seus fãs, que começam a preparar suas fantasias com bastante antecedência. O mesmo caso se vê no Burning Man. Ou até no Coachella, sendo este outro tipo de “fantasia”.

Dreamville: esqueça tudo que você pensa sobre acampamento

Depois do evento no meio da semana, voltamos para a Antuérpia, onde escolhemos ficar hospedados. Primeiro, porque é a “grande” cidade da Bélgica mais próxima do festival. Segundo porque não curtimos acampar.

O trem da Antuérpia para Boom leva 30 minutos. Na estação, a equipe do Tomorrowland já está esperando a galera, dando instruções sobre como chegar no festival. Neste dia, pegamos um ônibus em direção ao Dreamville, o camping do evento.

O ônibus é gratuito para quem tem a entrada para o festival e circula de quinta a sábado (no domingo já não é possível fazer check in no camping).

Esqueça tudo que você pensa sobre acampamento: o Dreamville é mesmo um sonho de camping.

Têm chão de tábua corrida (apenas para a circulação, as barracas são montadas na grama mesmo), terreno regular, é iluminado e sinalizado, rolam vários banheiros e chuveiros em localizações estratégicas, enfim… toda estrutura básica para você acampar tranquilo e “favorável” (a depender das condições climáticas).

Mapa do Dreamville, uma verdadeira cidade dentro do Tomorrowland

Mas o Tomorrowland é conhecido por surpreender. Então, além da estrutura básica, eles criam um Market, ou seja, uma verdadeira mini-cidade dentro do Dreamville, que conta com um restaurante com café da manhã, um supermercado (do Carrefour), uma lavanderia e uma academia (!), um salão de beleza (da Wella), lojas de produtos para camping (p/ os desavisados de última hora), além, claro, de bares e tendas de comidas variadas.

Uma lavanderia dentro do camping. Já pensou?

Tudo isso – repito – com chão de madeira corrida, cenografia temática e ainda um palco exclusivo, o Gathering, que abre na quinta-feira, somente para as 35.000 pessoas que acampam no Dreamville.

Prestou atenção no número? 35.000 pessoas!

Uma masterclass de logística

No domingo, percebemos mais uma vantagem de ficar no camping. Da estação de trem de Boom até o festival, não circula mais ônibus. Isso quer dizer que você tem que andar cerca de 20 minutos na ida e – o pior – na volta…

Apesar do cansaço, mais vez a produção surpreende. Todo o trajeto é sinalizado, com faixas nas ruas e cercadinhos orientando o f/uxo. Na volta, existe a opção também de pegar um táxi tabelado direto para a Antuérpia (40 euros) ou Bruxelas (70 euros). Ah, não existe Uber ou Cabify na Bélgica, ok?

Sinalização nas ruas de Boom

Da estação de trem até a entrada do festival, existem banheiros espalhados (pra ninguém ser mal educado), assim como alguns pubs (com cervejas belgas!) e lanchonetes.

A revista do evento é minuciosa. A produção recomenda, via newsletter enviada na semana do festival, que o público não leve mochila pois a entrada será mais lenta. Sim, há entradas exclusivas para quem vai de mochila.

Assim que você entra no festival, dá de cara com um grande guarda-volumes. Na sequência, um primeiro bar para seu “welcome drink” (pago, claro). E banheiros. Isso tudo antes de ver o primeiro dos palcos.

É tudo que você quer ao chegar num evento. Jornada de experiências: check!

Obs: o trem da volta estava sempre tranquilo de encontrar um assento vazio, limpo, com ar-condicionado e pontos de energia para carregar o celular. Clap, clap, clap.

Um festival para o seu Instagram chamar de seu

Outro acerto do Tomorrowland é o horário do festival. Das 12h à 1h da manhã na sexta e sábado. Até a meia-noite no domingo. Lá anoitece somente por volta das 21h30. Isso faz com que até os mais exaltados sejam obrigados a descansar para aproveitar o dia seguinte.

Um festival pra curtir o dia

A cenografia do Tomorrowland é pensada para o dia e também para a noite. Alguns efeitos são só possíveis ver pela noite. O que faz o festival se tornar ainda mais mágico.

Palcos que surpreendem de dia – e de noite!

São 15 palcos e – todos eles – sem exceção, tem um quê especial. É claro que o mainstage é o principal, mas não vi nenhum dos demais vazios. Alguns surpreendem pelo tamanho. Outros pela iluminação. Alguns pela localização. E tem palcos que mais se parecem com carros alegóricos, com direito a movimentos e efeitos pirotécnicos.

O palco Core, no meio da Floresta, era um dos nossos preferidos

Entre um palco e outro, bares temáticos, atores fantasiados, dançarinos, carros que soltam bolhas de sabão, placas com sinais curiosos, chafariz em forma de flores cenográficas nos lagos, enfim…  

Workshop para aprender a fazer arranjos com flores

Tudo milimetricamente feito para virar uma foto ou vídeo em seu instagram.

Bebida e comida para todos os gostos

Se o seu lance é a experiência gastronômica, o Tomorrowland também capricha nesta área. Já escrevemos um post inteiro só pra falar deste assunto. E outro também só sobre sua loja de merchandising.

Programação musical : um carnaval eletrônico

Em 2012, cerca de 400 artistas se apresentaram no festival. A média se manteve ao longo dos anos. A grande maioria são DJs de música eletrônica. De todos os gêneros.

Uma das grandes sacadas da produção é mudar as festas que assinam cada palco em cada ao longo do final de semana (exceto o mainstage). Isso faz com que cada dia pareça um festival diferente. Você não vai escutar o mesmo tipo de som naquela pista que curtiu tanto no dia anterior.

Apesar da grande quantidade de DJs, o Tomorrowland não é um festival para que busca novidades. Ali estão os “top of the pop”. Isso vale até mesmo para as estrelas da “cena underground”: Richie Hawtin, Sven Väth, Âme e Rødhåd estavam lá. Para minha surpresa, Solomun e a dinamarquesa Charlotte de Witte tocaram no mainstage deste ano. Detalhe: o video dela já é um dos mais assistidos, com mais de 1.5 milhões de views (e vale mesmo a pena ver de novo).

Se você quer FESTA, o Tomorrowland entrega. É um grande Carnaval eletrônico.

Alok enchendo a pista de verde e amarelo

Alguma crítica?

Poucas, mas importantes.

O evento é cheio demais, beirando o desconfortável. É um ponto de atenção para um festival que prima pela experiência das pessoas.

De longe, parece vazio… só parece

Em alguns momentos, a circulação é lentíssima, como se você estivesse cruzando uma procissão. Em dois momentos diferentes, não conseguimos entrar em duas pois elas estavam no seu limite. Também existe um gargalo de locomoção no ponto de cruzamento entre a entrada do mainstage, um bar e um banheiro que precisa ser repensado.  

Outro detalhe: não encontrei nenhum ponto gratuito para carregar celular.

A produção montou um plano de emergência para redução de danos em função do calor. Ao comprar uma água, você ganhava duas. Nos banheiros havia pontos para encher sua garrafa. Embora não houvesse filas para o xixi, elas se formavam para carregar as garrafinhas de água nas saídas dos banheiros. Poderia haver mais pontos.

O único lugar que vi mais fila pra encher a garrafa d’água que pra ir ao banheiro

Dentre todos os festivais que estivemos na Europa, Estados Unidos e Ásia, porém, os preços do Tomorrowland foram os mais caros. Uma cerveja de 500ml custa em média R$ 27,00.

Contudo, vale esclarecer que a produção entrega uma qualidade de serviço e experiência à altura do que cobram.

Quase não havia fila nos banheiros e os bares trabalhavam com um sistema de gavetas parecido com as grandes redes de fast-food, fazendo com que mesmo com fila, a espera para pegar cerveja era pequena.

Para a quantidade de pessoas dentro do evento, foi um dos melhores serviços de festival que já vi até hoje.

15 anos de Tomorrowland em 2019: Vamos nesta?

Se você planeja ir ao Tomorrowland e quer fazer parte de um grupo reduzido com acesso à uma programação exclusiva de experiências e atividades, além dos ingressos para o festival, entre com contato com a gente aqui.

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