Sónar Barcelona 2015: O Que Mandou Bem, O Que Mandou Mal


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Rolou entre os dias 18 a 20 de junho mais uma edição do Sónar Festival Barcelona. Conferi o evento in loco e listo abaixo os altos e baixos de um dos maiores e mais respeitados festivais de música eletrônica do mundo.

MANDOU BEM

Chemical Brothers – A dupla mandou muito muito bem na estreia do novo show. Quatro músicas novas apareceram na apresentação de 1h30 e alguns clássicos voltaram (‘Song to the Siren’, do primeiro álbum, OBRIGADO!). Visualmente poderia ter sido mais ousado – vi algumas coisas requentadas de turnês anteriores -, mas não comprometeu. Tocaram no Sónar Club, palco coberto. E, a julgar pela lotação do lugar, TODAS as pessoas do evento pareciam estar ali naquele momento… 

Evian Christ – É impressionante o domínio técnico e segurança que tem o moleque Evian Christ (foto abaixo) – ele faz exatamente o que quer com os beats, não apenas o que dá. É um show de frequências graves, aliadas a vocais picotados, camadas e mais camadas de teclados, batidas quebradas e nenhuma preocupação em te fazer dançar. Não é show para bombar pista de dança. Mas duvido alguém sair indiferente àquele clima dark, agressivo, intenso, claustrofóbico.

evianChrist_Hall_Sonar2015_ArielMartini-(6)

Sonar Cashless – Esse ano não teve dinheiro circulando pelo evento. Bebidas, comidas e merchandising só podiam ser comprados via pulseira previamente carregada com euros (em dinheiro vivo ou cartões). Acabou o festival e sobrou $$ na pulseira? Era só pegar o refund na saída. Que acerto da produção: ganhamos tempo e deixou tudo mais prático.

Kiasmos – A dupla nórdica (na foto maior) arrastou uma multidão (para mim surpreendente) para o Sónar Hall e fez um showzaço com mais punch do que esperava, uma vez que no álbum eles são quase suaves. A melodia linda de ‘Looped’ deu o tom da primeira metade do show. E a combinação tensão + beleza de ‘Burnt’ guiou a parte final – deve ter gente zonza até agora com aquela intensidade toda.

Engenheiros de som – Apesar de um probleminha ou outro, vale mandar – mais uma vez – um beijo e um abraço calorosos para os engenheiros de som do festival. Em todos os palcos tínhamos som alto e limpo, o que faz toda diferença num evento desses.

Jamie XX – Um dos grandes sets da edição 2015. O som perfeito do Sónar Pub foi essencial para o sucesso de Jamie e da mistureba perfeita de soul, grooves e uk bass. A abertura de mais de um minuto com somente um accapela de um soul lindo (alguém descobriu o que é?) deu o clima para o que viria: riffs do XX em cima de beat techno, groove setentista com melodias vocais da sua banda original, singles de seu álbum recheando o set. E foi no set do menino Jamie que aconteceu o melhor momento de todo o Sónar para mim: a sequência ‘Just’, do Bicep, seguida de ‘Oh My Gosh’, dele mesmo. O breakbeat e o grave das duas músicas batendo no peito… Nunca esquecerei.

Roof_Sonar2015_ArielMartini-(6)

Valesuchi – Fui ali no palco ao lado pegar uma cerveja descompromissada e esbarrei num dos melhores sets do sábado – nunca tinha ouvido falar da tal chilena. Techno percussivo, técnica impecável e repertório excelente… Pena que meu Shazam não acertou uma.

Hot Chip – Encerraram a porção dia da quinta-feira com um show muito bom. Deu para perceber que estão tocando melhor, e particularmente gosto muito dos arranjos diferentes dos hits ao vivo. Aquelas três baladinhas insossas ali no meio é que não precisavam.

Laurent Garnier – Como em 2013, encerrando o Sónar Pub. Set de techno que espanta a canseira e deixa um sorriso no rosto. Laurent combina perfeitamente melodias e pancada, acho que não há ninguém mais eficiente para fazer 10 mil pessoas completamente cansadas e cagadas dançar àquela altura do campeonato.

Koreless + Emmanuel Biard – The Well – Show sentado no auditório, cabeçudão. Casamento muito feliz entre música e show de luzes.

TEED – House clássico com BPM aceleradinho, não estava nem aí para experimentações, queria era festa.

Tiga Live – A estreia do tão esperado live do canadense foi ótima. E teve surpresa: ele canta! Isso mesmo, o moço deu uma de crooner e, além de tocar, cantou todos os hinos – ‘Sunglasses at night’, ‘Bugatti’, ‘Mind Dimension’. Curti.

Siriusmodeselektor – No meio do 4×4 dominante em praticamente todos os shows da noite, as batidas quebradas do Modeselektor são um respiro necessário.

Henrik Schwarz – Só vejo esse careca arrebentando.

ESPERAVA MAIS

Pional Live – Tocando em casa, a responsabilidade era grande. Segurou bem a onda e, assim como Tiga, também cantou em seu live. Mas não foi aquele show assim fodão, saca?

Arthur Baker – O homem que produziu ‘Planet Rock’ se mostrou menos habilidoso como DJ. Ficou num set de techno meio sem personalidade, definitivamente aquém de sua importância. Ainda foi prejudicado por um pau no mixer que interrompeu o set por uns 5 minutos.

J.E.T.S. – Nem fedeu, nem cheirou. Se tivessem salpicado um pouquinho mais de bass teria sido mais bacana.

Daniel Avery – Acho que eu não estava preparado para o clima superdark naquele momento.

MANDOU MAL

Superlotação da sexta à noite – A combinação (eu acho que foi isso) de Skrillex, Jamie XX e Hot Chip quase fizeram da sexta à noite, mas quase mesmo, uma grande roubada. De todas as edições a que fui, nunca vi o Sónar tão cheio – entre 1am e 3am, banheiros e bares (principalmente) eram um caos completo. Foi um sinal claro de que o festival está ficando grande demais e, como consequência, se descaracterizando. Deu uma desanimada, confesso, e repensei bastante nessas duas horas se quero voltar ano que vem.

Mancadas da curadoria/programação 
– Hot Chip fazendo dois shows iguais: um de dia e um de noite. O MESMO show. WTF???
– Flying Lotus tocando para um palco vazio na mesma hora do Chemical Brothers;
– Owen Pallet e seus violinos com-ple-ta-men-te deslocados num dos horários nobres da parte Dia;
– Rone, um dos nomes franceses mais bacanas, passando absolutamente batido por ter sido escalado em palco e horário ingratos à noite.

Hudson Mohawke – Disparado a pior coisa que vi esse ano (e em muitos outros). Hudson está claramente se afastando do que o projetou: trap sem frescura, está deixando de lado o bass in your face. O único momento em que acenou para este seu passado foi quando soltou um pedaço tímido de um hit do TNGHT (projeto que tem com o rapper Lunice). Para este show, tocou as músicas novas, que são sofríveis, pobres, de melodias cafonas e completamente perdidas. As pessoas se entreolhavam sem entender o que estava acontecendo. Mohawke provavelmente está tentando ser ‘músico’, se preocupando com melodias, refrões, arranjos vocais. Ainda está errando, mas errando muito muito muito rude.

Arca & Jesse Kanda – É tanto conceito que acho que nem ele entende o que está fazendo.

2 Bears – O vocal do outro gordinho (não o do Hot Chip) funciona em disco, mas enterra a banda ao vivo. Se fosse um DJ set teria sido bom.
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