Sim, Nós Temos Festival: 10 Motivos Para Se Jogar no Bananada - Pulso

Sim, Nós Temos Festival: 10 Motivos Para Se Jogar no Bananada

Eu não sei se existe algum estudo acadêmico sobre o “Festival Bananada”, mas se não existe, deveria. Tendo o Festival goiano como pano de fundo, podemos traçar um panorama sobre a produção musical e o mercado alternativo no Brasil desde fim do milênio até os dias de hoje. Renderia uma boa publicação.

Não existe artista, banda ou produtor que se envolveu com música independente, no Brasil nos últimos anos, que não tenha se relacionado de alguma forma com o Festival Bananada. 

O festival veio da necessidade de criar um evento, uma  alternativa, na cidade de Goiânia, ao já existente “Goiânia Noise Festival”, no distante ano de 1999, quando aconteceu a primeira edição,  no pequeno pub “Território Brasileiro”.

A diferença do Festival Bananada, em relação aos outros festivais existentes no Brasil é o cuidado com o line up. Com o passar dos anos, o Festival depurou o diálogo com as múltiplas vertentes da música brasileira e gringa. Já passaram pelos palcos do Bananada nomes estabelecidos no cenário alternativo e nomes desconhecidos. A curadoria, ao invés, de enveredar por um conceito equivocado de “rock” como sinônimo de “rock pesado” ou congêneres, abriu espaço para sons abrasileirados e sets de DJs. E, por fim, ajudou a redimensionar o conceito de “rock” e “alternativo” para todos aqueles interessados em cultura jovem moderna.

bananada.1

A 17ª edição acontece a partir de hoje, dia 11 de maio, e vai até, o dia 17. Esta pode ser considerada a mais ousada de todas, não só no tamanho, mas na interação entre arte e cidade. O festival se desenrola em vários lugares na cidade de Goiânia, e entre os dias 15, 16 e 17, no Centro Cultural Oscar Niemeyer. Quem gosta de som alternativo pode prestar atenção em Goiânia e aproveitar para vir até a cidade conhecer o Festival.

O  “Festival Bananada” é legal e você deve ir porque:

1. Não acontece no Rio ou em São Paulo, ou regiões próximas a esses centros. O cenário para essa experiência é outra capital brasileira, no caso Goiânia, distante dos pólos irradiadores.

2. O Festival entendeu a necessidade de ousar, e não ficar repetindo sempre os mesmos nomes. A maior ousadia é a abrir com o Caetano Veloso. Quem pensaria nisso? Atualmente acompanhado pela banda “Cê”, Caetano promove um dos melhores shows de rock alternativo e MPB. De cara o festival amplia e atualiza duas noções, que a mistura de gerações é necessária e que rock e MPB, estão no gosto de uma moçada mais aberta as novas experiências, atitude típica da juventude do início do século XXI.

3. Colocar no lineup bandas da America Latina e África. Cosmopolitismo e diversidade. Bacana ver um Festival de “rock” se relacionar com sons alternativos de regiões distantes dos grandes centros. No dia 12 rola um Baile com o Sankofa do (Gana) e no dia 17 o Magaly Fildes (Chile) se apresenta.

sankofa

DJ Sankofa, que se apresenta no dia 12, terça

4. Um line up que une nomes tão diversos como Karol Conká, Lê Almeida, Omulu, ao brasiliense Maskavo Roots, que comemora 20 anos de carreira.

5. Apostar em dois nomes e diferentes épocas do rock norte americano (que deverão fazer shows memoráveis): Allah-las, dia 15, sexta às 23:15h, no Palco Pyguá,  e o mito do indie rock J. Mascis, dia 16, sábado às 22:30h, no Palco Yguá.

6. Vivenciar a bonita arquitetura modernista do Centro Cultural Oscar Niemayer.

7. Conhecer o trabalho das bandas de Goiânia como Carne Doce e Boogarins.

8. Comprovar que o Festival Bananada é a melhor e bem cuidada vitrine para bandas iniciantes no Brasil. O Festival tem curadoria (feita por Fabrício Nobre e Edimar Filho) e não usa do artifício de colocar as bandas em situações ridículas atrás de votos pela internet (a mais votada pelo público pode participar) para depois tocar às 11hs da manhã para ninguém.

9. Além do lineup, bem cuidado, você ainda pode admirar um painel feito especialmente para o evento por um coletivo de urban art brasileira, o goiano “Bicicleta Sem Freio”.

11216152_10155477351445109_273705979_n

Galera do Bicicleta sem Freio trabalhando no painel que cobrirá o Centro Cultural Oscar Niemayer durante o festival

10. Por último os preços são bacanas, tanto dos ingressos como da comida. O nome “BANANADA” é sugestivo e gastronômico. Nesta edição além da integrar mercadinho, artes visuais, tatoo e esportes (pista de skate) o festival edita e 3º Circuito Gastronômico. A gastronomia faz parte e se integra com a música. Não é apenas uma sequência de foodtrucks, mas todo um envolvimento dos chefes e restaurantes  goianos exibindo o que existe de melhor na culinária local e com direito a uma praça gastronômica no Centro Cultural Oscar Niemeyer nos dias dos shows.

Sim, no Brasil tem Festival!

Claudio Bull Por Claudio Bull

Claudio Bull é historiador da arte, produtor cultural, dj, vocalista e letrista da Superquadra e Da Silva

Posts Relacionados