Review Universo Paralello 2017: Desapego, Amor e Natureza

Review Universo Paralello 2017: desapego, amor e contato com a natureza

No início de 2017, já tinha certeza sobre o meu destino no final do ano: o festival Universo Paralello seria a união de música boa, amigos, amor e a melhor estação do ano, tudo em uma praia livre para usarmos a qualquer momento durante todo o festival.

Créditos: Alisson Demétrio

O local é realmente paradisíaco e rodeado de muitos coqueiros e vegetação. Mas nem isso tira o calor de 40 graus que enfrentamos praticamente todos os dias.

Com uma estrutura de, aproximadamente, 3km de praia entre o primeiro palco, Tortuga, e o último UP Club, era uma longa caminhada para atravessar o festival de ponta a ponta.

Créditos: CB Fotografia

Fiquei em um casa fora do Universo Paralello para ter um pouco mais de conforto para o descanso, já que o som do festival é ininterrupto e o calor dentro da barraca te tira da cama logo cedinho, por voltas 05h30/06h.

O meu objetivo era ficar apenas três dias, pois já tinha me programado para ir para Caraíva encontrar outros amigos e passar a virada do ano, mas confesso que em 2019 a missão é ficar os sete dias no festival, e aproveitar muito mais.

No primeiro dia procuramos ir para a pista do 303 Stage, pois um dos maiores DJs de psytrance do mundo iria se apresentar durante 24h. Isso mesmo, Goa Gil abriu os trabalhos da melhor maneira possível e ali ficamos até as 21h quando resolvemos partir para o UP Club, o último palco do festival.

UP Club – Créditos: Fernando Sigma

Na primeira noite do UP Club, os DJs e produtores brasileiros, VINNE, Shapelles e Gustavo Mota, foram os responsáveis por um som brazilian bass de responsa e bem diferente do que geralmente tocam em festas pelo país.

Reparei muito essa questão sonora dos DJs e produtores que estão em ascensão no momento. É possível vê-los tocar de forma criativa, com drops diferentes e uma seleção musical bem interessante. A energia da pista e resposta do público interfere e muito nisso, pois ali o único objetivo de todos é dançar até se acabar.

Créditos: Fernando Sigma

Logo na primeira noite já rolou o primeiro “virote” para ver o sol nascer no Tortuga Stage, na ponta oposta do UP Club. Às 4h30, quando o sol ia nascendo devagar e iluminando o mar, a emoção tomava conta das poucas pessoas presentes por ali.

Ao som de “Something Special”, de Michael Campbell, quanto mais o sol subia, mais a galera soltava a musculatura e se animava! O responsável pela pista era o DJ e produtor brasileiro Cadu Novellino.

A saga para chegar em casa contava com uma caminhada de, aproximadamente 2km até a entrada do Universo Paralello, onde pegávamos um pau de arara que nos deixava na rotatória da cidade, e então caminhávamos mais 900m.

A recompensa era o silêncio e um banho para refrescar e descansar por algumas horas.

Créditos: Fernando Sigma

Já no segundo dia, o UP Club recebeu Cat Dealers e logo em seguida Dre Guazzelli, que trouxe seu parceiro Salazar no saxofone para fazer aquele setzão de respeito recheado de música boa.

Durante o dia o som nesse palco era mais comercial e por volta das 20h a “technera” rolava solta até quase o amanhecer. Pelo menos nos dias que eu marquei presença foi assim.

Fui dar um rolê nesse dia e acabei ficando no Tortuga Stage escutando um hip hop fodástico da Paula Torelli. Com certeza esse era o stage mais democrático do festival, tocando de tudo e te fazendo querer ficar ali.

Créditos: CB Fotografia

Na minha última noite de pista, a destruição ficou por conta da brasileira ANNA, que fez o melhor set disparado do festival nos três dias que eu estive por lá. Nessa mesma noite, ainda rolou o duo Elekfantz, Flow & Zeo, Leo Janeiro e Renato Ratier. Ao som de Any Mello, o dia amanheceu mais uma vez para que eu pudesse me despedir do paraíso.

Créditos: Fernando Sigma

Ainda deu tempo de conferir o Chill Out Stage na manhã seguinte, na melhor “vibe tranquilidade” e também dar o último abraço de 2017 em alguns amigos que estavam por ali.

Créditos: Fernando Sigma
Créditos: Fernando Sigma
Créditos: Fernando Sigma

A estrutura e como funciona o Universo Paralello

A praça de alimentação é super diversificada com pizzas, massas, sanduíches, comidas veganas, self service, açaí, tapioca, crepe e muitas outras opções.

O carinho das pessoas que estão trabalhando também é algo bem legal. O pessoal da limpeza, por exemplo, está sempre próximo aos banheiros dando aquela geral para que pudéssemos usá-los sempre limpos e com papel higiênico.

Não posso avaliar sobre o banho, porque não fiz isso por lá, mas acredito que a casa onde eu fiquei tinha uma estrutura semelhante. A água era meio marrom, cor de barro, mas refrescava e te deixava limpo do mesmo jeito.

Os perrengues são normais e podem ser solucionados sem dificuldade alguma, basta ter paciência e calma que tudo fica bem.

Créditos: Fernando Sigma

No geral, posso dizer que o Universo Paralello é sim um “festivalzão da porra” e todos deveriam conhecer. A lição de amor, união e amizade que é passada ali você não vê em qualquer lugar.

As pessoas se juntam por um único objetivo, que é a música e o respeito, tanto entre elas quanto com a natureza de forma tão intensa que nos leva até a repensar se estamos no Brasil.

A certeza dessa experiência: 2019 estarei de volta!

Ana Luiza Cavalcante Por Ana Luiza Cavalcante

Desde 1990 ouvindo e respirando música. Produtora de eventos com base em Belo Horizonte mas que não deixa de viajar pelo mundo atrás do que ama: festivais.