Review Time Warp: Dream Team do Techno - Pulso

Review Time Warp: Dream Team do Techno

Criado em 1994, o Time Warp é uma instituição da música eletrônica. Realizado em Mannheim, no Sudoeste da Alemanha, o festival reúne anualmente os maiores nomes do techno mundial para 16 horas (!!!) de música non-stop. O sucesso é tanto que o TW já foi produzido também nos Estados Unidos, Holanda e Argentina.

O evento rola no Maimarkthalle, centro de convenções com vários galpões e áreas de exibição gigantes. A venue é facilmente acessada pelo transporte público, que já está incluído no preço do ingresso. Durante o Time Warp, cada um dos galpões é transformado nos floors 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Sim, nome de pista não é o forte da organização…

São seis palcos diferentes em locais totalmente fechados, o que contribui para o show de luzes, um espetáculo à parte principalmente nos Palcos 1 e 2, que parecem saídos de outro planeta.

(Pista 1 do Time Warp 2017. Imagem: Felix Hohagen)

Os palcos 2, 4 e 6 não chegam a surpreender e ficam bem aquém dos principais. Já o Palco 5 é uma construção de vidro e permite a entrada de luz, criando um ambiente único, especialmente quando você pode conferir a lenda Laurent Garnier tocando por lá ao amanhecer.

(Laurent Garnier tocando com o dia claro no Time Warp 2017. Imagem: Robin Schmitz)

O esquema dos galpões é ótimo para manter a escuridão típica dos inferninhos do techno, permitindo que a festa se extenda até às 2 da tarde sem o público sentir os efeitos do sol. Porém, em alguns momentos, há filas para entrar nas pistas pois a produção controla o fluxo de pessoas para que não encha demais. Por um lado, o conforto na parte de dentro é visível, sempre com espaço para dançar sem muito aperto. Por outro, tive que esperar cerca de 20 minutos para conseguir ver o Carl Cox.

(Fila de acesso aos Palcos 1 e 2 durante o set do inglês Carl Cox. Imagem: Inacio Martinelli)

Com exceção dos Palcos 1 e 2, colados um ao outro, é necessário passar pela área externa da venue para se locomover entre as pistas e esse é o ponto fraco do festival. Quando se sai do dancefloor, parece que estamos em outro evento, que não possui absolutamente nada de especial, sendo bem amador em termos de cenografia e ativações.

Além disso, em tempos de pagamentos cashless, o Time Warp ainda usa fichas destacáveis de papelão iguais às da festa junina do seu condomínio. As opções de comida também são decepcionantes, não despertando muito interesse do público, o que vai em direção contrária à tendência de diversos festivais ao redor do mundo.

A experiência do Time Warp se resume ao pistão. Sim, é verdade que em um evento de nicho como esse as pessoas querem se perder na música e nada mais, não importando se têm muitas opções de comida desde que o bass esteja no volume certo. Porém, festivais como o Sónar, Dekmantel e Awakenings são do mesmo nicho e conseguem entregar uma experiência completa para o público.

Se o Time Warp peca nas atrações off-música, o mesmo não se pode dizer do line up. Em termos de programação sonora, o evento é um peso-pesado, reunindo o dream team da música eletrônica underground para um único dia de festa. Não é sempre que você pode se  dar ao luxo de escolher dançar ao som de Adam Beyer, Richie Hawtin, Solomun, Tale of Us ou Laurent Garnier, todos tocando ao mesmo tempo em pistas diferentes.

É possível ver vários DJs acompanhando os sets de outros artistas de cima do palco, evidenciando o clima de confraternização dos bastidores.

(Chris Liebing com as mãos pro alto durante o set do Loco Dice no TW 2017. Imagem: Elephant Studio)

Além disso, uma das principais características do Time Warp é a longa duração de diversas apresentações, que podem chegar a até 5h30, permitindo a criação de uma jornada musical que não rola na maioria dos festivais. Escolhi rodar o máximo entre as pistas para ouvir um pouco de cada artista da minha lista, tendo conferido pelo menos parte das apresentações do Dubfire, Carl Cox, Ricardo Villalobos, Jamie Jones, Maceo Plex, Sven Väth, Laurent Garnier e Tale of Us.

(Imagem: Divulgação)

Desses, destacaram-se o inglês Carl Cox, com suas bombas que explodiam na maior pista do evento sem deixar o público pausar para respirar, o techno obscuro e hipnotizante do americano Maceo Plex e os toques melódicos da dupla italiana Tale of Us.

Os outros DJs citados também fizeram bem o papel de colocar o público para dançar sem firulas, principalmente Laurent Garnier, ovacionado pela platéia internacional, com sotaques de diversos países europeus. Já Villalobos, estava mais preocupado em interagir com os convidados no palco do que mixar, permanecendo de costas para o público durante a maior parte do tempo em que o assisti. Ricardo sendo Ricardo…

Apesar de (ou talvez por) contar com uma programação onde cerca de 90% dos artistas são headliners em festivais mundo afora, em alguns momentos o som nas diferentes pistas é muito parecido. A falta de revelações da música eletrônica underground e produtores conhecidos por suas experimentações é sentida ao longo da noite, principalmente se você quiser conhecer algo novo.

Porém, em time que está ganhando não se mexe e a julgar pelos ingressos esgotados, além da animação do público, que vibrava a cada kick, o alemão Time Warp marcou outro 7×1.

(Imagem: Divulgação)

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