Review: Neopop Apresenta a Arte do Techno em Viana do Castelo - Pulso

Review: Neopop Apresenta a Arte do Techno em Viana do Castelo

O Neopop festival é um dos mais admirados festivais de música eletrônica de Portugal. Surgiu há 11 anos e por lá passaram grande parte dos DJs de techno e house mais conhecidos do mundo (veja aqui seu Wall of Fame). Carol e eu estivemos nesta última edição, realizada durante 3 a 5 de agosto, em Viana do Castelo, extremo norte de Portugal.

Belo line!

Curtindo um Techno no Castelo

De tudo, como marinheiros de primeira viagem, o que nos chamou mais a atenção foi o local onde o festival é realizado.

Primeiro, sobre a cidade. Ocupada por cerca de 100 mil habitantes, a região remonta ao Mesolítico. Achados arqueológicos anteriores à Roma foram encontrados na cidade. Viana do Castelo é um dos principais portos da pesca do bacalhau de Portugal, banhada pelo rio Lima, cercada de ruínas e construções seculares tombadas pelo patrimônio histórico.

Dentro do festival, a lateral de uma das pistas é uma muralha como a do Game of Thrones

Reza a lenda que há muitos e muitos anos havia um castelo na cidade, onde morava uma linda e tímida princesa chamada Ana. Ela vivia escondida, espiando a vida da cidade pela janela. Um dia, se apaixonou por um rapaz que vivia do outro lado do Rio. Toda a vez que se encontravam, contente, gritava às ruas: “Vi a Ana! Vi a Ana do Castelo!”

É é exatamente no porto colado no Rio Lima, dentro das ruínas de um castelo, que acontece o Neopop.

Basílica com a vista de Viana do Castelo

The Art of Techno

Surrealíssimo o contraste. De um lado, uma cidadezinha histórica, uma mistura de Paraty (RJ) com Tiradentes (MG), só que ainda mais velha. Do outro, a vanguarda do techno e a arte digital.

Um dos aspectos que mais me chamou a atenção para participar deste festival foi sua campanha. Minimalista e futurista, apresenta fotos de dançarinos vestido de branco em posições que remetem ao movimento do techno.

Cartaz da exposição The Art of Techno

The Art of Techno também foi o nome da exposição gratuita que rolava no centro da cidade pela manhã e tarde, antes do festival começar.  A sacada foi genial. Os criativos responsáveis pela campanha do Neopop (Partners e Show Off) transformaram o making of em uma instalação artística.

A entrada da exposição

Resumidamente, os dançarinos pintavam com os pés no chão uma obra de arte enquanto escutavam uma música de um artista que se apresentaria no festival. O que se via na exposição eram as suas pinturas, incluindo as sapatilhas ainda sujas de tinta e um ipad onde se podia ouvir a música e assistir ao video dos dançarino em ação. Super fixe!

Uma das obras, pintadas com movimentos de dança ao ritmo do techno
Os sapatos dos dançarinos

Redução de Danos em Outro Nível

Já há alguns anos a cocaína voltou a entrar na moda e em Portugal a realidade não é diferente. Porém, ao invés de tratar o usuário como criminoso, o país optou por tratar o problema pela saúde (leia aqui: redução de danos – porque não falamos abertamente). Logo na entrada do festival, havia um stand onde era possível pegar dezenas de folhetos informativos sobre todos os tipos de drogas.

Redução de danos: Você pode testar a qualidade de suas drogas para não comprar gato por lebre

Mais impressionante, havia a distribuição de canudos dentro de um saquinho para guardar cocaína, incluindo uma nota com instruções de como reduzir os danos ao consumi-la.

Educação em outro nível

Isso numa cidade mais velha que o Brasil, fortemente católica, devota da nossa senhora da Agonia e com menos de 100 mil habitantes. Se não é um outro nível de consciência e educação, não sei mais o que é.

A Experiência do Festival

Campanha de comunicação incrível. Cidade surreal. Lineup de respeito. Todos pontos mais que positivos. Porém, o calcanhar de Aquiles do Neopop fica mesmo na experiência geral do festival.

Primeiro, grande parte do evento acontece de noite. Na sexta e sábado, o Neopop começa às 22h e termina às 10h. Especialmente no verão europeu, quando o sol cai lá pelas 21h30, achei que o cenário merecia mais algumas horas pela tarde pra melhor curtir a vibe do local.

Segundo, havia apenas duas pistas. Tirando uma barbearia improvisada no meio do caminho , não havia muito mais o que fazer no festival. Não me recordo de ver uma área de descanso. Isso não seria um problema tão grande se (1) não fizesse tanto frio e (2) não ventasse tanto.

Por fim, havia fila para a compra de tickets em todos os bares. O festival não estava lotado. Pelo contrário, havia espaço o suficiente pra circular e dançar a vontade. Mas a lentidão das filas dos bares desanimava qualquer um de ir lá mais de uma vez para comprar mais bebidas.

No geral, o Neopop é um festival que vale conferir, tanto pela locação quanto pela qualidade artística. Existe ainda muito potencial para o evento crescer, especialmente nas experiências para além da música. Aguardemos cenas dos próximos capítulos…

Até 2018, Neopop

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