Review João Rock 2017: Festival Consagrado Ensina Como Melhorar a Cada Ano - Pulso

Review João Rock 2017: Festival Consagrado Ensina Como Melhorar a Cada Ano

Nesse sábado, 10/06, rolou mais uma edição do Festival João Rock, e pelo segundo ano consecutivo tive a oportunidade de conferir o maior festival de rock do interior de São Paulo, que manteve o público de 50 mil pessoas, como na edição anterior.

Foto Divulgação

Após a entrada, de cara me chamou a atenção o quanto o esquema de filas e serviços parecia caminhar melhor que no ano passado.

Também era visível o maior número de pessoas que optaram pelo camarote, muito devido ao valor atrativo de R$ 400,00 com open food e drink e visão privilegiada do palco principal.

Para quem está acostumado a pagar valores assim por uma entrada simples em outros eventos, realmente o negócio valeu a pena.

Notável também foi a mistura de públicos que refletia a escalação mesclada de artistas da edição desse ano. Não consigo dizer “que tribo” se destacou, o que me deixou a agradável sensação de boa vizinhança.

CONVERSANDO É QUE SE ENTENDE

Uma das características do João Rock é receber um grande número de excursões do estado todo.

A cada ano antes do evento, a organização reúne os responsáveis por essas excursões e ouve todas as reclamações que eles anotaram do público.

É algo muito simples, mas que tem um efeito positivo direto e que garante um festival melhor a cada edição.

Todos os pontos que foram considerados problemas no ano passado, principalmente as gigantescas filas para carregar o cartão para compras dentro do festival, estavam realmente bem melhores.

É como diz o ditado: “Conversando, a gente se entende”. E propondo o diálogo direto com o público, o João Rock consegue melhorar a experiência de quem retorna ao festival.

EXPERIÊNCIAS

Confesso que não experimentei tudo o que o festival oferecia. Passei por alguns estandes espalhados pela área próxima à entrada, como o do Jack Daniels, mas nada me chamou muito a atenção.

Gastei mais tempo assistindo às performances de alguns atletas na pista de skate no meio e fim de tarde ou tentando conseguir um copo do evento – o número limitado de copos deixou muita gente sem uma lembrança dessa edição 2017.

Foto Divulgação

Não sei porque raios cometi o erro juvenil de não comer logo que cheguei ao Parque Permanente de Exposições.

O vacilo me custou a queda da pressão logo após o show do Zé Ramalho. Depois de um lanche e uma pizza em cone servidos rapidamente, tudo voltou ao normal. Fica a dica: comer é sempre preciso!

Ainda assim, para o ano que vem fica o pedido de opções de alimentação mais variadas e o sonho de um dia encontrar um verdadeiro “hot dog podrão” em um festival!

OS SHOWS

O que dizer do palco Nordeste que simplesmente amei?!

Zé Ramalho (o nosso Johnny Cash, como ouvi), Alceu Valença (que show!), Lenine (te amo!) e Nação Zumbi (sempre impecável) me fizeram quase não conferir o restante espalhado pelo João Rock.

Foto Divulgação

Destaque para a energia sem igual de Alceu, que com seus 70 anos faz um show de deixar qualquer jovem no chinelo.

Foto Divulgação

Protestos políticos não faltaram. Se na plateia o grito de “Fora Temer” ecoou em todos os shows, no palco a demonstração de insatisfação com o cenário político brasileiro também foi presente.

Lúcio Maia, da Nação Zumbi, foi quem fez um dos maiores discursos, muito mais de incentivo a não desistência.

Nesse ano, não passei pelo palco Fortalecendo a Cena, por puro gosto pessoal mesmo. Mas conferi que o público compareceu e manteve a receptividade em alta para bandas como Medulla.

Do palco principal, vi trechos de Humberto Gessinger (sono), CPM 22 (que ano é hoje?), Pitty (maravilhosa) e O Rappa (o Falcão não era mais alto?).

Foto Divulgação

Emicida & Convidados (Coruja BC1, Vanessa da Mata e Pitty) conferi completo, afinal, não poderia ser diferente.

Emicida sempre traz a lembrança da luta de classes em suas apresentações, agora também fortalecida pelo incentivo ao empoderamento feminino.

Foto Divulgação

E aqui, todos os meus elogios vão para a incrível Anna Tréa, que canta e tocar o show todo e me deixou com vontade de um dia vê-la comandando seu próprio show no mesmo palco.

Como disse um amigo “vai ter textão do Emicida, sim”. E teve. E tem que ter sempre.

E por falar em igualdade, ainda acho que um festival não deve ter pista premium, mesmo que seja apenas no palco principal, caso do João Rock.

Mas esse é um ponto negativo entre muitos positivos desse festival mais que consolidado e que sempre te deixa com vontade de voltar.

Até 2018, João Rock.

Soraia Alves Por Soraia Alves

Jornalista formada pela UNESP-Bauru. Trabalha com web jornalismo e cultura pop.