Review João Rock 2016: Tradição e Nova Cena Nacional Marcam 15 anos do Festival - Pulso

Review João Rock 2016: Tradição e Nova Cena Nacional Marcam 15 anos do Festival

Mateus Rigola

O João Rock é um evento tradicional, 15 anos de história, apresentações memoráveis, acessibilidade à experiência de um grande festival por um preço relativamente menor que outros eventos, focado no Rock nacional e que sai da rota das capitais Rio-São Paulo dando destaque para o interior, Ribeirão Preto.

Paralelo aos pontos positivos, há um comodismo na formação do lineup, principalmente nos últimos 5 anos. Nada contra o festival dar espaço para artistas veteranos, é mais que válido, mas deixar uma mesma banda 3 anos seguidos na programação, caso do CPM22, gera duas ideias:

A primeira é que a organização não faz questão de arriscar nos convidados, pelo contrário, prefere aqueles com garantia de público. Não é o ideal, mas até aí o Metallica toca praticamente em toda edição do Rock in Rio também.

Mas a segunda ideia é mais complicada. A de que o João Rock não liga muito para a nova cena do Rock nacional, o que seria um grande erro para um festival que procura justamente valorizar os artistas desse gênero no país.

Em edições anteriores, o Palco Universitário contou com atrações como Vanguart, Autoramas, Aláfia e Detonautas. Percebe o erro de colocar uma banda já com anos de estrada como Detonautas nesse palco e mais ainda em chamá-lo de universitário, como se os artistas ali fossem recém saídos das garagens de suas repúblicas?

Mas 2016 deu um refresh nisso tudo com o palco Fortalecendo a Cena. Com destaque para a apresentação impecável e contagiante da Far From Alaska. Que banda ao vivo!

Scalene Far From Alaska Supercombro Dona Cislene - Divulgação Scalene

Scalene, Far From Alaska, Supercombro Dona Cislene – Divulgação Scalene

O Supercombou passou longe do show morno que fez no Lollapalooza desse ano. Foi tocar a noite e não de dia? Foi a energia do Far From Alaska antes? Fica aí o mistério, mas dessa vez foi um belo show.

Scalene fechou o palco com responsabilidade e, na verdade, surpreendem justamente pela seriedade com que levam a apresentação, nada deslumbrados com a fama pós SuperStar e conduzindo como headliners ali enquanto Criolo encerrava o palco João Rock. Quem optou por ver Scalene saiu mais que satisfeito.

Ter Criolo como principal atração dessa edição também não deixa de soar como um aceno ao “novo João Rock”, ainda mais com um show aberto a convidados como Tulipa Ruiz.

Criolo Mateus Rigola GShow

Criolo Mateus Rigola – GShow

Entre veteranos é difícil encontrar shows ruins. Nação Zumbi pode fazer uma apresentação curta e meio manjada, mas é Nação Zumbi e nunca vai deixar de empolgar. Paralamas do Sucesso, Titãs, Nando Reis, Legião Urbana (que assim como Queen + Adam Lambert, eu não entendo a necessidade), Cidade Negra… Todos ok, todos corretos, todos fazendo o público cantar juntinho e, no caso do Nando Reis, se emocionar bastante também.

Mas os veteranos também podem nos render surpresas. Quem imaginava ver Black Alien, Marcelo D2 e Bnegão cantando juntos “Contexto” no mesmo palco, depois de 15 anos que o Black Alien saiu do Planet Hemp?? Histórico!!

Aliás, vale o elogio ao show do Planet Hemp, de não deixar parado nem o espectador mais cansado. Se as apresentações da banda sempre dependem muito da “vibe” do D2, sábado ele estava na vibe certa.

Black Alien D2 BNegão - Divulgação Planet Hemp

Black Alien D2 BNegão – Divulgação Planet Hemp

Acertos e erros

Disponibilizar mercado, food truck e outras atrações bem na entrada do festival foi ótimo. Evita andanças desnecessárias para as mais de 50 mil pessoas presentes. Opções de lazer como o grafite, pista de skate e bungee jumping também foram dos acertos a serem mencionados, assim como a variedade de comidas.

Problema mesmo foi conseguir pagar por tudo isso. Os preços estavam dentro do “padrão festival” e o esquema era parecido com o de outros eventos, baseado em uma moeda própria (baquetas). Mas para carregar o cartão com essas baquetas era uma grande irritação.

Alguns cartões de crédito/débito como o Elo não eram aceitos. Mas quem optou pela compra antecipada do cartão via PayPal foi quem realmente se ferrou. A fila para pegar o cartão era gigantesca por quase todo o festival. Algo a ser revisto sem falta para o próximo ano.

Pelo menos todos os shows foram pontualíssimos. Com dois palcos principais, atrasos por conta da passagem de som foram evitados. Ótimo esquema para manter nas próximas edições, contato que a passarela que divide a passagem entre os dois palcos seja reduzida.

Soraia Alves Por Soraia Alves

Jornalista formada pela UNESP-Bauru. Trabalha com web jornalismo e cultura pop.

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