Review Festival Breve 2017: Me Desculpem os Genéricos, Mas Conceito É Fundamental - Pulso

Review Festival Breve 2017: Me Desculpem os Genéricos, Mas Conceito É Fundamental

Não tem coisa melhor do que ver um festival nascendo… E se ele já nasce com um conceito bacana, é um ótimo começo. Porque todo o resto é possível de ajustar. Me desculpe os genéricos, mas conceito é fundamental.

E foi um conceito bem amarrado em identidade visual + line up que me fez adiantar a vinda para Beagá e conhecer a primeira edição do Breve Festival.

Quando bati o olho nesse line up aí embaixo, li tantas mensagens subliminares, que me deu muita vontade de vim ver/ouvir de perto. Com excessão da banda australiana Miami Horror, todas as outras atrações eram brasileiras. Já dava pra saber que o Breve tinha ginga, mulherada linda e poderosa, bandas politizadas, muitas outras sonoridades para além do indie rock (obrigada!), bandas locais, artistas de agora, outros de sempre.

Não é pra qualquer um montar um line up desses!!! Clap Clap Clap

Mas e a entrega? Como foi?

O Breve Festival teve sua primeira edição no último final de semana. Mas uma programação ativa ocupou a cidade com debates (Breves Encontros), shows gratuitos em parklets (Occupy BH) e em casas noturnas (Breves Noites) durante todo o mês de setembro. Infelizmente não cheguei a tempo de ver, mas pra compensar cheguei bem cedo ao Mirante BH e pude ver quase todas as atrações, além de um pôr do sol que só tem aqui.

Embora o foco do festival tenha sido claramente na experiência musical, havia um pequeno (mas interessante) ecossistema no espaço do festival:

Logo na chegada, receptividade mineira: um dos patrocinadores ofereciam copos reutilizáveis e sorrisos!

Nas lojinhas não só os produtos eram fofos, mas os expositores surpreenderam também com brincadeiras divertidas. Em uma delas você era convidado a sortear (e sonhar) com destinos paradisíacos para férias, em outras o cartão de visitas era um monócolo <3.

Ponto positivo também para as comidinhas: empanadas, vegetarianos e claro, sanduíches de carne de porco porque estamos em Minas, uai!

Banheiros e bares fluíram facilmente, sem fila, sem estresse. Muitos caixas volantes e o fluxo entre os palcos também funcionou. Infelizmente banheiro não teve papel em nenhum momento e não havia nem uma torneirinha pra gente lavar a mão: #ficoufeio

Olha que já rodei muito festival, mas tem gente que até hoje ainda não entendeu que as pessoas são mídia, que elas falam melhor do seu evento do que ele mesmo. E o Breve acertou em colocar carregadores de celulares gratuitos pra galera. Eu mesma usei! O Coachella é o festival mais instagrammer que existe e também o único onde encontrei wifi e carregadores em muita abundância. Dêem as ferramentas e deixem as pessoas fazerem sua arte 😉

Sonoridades

Os shows se revezavam entre dois palcos, lado a lado, ininterruptamente. Brinquei com uma amiga que era o festival dos 90 graus. Era só se virar 90 graus e já estava de frente para qualquer um dos palco. Os shows intercalados funcionaram super bem, pontualmente acabava um em um palco e começava o outro ao lado.

Essa dinâmica funcionou tão bem, tão bem, que acabou se transformando em um ponto muito sensível. O som alto em todas as áreas do festival, o tempo todo, deu um certo cansaço sonoro. Já pensaram que nem todo mundo quer ver e ouvir todas as bandas de um festival?

Já tinha visto quase todos os shows, portanto o que realmente me encantou foram as bandas locais Iconili e Graveola. Os primeiros fizeram um show super animado, bem no estilo Bixiga 70. Os meninos arrasaram nas camisetas floridas e nas projeções super legais.

Aliás, Karol Conka podia tomar umas aulinhas com eles e pensar em projeções para seu show. Ela é demais, tomba, mas segurar sozinha o palco, sem projeção, sem dançarino e sem qualquer outro tipo de atenção deixa o show dela beeem flat. Nem as músicas muito boas conseguem segurar por muito tempo.

Surra de som e projeções do Iconili. Bem, Karol Conka ficou só nessa aí mesmo. 

Este ano estivemos em mais de 20 festivais. Em vários lugares, de vários estilos. Do Coachella ao Roskilde, passando por festivais de música eletrônica como o Ultra Music. Porém, uma transversalidade conectou todos eles: a força do hip hop. Obrigada Breve por me mostrar que está acontecendo aqui também: Projota foi catarse, todo mundo cantando junto! E ainda tinha Karol Conka e Emicida

Representações

Ninguém é obrigada a assumir papéis que não são seus. Mas quando os assumem de forma autênticas o impacto acontece. Seja A Banda Mais Bonita da Cidade cantando Tigresa do Caetano, seja Marcelo Jeneci dizendo que tudo bem gostar de menino ou menina, seja Karol Conka com suas letras poderosas. Isso sem deixar de falar do peso e potência do discurso político do BaianaSystem. Em tempos de incertezas e desmontes, são esses os artistas que reverberam no microfone o que todo mundo lá embaixo do palco está tentando dizer.

BaianaSystem é sempre aquele descarrego… E como fica a energia depois de um show desses, gente?

Espaço

Talvez o ponto crítico tenha sido a escolha do local do festival. Quando li “Mirante BH” imaginei aquele visual maravilhoso do mar de morros das Gerais. Chegando lá uma certa frustração em ver que a vista precisou ser fechada por razões de segurança. Lá dentro, uma certa claustrofobia, de um círculo todo fechado, todo de asfalto.

Um pôr do sol desses… fechado pelas grades 🙁

Ouvi dizer que aquele espaço é sempre usado para shows e outros eventos. É importante pontuar que a dinâmica de festival é diferente de uma balada ou um show, por exemplo. Primeiro, porque um festival como o Breve, tinha duração de 13 horas, começando e se estendendo pela tarde. Festival hoje é muito mais do que um conjunto de shows. É sim, dançar e ver as bandas. Mas é também se sentar, trocar ideia com os amigos, descansar e trocar impressões entre um show e outro.

Festival implica que você tenha opções e diversidade de escolhas. Ainda que se tenha apenas uma atração acontecendo ao mesmo tempo, festival tem que ter área de descanso. E não estou apenas falando sobre descanso físico. Estou falando de descanso sonoro. Embora houvesse mesas na área de alimentação, faltou um espaço onde as pessoas pudessem descansar as pernas e ouvidos para trocar uma ideia. Como o espaço era único, o som era alto todo o tempo. E nem todo mundo quer ouvir todas as bandas do line up em sequência. Às vezes você quer se sentar e trocar uma ideia com seus amigos, comentar o último show, compartilhar expectativas do próximo.

Fiquei imaginando como seria aquele pôr do sol em um gramado. Fica pra próxima.

Como diz Karol Conka, faltou um espacinho pra galera brisar…

Se não havia opções de espaço, pelo menos havia de bebidas! Coisa rara nos festivais daqui, era possível dividir uma garrafa de vinho com os amigos. Pelo tanto de gente com garrafa na mão, acho que funcionou! Só não funcionou vender tacinha a R$4,00. Qualquer festival gringo aluga a tacinha, não quer levar pra casa, devolve e pega o dinheiro de volta no final.

Uma última dica, não menos importante: sabe onde sempre dá fila nos festivais? Barraquinha de café. Entender a dinâmica de um festival é oferecer também produtos e serviços para além da lógica da balada.

Espero que o Breve tenha muito fôlego para uma segunda edição, já que tem elementos fundamentais pra se tornar um dos festivais mais bacanas do Brasil! Que não seja nada Breve!

Carol Soares Por Carol Soares

Don't ask about my job. Don't ask what I do. Judge the way I dance.

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