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Review: Comunité Festival, México

No início deste ano, em meio à maratona de festas do BPM Festival (leia aqui o review), Carol e eu descobrimos quase por acaso um festival chamado Comunité em Tulum, um paraíso baleárico em meio ao mar do Caribe.

Tendo sua primeira edição em janeiro de 2016, Comunité faz parte de uma das muitas (e muitas!) festas que rolam na programação off-BPM. Assim como aconteceu com o Sónar em Barcelona, cuja crescente popularidade acabou dando origem à programação de eventos paralelos Off Sónar, a medida que o BPM foi crescendo, novos núcleos começaram a se articular para apresentar propostas de festas diferenciadas. E Tulum é o lugar perfeito para isso.

Enquanto Playa Del Carmen, cidade-sede do BPM Festival, tem uma estrutura mais turística, com uma avenida principal abarrotada de restaurantes, lojas de souvenir, shoppings e guias oferecendo passeios para mergulhar com tartarugas, Tulum tem uma vibe mais ‘roots’, sossegada e eco-friendly. Para quem conhece o litoral da Bahia, a comparação é perfeita: Cancun é como Porto Seguro, Playa Del Carmen é uma Arraial da Ajuda, e Tulum, Trancoso.

tulum comunité poster

O Comunité aconteceu literalmente em uma das praias de Tulum. Cena de filme. Barcos de pescadores estacionados na areia que serviam como locais de descanso para relaxar entre uma pista e outra, esteiras de palha espalhadas, bares decorados com flores servindo drinks tropicais, sucos e comida vegana e aquele mar de azul infinito de águas quentes e calmas. Pense em quem você levaria para uma praia deserta? Então, este é o lugar.

Valores do festival
Valores do festival

Logo de cara, deu para perceber que a organização do evento também se preocupava com outras questões além da música: toda a decoração, inclusive dos dois palcos – Sol e Lua – eram feitas de madeira e palha, havia um espaço chill out com distribuição de leques, repelentes de mosquito, protetores solares e capas de chuva. Os atendentes de bares e staff de serviço faziam parte da comunidade de moradores da região. A sustentabilidade estava presente em todos os detalhes.

Sobre o line-up… wow! Enquanto no BPM tudo gira em torno do techno e house, a proposta do Communité era justamente ampliar este leque, explorando sonoridades eletrônicas fora destas caixas.

Fui ao festival para assistir uma lenda vida da música eletrônica, um dos poucos grandes nomes que ainda não havia conseguido ver ao vivo: o enigmático produtor norte-americano Kenny Dixon Jr, mais conhecido como Moodyman. Além dele, um dream team do minimal techno experimental: o húngaro Petre Inspirescu, a israelense Mayann Nidam, o sul-africano Portable, o alemão Lawrence e o back to back inédito entre Traumprinz e seu alter ego DJ Metatron (sim, eles são a mesma pessoa…Freud explica).

Line-Up Comunité
Line-Up Comunité
Moodyman 1
Moodyman
Portable Live
Portable

Além dos artistas internacionais, alguns dos mais relevantes expoentes da nova música eletrônica mexicana se apresentariam por lá com a transmissão do Boiler Room como o equatoriano de beats étnicos Nicola Cruz, a banda chilena de sonoridade folclórico-eletrônica Matanza e o mexicano El Búho, conhecido pela mistura de beats downtempo e orgânicos com camadas de pads delicados e hipnotizantes.

El Búho
El Búho

Tinha tudo pra ser perfeito. Infelizmente a natureza e parte da produção não ajudaram.

Praticamente todos os horários da festa atrasaram-se lamentavelmente.

A passagem de som entre uma apresentação e outra era lenta e, no lugar de um DJ tocando, deixaram rolando uma trilha de som experimental de fundo, que mais confundia que acalmava. No horário previsto para Moodyman entrar, havia pelo menos um gap de 3 horas de espera. O staff era muito atencioso, simpático, mas parecia não ter pressa para nada. Quando perguntei para um dos produtores do evento o que estava acontecendo, ele deu um sorriso amarelo e respondeu que ainda havia muita festa até a manhã, garantindo que todas as apresentações estavam lá e iriam se apresentar.

Uma ventania chegou forte e uma tempestade começaria nas próximas horas
Uma ventania chegou forte e uma tempestade começaria nas próximas horas

Daí, começaram os ventos. E não era um ventinho qualquer… era um vendaval! A temperatura caiu uns 10 graus. Além do frio, uma tempestade começou a armar. O paraíso virou um pesadelo quando pesadas gotas de chuva começaram a desabar do céu. Acessei o site WindGuru e ele confirmou: cairia o mundo nas próximas horas ali. Uma das coisas boas de frequentar festival há mais de 10 anos é saber que sempre vai ter um próximo… e a hora de sair.

Fomos embora do Comunité fascinados pela sua proposta, curadoria artística e atmosfera, mas tristes por não termos conseguido ver as atrações que queríamos (atrasos da produção). Voltaríamos sem pensar duas vezes ano que vem.

tempo fechado

Dica para quem for ao Comunités: aluguem um quarto ou pousada na cidade no dia, não fiquem em Playa del Carmen. 🙂

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