O Show da Minha Vida: Kraftwerk no Free Jazz de 98 - Pulso

O Show da Minha Vida: Kraftwerk no Free Jazz de 98

Depois do auge nos anos 70 e de um declínio evidente a partir da década de 90, era completamente inesperado uma vinda do Kraftwerk ao Brasil. Porém, um comeback vitorioso no Glastonbury de 97 colocou os alemães novamente na rota das grandes turnês mundiais. Foi a deixa para o Free Jazz fisgar o quarteto para a edição de 98 do festival.

E tinha mais: os robôs tocariam no mesmo palco e dia que o Massive Attack. A felicidade tomou conta da nação descolex, a corrida pelos ingressos (no Free Jazz, sempre poucos) foi sangrenta, esgotou rápido, cambistas fazendo a festa na entrada do MAM.

Na cabeça de todo mundo seria assim: Massive Attack abrindo para os alemães. Até que a luzes do público se apagaram, e um palco até então escondido, no lado oposto ao ‘principal’, brilhou com o início do show do Kraftwerk. Todo mundo virou de costas e correu para o palco ‘certo’.

https://www.youtube.com/watch?v=pWxoaBSEOe0

Conhecia a história da banda e achei que o show seguiria por um caminho meio etéreo-viajante-autobahn. Ainda bem que foi justamente o contrário: todos os hits estiveram presentes, e com um som excelente. O pancadão electro de ‘Computer Love’, The Model’ e ‘Boing Boom Tschak’ promoveram uma pista de dança inusitada. Entre outras maravilhas do setlist estavam ‘Numbers’, ‘We are the robots’ (com robôs suspensos no palco), ‘Trans Europe Express’ (alô, Afrika Bambaataa!)

Foi bastante significativo ver o show de banda tão pioneira para a música eletrônica justamente naquela segunda metade da década de 90, período em que a dance music estourava de fato com Prodigy, Chemical Brothers, Underworld, Orbital, Moby, etc: aqueles alemães no palco eram a gênese de todos os estilos eletrônicos e fonte principal de todos os nomes, TODOS!, daquela geração. Foi bacana fazer essa comparação na hora.

Ficou ruim pro Massive Attack encarar a galera depois desse belíssimo baile alemão.

Ainda vi o Kraftwerk outras 4 vezes: no Tim Festival de 2004, duas abrindo pro Radiohead (Rio e SP), e uma no Sónar São Paulo, em 2012, no show 3-D. Nenhuma superou a de 98.