Entrevista: Entenda o Aumento dos Preços do Tomorrowland Brasil - Pulso

Entrevista: Entenda o Aumento dos Preços do Tomorrowland Brasil

Na última semana o Tomorrowland Brasil divulgou os valores dos ingressos e hospedagem no camping (DreamVille) que serão praticados na edição de 2016.

Desde então, observamos uma enxurrada de críticas e declarações de amor ao festival, especialmente nos grupos de discussão do Facebook. Embora já fosse esperado um aumento nos preços, especialmente face à recente aceleração da cotação do dólar, alguns valores, especialmente os de hospedagem, tornaram o sonho de participar do Tomorrowland 2016 um pouco mais distante para alguns fãs.

Fomos conversar diretamente com o Maurício Soares, diretor de marketing da SFX Brasil (produtora do Tomorrowland), para entender o que realmente podemos esperar da edição de 2016 – e qual será o impacto dos preços na experiência do festival.

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Pulso: Embora os valores dos ingressos tenham aumentado de 9% (Day Pass Confort Meia) a 33% (Day Pass Inteira), os maiores aumentos ficaram por conta da hospedagem no DreamVille (aumento de 50% na Easy Tent para 4 pessoas e 138% no antigo regular, que agora está sendo chamado de Magnificent Greens). Por quê?

Mauricio Soares (Tomorrowland Brasil): É preciso analisar os ajustes sob outra perspectiva, pois a edição de 2016 do Tomorrowland Brasil é diferente da edição de 2015 – desde o racional para alocação dos ingressos até as próprias características dos produtos e serviços. Para a segunda edição, ao contrário da primeira, a ideia é trabalhar com um lote único de ingressos, ao invés de um lote promocional seguido de segundo e terceiro lotes. Sendo assim, a comparação mais pertinente seria aquela entre os preços de 2016 e os do segundo lote de 2015, a qual aponta índices de reajuste menores do que aqueles apontados na questão.

TabelaVariação dos preços dos ingressos e hospedagem entre as edições de 2015 e 2016

Considerando o impacto da variação cambial, que é bastante significativo em um evento como o Tomorrowland (R$2,2396 em 6 de Setembro de 2014 para R$3,4642 em 05 de Agosto de 2015 – ou seja, algo em torno de 54,7%), a inflação geral de preços no país e as melhorias que serão implementadas na infraestrutura e serviços, as razões para o reajuste tornam-se bastante lógicas – assim como foi lógica a decisão de absorver parte do impacto financeiro dessas mudanças no contexto macroeconômico do país para não inviabilizar aos fãs a participação no festival.

Na DreamVille, os ajustes em sua maioria têm outra natureza. Antes da primeira edição do Tomorrowland Brasil nenhum outro festival havia organizado um camping de tal dimensão no país, o que significa que todo o processo de planejamento, organização e execução desta “pequena cidade” foi um grande aprendizado para todos os envolvidos. Com as lições tiradas a partir desta experiência, decisões foram tomadas para “afinar” a dinâmica do camping, proporcionando melhor adequação de estruturas, equipamentos e operações para as demandas do festival e seu público”.

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Pulso: Os fãs estão esperando que esse aumento possa refletir diretamente em algumas melhorias na experiência TML, como por exemplo, o recebimento em casa da pulseira de acesso ao evento. O que vocês estão considerando como melhorias para a edição de 2016?

Mauricio Soares (Tomorrowland Brasil): O processo de aprimoramento é contínuo, tanto naquilo que aparece de forma clara para o público como também nos bastidores que fazem a mágica acontecer. Uma das questões identificadas na edição de 2015 foi a pressão excessiva sobre as bilheterias na porta do festival para a troca de ingressos pelas pulseiras. Soluções para que elas possam ser entregues na casa das pessoas e/ou possam ser retiradas em postos físicos antes do festival estão sendo estudadas, mas há um delicado equilíbrio entre aquilo que é juridicamente permitido, operacionalmente eficaz e financeiramente viável, o que torna a decisão mais complexa do que parece à primeira vista.

No que tange à experiência do festival em si, também haverá uma série de melhorias. Por exemplo: as Easy Tents de 2016 serão diferentes das de 2015, com um espaço interno mais de 30% maior. Além disso, pelo entendimento que a experiência de dividir uma acomodação com mais 1 pessoa é diferente de dividi-la com mais 3, aplicou-se aos preços a mesma lógica, ao invés de simplesmente multiplicar um valor individual por 2 ou por 4. Também foi preciso repensar a atuação das equipes de segurança e serviços, além de estruturas de apoio, planejamento de logística e acessos, apenas para citar alguns pontos”.

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PulsoVocês pretendem aumentar a capacidade da DreamVille em 2016? A localização será a mesma?

Mauricio Soares (Tomorrowland Brasil): A ideia é, sim, aumentar a capacidade em 2016. Ainda não existe um número final, mas arquitetos e equipe técnica estão investigando o quanto será possível acolher de público a mais sem prejudicar a experiência dos visitantes. A localização da Dreamville será a mesma, mas utilizando uma área um pouco maior”.

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PulsoO acesso ao evento foi um ponto crítico na edição passada. Como vocês esperam resolver essa questão?

Mauricio Soares (Tomorrowland Brasil): “Um dos pontos fundamentais para a resolução desta questão é a diminuição do fluxo diário de veículos nas imediações do festival. Para tanto, aumentar a capacidade do camping é um fator importante, assim como o aprimoramento e diversificação da oferta de modalidades de transporte coletivo, aliados ao desestímulo à opção pelo transporte individual, este pautado entre outras coisas pelo valor elevado do estacionamento nas imediações do festival. Aqui não se trata apenas de uma questão de praticidade ou conforto, mas também de preocupação com a segurança e integridade física do público que visita o evento”.

PulsoUm outro problema na primeira edição foi a compra por cambistas e o fato de muitos fãs não conseguirem comprar ingressos durante a venda oficial. Como vocês esperam resolver (ou diminuir) esse problema esse ano?

Mauricio Soares (Tomorrowland Brasil): Passado o furor da primeira edição e considerando a situação econômica do país, a tendência é que o problema já seja menor naturalmente. No ano passado foi possível observar muitas pessoas que acreditavam que podiam comprar os ingressos e vende-los imediatamente depois por 10 vezes o valor de compra. Essas pessoas não conseguiram vender tais ingressos ao preço que imaginavam, e isso será ainda mais difícil agora.

Além disso, é preciso colocar as coisas em perspectiva. No momento da abertura das vendas no ano passado, havia literalmente centenas de milhares de pessoas de dezenas de países diferentes na fila para adquirirem seus ingressos, uma demanda muito maior do que o festival poderia atender, mesmo se não houvesse nenhum cambista. É natural que muitos fãs não consigam seus ingressos, assim como acontece ano após ano na Bélgica. Para estes, existe sempre a opção de acompanhar o evento pela transmissão ao vivo na internet.

O Tomorrowland Brasil já limita as compras a 4 ingressos por pessoa e implementa uma série de mecanismos para dificultar a revenda dos ingressos, mas há um limite para onde é possível chegar com esse tipo de controle sem afetar negativamente a experiência do cliente. Para os verdadeiros fãs, o recado permanece o mesmo desde o início: não compre ingresso de cambistas. Torná-lo menos atraente para quem busca lucro alto, fácil e imediato é a única forma 100% eficaz de conter o mercado secundário.”

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O Tomorrowland Brasil 2016 acontecerá entre os dias 21 e 23 de abril de 2016 em Itu, SP. A venda dos ingressos começa no dia 12 de setembro de 2015. Para ter acesso à página de vendas é necessário fazer um Pré-Registro até 11 de Setembro. Vale lembrar que os ingressos para a edição deste ano se esgotaram apenas 3 horas depois do início das vendas.

Carol Soares Por Carol Soares

Don't ask about my job. Don't ask what I do. Judge the way I dance.

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