Acessibilidade na 6ª edição do Lollapalooza Brasil - Pulso

Acessibilidade na 6ª edição do Lollapalooza Brasil

De todos os festivais que fazem residência no Brasil, com certeza o Lollapalooza Brasil é um dos mais amados. Um dos motivos que gera tanto amor é seu empenho em abraçar todos e juntar as tribos numa celebração que mistura música, cultura e experiência.

Para isso acontecer sem distinções, a acessibilidade é um item essencial e o Lolla tem se empenhado em levar essa emoção para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Bora fazer um raio-x disso tudo!

Foto Divulgação

O primeiro aspecto a ser pontuado é o local onde é realizado: o Autódromo de Interlagos, casa do Lollapalooza Brasil desde 2014.

Uma área ampla e de geografia específica, o que permitiu o crescimento do festival. Mas é exatamente seu maior trunfo, que gera seu maior desafio: as proporções.

Com uma área muito extensa, tudo fica muito longe! Aceite, durante o festival você vai caminhar muito! Independente se você tem mobilidade reduzida ou não, se você vai realmente caminhar ou rodar com sua cadeira.

Para as PCD’s (Pessoas com deficiência) essa distância toda, num terreno acidentado e com muita gente aglomerada, é um problema que pode acabar impedindo o deslocamento de um ponto para outro.

Foto Divulgação

Talvez a criação de rotas alternativas para as PCD, uma espécie de trilha que corte caminho entre os palcos e pontos importantes do festival seja uma saída, uma “mão na roda” (trocadilho mais que coerente aqui)!

Ainda sobre o terreno, o Autódromo tem áreas de asfalto, gramados, pedras e cascalho. Nos caminhos de asfalto tá tudo certo, mas no restante, nem tanto.

Uma alternativa simples para facilitar a experiência das PCD’s é a implantação de uma passarela ligando as áreas do festival.

A ideia é semelhante à usada em praias acessíveis, onde são colocadas esteiras em cima da areia para que a cadeira de rodas possa rodar mais facilmente. Só que no caso, ao invés da areia da praia seria em cima da grama/cascalho.

Do suporte para o público PCD, vou destacar 4 itens importantes encontrados no Lollapalooza: entrada preferencial, estacionamento, áreas reservadas e banheiros.

ENTRADA PREFERENCIAL – Sempre no Portão 7 do autódromo fica a portaria preferencial apenas para o acesso de PCD’s e seus acompanhantes.

Dessa portaria até a área onde o festival acontece, é disponibilizado translado especial feito com um buggy elétrico, aqueles popularmente conhecidos como “carrinhos de golfe”.

O acesso nessa portaria é tranquilo e sem tumulto, já que o publico geral entra por outro portão.

ESTACIONAMENTO – Dentro de estacionamento oficial, há uma área reservada para os carros sinalizados com o adesivo de acesso universal e/ou cartão de estacionamento preferencial.

Essa área fica muito próxima ao acesso ao festival pelo estacionamento, mas a partir desse ponto, a distância é muito longa. Um ponto negativo das vagas reservadas no estacionamento, é que sempre estão numa área gramada e desnivelada, dificultando a locomoção.

ÁREAS RESERVADAS – Essencial para que as PCDs possam ver os shows com conforto e principalmente com segurança. No Lolla são quatro áreas reservadas, uma para cada palco, todas bem posicionadas e sinalizadas. Essa área é um tablado elevado, cercada por grades, com uma rampa de acesso e sempre monitorada por seguranças e bombeiros.

Podem acessar esse espaço: a pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida e seu acompanhante (um único acompanhante), ambos receberão uma pulseira de identificação. Dento desse espaço também há banheiros químicos adaptados.

A importância das áreas reservadas é imensurável, pois sem ela, um cadeirante não conseguiria enxergar o palco ou uma pessoa com problemas de equilíbrio seria facilmente derrubada em meio à multidão, entre outras situações que podem ocorrer. Nesse ponto o LollaBr está de parabéns.

Foto Divulgação

BANHEIROS – Não tem como negar: banheiro químico é ruim pra todo mundo!

No Lolla são disponibilizados banheiros químicos adaptados, que são maiores que um banheiro químico convencional, porém não há espaço suficiente para manobrar uma cadeira de rodas dentro dele.

Eles estão disponíveis na área com os banheiros para o publico geral e também dentro das áreas reservadas para PCD próximas aos palcos. Boa sorte!

A grande novidade em 2017 foi a utilização das pulseiras cashless. Logo na entrada sentimos a agilidade do novo sistema.

Nos anos anteriores, enquanto o público geral passava por catracas, os cadeirantes tinham que esperar alguém da produção abrir uma passagem por entre as grades.

Agora as catracas foram substituídas por espaços livres, apenas com totens para a leitura do chip inserido na pulseira, e assim o acesso fluiu para todos.

Mas dentro do festival, tivemos dilemas. O sensor para a leitura da pulseira sempre estava fixo numa posição para ler o braço de uma pessoa em pé.

Especialmente nos caixas, era impossível alguém sentado numa cadeira de rodas conseguir alcançar tais sensores.

Outra situação é que, em alguns casos, para agilizar as idas e vindas até os bares, a PCD permanece na área reservada e seu acompanhante vai fazer a compra. Mas se a pulseira está presa ao braço da pessoa, essa logística fica complicada.

Um deslize do Lolla em 2017 foi a falta de informação antes do festival. Para não ser injusto, devo dizer que um único parágrafo estava no perfil oficial do facebook.

Mas isso não é suficiente para o publico PCD, que além dos aspectos gerais do festival, precisa de informações detalhadas de como serão tratadas as questões de acessibilidade.

Hoje em dia com tanta mídia social, tantas plataformas de comunicação, esse tipo de falha é inaceitável.

Finalmente, e não menos importante, toda a assistência prestada pelos colaboradores, como bombeiros, seguranças, controladores de acesso e pessoas da produção.

Todos muito prestativos e treinados para o trato com PCD. Especialmente nas áreas reservadas, sempre uma equipe pronta para dar suporte às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Num balanço geral, o Lollapalooza vem melhorando e o amor por ele apenas cresce. É um festival que promove inclusão através de ações de acessibilidade e isso deve ser um exemplo para todos no ramo do entretenimento.

Claro que sempre dá para melhorar, e sabemos que vai melhorar afinal ele nos surpreende a cada ano. Sempre traz uma vibe inesquecível pra tudo mundo, pois independente se PCD ou não, music makes the people come together.

Ano que vem tem mais e eu estarei rodando por lá. Literalmente!

Pedro Americo Por Pedro Americo

Boêmio, cadeirante e apaixonado por música! Com uma alma clubber, o amor maior é pela batida eletrônica, mas passeio pelos universos pop, indie e rock também. Frequentador de shows e festivais,compartilho minhas experiências pelo meu ponto de vista: sentado!

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